Aplicativo auxilia manejo da fauna silvestre e controle de doenças

“Estamos começando uma nova fase, a ciência cidadã, onde a sociedade participa dos projetos de pesquisa da forma que já faz: visitando e tirando foto dos animais, que agora vão para um banco de dados e nos permitirão fazer uma análise melhor, permitindo melhorar o manejo da fauna de maneira geral”, lembra Jorge “Julião”, responsável pelo setor de uso público do Parnaso

– Visitantes de unidades de conservação e entorno podem contribuir com monitoramento de zoonoses

As mudanças ambientais têm gerado grandes impactos sobre a biodiversidade, com repercussão importante para a saúde humana e animal. Aids, ebola, zika vírus, febre amarela silvestre… Esses são apenas alguns casos que podem ser citados de zoonoses, doenças que circulam entre animais e pessoas. Com o objetivo de monitora-las antes que cheguem às pessoas e assim proteger tanto os animais silvestres, quanto os domésticos e os humanos, a Fiocruz e o Laboratório Nacional de Computação Científica – LNCC do MCTI lançaram o Sistema de Informação em Saúde Silvestre – SISS-Geo. Trata-se de um aplicativo com uma plataforma para recebimento de informação dados e fotografias e, apesar de ser voltado principalmente para especialistas e pesquisadores, pode receber a contribuição de qualquer interessado. Ele disponibiliza aos usuários a visualização, em tempo real, de todos os registros e uma ferramenta que permite cruzar informações com 39 mapas temáticos da base de dados do governo federal.
Os objetivos do SISS-Geo são integrar os registros de animais realizados pelos cidadãos, especialistas e pesquisadores, a modelos matemáticos e espaciais para detecção precoce de possíveis doenças na fauna silvestre, gerar alertas verificáveis pelos órgãos competentes e pesquisadores, modelar matematicamente os parâmetros que oportunizam a ocorrência de zoonoses e divulgar e difundir boas práticas para saúde e a conservação da biodiversidade brasileira.
“Além dos objetivos específicos do projeto inicial, o SISS-Geo, é uma ferramenta cuja organização e acessibilidade dos dados pode ser utilizada e disponibilizada para os gestores de Parques, pois a partir das informações em sua área, é possível identificar as áreas de ocorrência de espécies e manejar trilhas, programas de visita guiada, áreas de reprodução, possíveis problemas com animais, utilização dos UCs por animais domésticos e utilizar toda a plataforma de informações disponível. Para gestores da saúde, pode auxiliar no monitoramento de surtos como os de febre amarela e raiva em animais silvestres e com isso, a aplicação precoce de medidas de prevenção, como a intensificação de vacinação humana. Pode ainda, ser ferramenta de monitoramento de áreas de desastres ambientais, compensação ambiental por empresas, criação de UCs e circulação de patógenos nas áreas de fronteira entre ambientes naturais e de produção animal”, explica Marcia Chame, Coordenadora do Programa Institucional Biodiversidade & Saúde da Fundação Oswaldo Cruz, integrante do Conselho Consultivo do Parque Nacional da Serra dos Órgãos uma das coordenadoras da Câmara Técnica de Turismo e Montanhismo do Parnaso.
O registro de animais no campo ou na cidade, com a foto, e as descrições solicitadas pelo sistema funciona mesmo em área remotas, pois localiza automaticamente por GPS o registro, mesmo sem internet e telefonia celular, guardando todos os dados que serão enviados quando o colaborador estiver em local com acesso a rede de dados.
Dois conjuntos de informações são necessárias:  As das observações dos animais, como nome do animal observado, o número de animais, se vivo ou morto, se apresenta ferimentos ou alguma condição que pareça estranha e informações sobre o local onde a observação do animal foi feita, se em área natural, rural ou urbana, se na presença ou próxima a plantações, rios, pecuária, queimadas, desastres naturais, estradas, áreas de expansão imobiliária, dentre outros.
O SISS-Geo foi lançado em março de 2014 para smartphones e tablets e hoje possui 750 participantes e 440 registros de animais válidos, em 19 dos 26 estados brasileiros. O aplicativo pode ser baixado pela Google Play para celulares Android (em breve também para IOS) ou acessando www.biodiversidade.ciss.fiocruz.br, para acesso web.

 

Todos têm a ganhar com as pesquisas
Jorge Nascimento “Julião”, responsável pelo setor de uso público do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, lembra que a participação popular pode ampliar consideravelmente o trabalho na área de pesquisa, cujos resultados, consequentemente são benéficos não só à fauna, mas para toda a população. “Somos a unidade com mais pesquisas no Brasil, dentre todas, mas as pesquisas em geral acontecem em alguns poucos lugares. Então, a quantidade de informação científica é muito grande, mas acontece em áreas limitadas do parque. Já a visitação compreende mais áreas, então se o visitante fizer esses registros e enviar para o banco de dados, a gente vai ter a oportunidade também de ter um banco maior que a gente tem hoje feito através das pesquisas e servidores do parque”, lembra.
Julião lembra ainda que o Parnaso tem realizado diversas ações para que a comunidade o conheça e, dessa forma, ajude a conservá-lo. O aplicativo SISS-Geo é mais uma maneira que cada um de nós pode contribuir para a continuidade da fauna e flora, mas da nossa própria espécie. “Temos aqui um histórico longo, mesmo antes de ser parque, do início do século 19, de se fazer pesquisa nessa região, mas sempre por pesquisadores. Agora estamos começando uma nova fase, a ciência cidadã, onde a sociedade participa dos projetos de pesquisa da forma que já faz: visitando e tirando foto dos animais, que agora vão para um banco de dados e nos permitirão fazer uma análise melhor, permitindo melhorar o manejo da fauna de maneira geral”, enfatiza.
“No Parnaso, estamos desenvolvendo ferramentas específicas para os gestores e, em breve, iniciaremos o treinamento com diversos usuários do Parque. Entre eles cabe ressaltar a importância dos condutores de trilhas, os brigadistas de incêndios, os escaladores e montanhistas, todo o pessoal da fiscalização e servidores do parque e da empresa prestadora de serviço e comunitários interessados. Quanto maior o número de pessoas envolvidas no monitoramento participativo maior será a informação e capacidade de gestão das trilhas do Parque, especialmente as de alta montanha, das áreas mais remotas e também daquelas próximas às comunidades”, completa Marcia Chame.

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Jornalista, Editor do jornal O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS, Marcello Medeiros atua na imprensa teresopolitana desde 1995. Atualmente, também assina a coluna “Mochileiro”, no próprio jornal, e apresenta programa homônimo na DIÁRIO TV.

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