Belezas e “jeitinho de interior” entre Teresópolis e São José

Início da caminhada, ainda na estrada Rio-Bahia, justamente na “ponte nova”

Início da caminhada, ainda na estrada Rio-Bahia, justamente na “ponte nova”

– Travessia de 27 km entre os dois municípios é mais um ponto a favor do turismo rural na região

Cercada por unidades de conservação ambiental – Parque Nacional da Serra dos Órgãos, Parque Estadual dos Três Picos e Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis – nosso município recebe gente do mundo inteiro interessada em caminhadas e escaladas. E, além desses locais, quem utiliza os momentos livres para fugir da correria urbana, nossa região oferece outras grandes opções através do turismo rural. Já divulgamos alguns roteiros por aqui, e, recentemente, conheci mais uma interessante caminhada que pode ser explorada turisticamente e garantir ampliação da renda para moradores de algumas localidades e diversos setores. Trata-se da travessia Teresópolis x São José do Vale do Rio Preto, que em 27 quilômetros e passa por algumas interessantes e aconchegantes localidades.

Casa cercada: Uma das centenas de parreiras de chuchu que encontramos pelo caminho

Casa cercada: Uma das centenas de parreiras de chuchu que encontramos pelo caminho

Fui convidado a conhecer essa caminhada pelo amigo Waldemiro Telles, que do alto dos seus 72 anos já esteve em praticamente todas as montanhas da região e conhece dezenas de rotas que podem ser utilizadas para a prática desse esporte nas localidades do interior. A “empreitada” cruzando os dois municípios começa em Ponte Nova, quilômetro 58 da Estrada Rio-Bahia. Eu, Telles e os amigos Ivo Salvador de Albuquerque, Alair de Almeida, Ângela Aparecida e Cleber Martins deixamos o carro ali e seguimos dois quilômetros pela rodovia, sentido São José. À esquerda, atravessamos uma pinguela e, do outro lado do Rio Preto, já estávamos na área da cidade vizinha.
E a partir desse ponto, na localidade de Areia, o município com o maior nome do Brasil começa a mostrar seus encantos. O jeitinho de interior, muitas plantações e população receptiva. Também já começamos a avistar muitos pássaros diferentes e outros “bastante” conhecidos, mas que nas regiões urbanas não são mais vistos com tanta frequência. Canários, rolinhas, anus… Também se destacam dezenas de casas de um dos mais “famosos”, o joão-de-barro. E, detalhes, a grande parte nos postes!
Após uma subida um pouco mais forte, uma descida em direção a localidade de Morro Grande. Ali, mais uma “marquinha do interior”: as sacolas com pão penduradas nas porteiras das propriedades. “Isso é muito legal, é uma coisa que não vemos há muito tempo”, lembrou o amigo Ivo, que também completou 70 anos recentemente e é outro apaixonado pelas montanhas.

“Morro Grande”: montanha que leva o nome da localidade convida para uma caminhada

“Morro Grande”: montanha que leva o nome da localidade convida para uma caminhada

E falando nas formações rochosas, a que leva o nome da localidade que cruzamos nesse momento, Morro Grande, é convidativa a caminhada e, quem sabe, para escaladas. Não descobrimos se há vias de escalada naqueles paredões, mas já é um motivo para voltar, nem que seja para conquista-las! Cortando dezenas de propriedades rurais e suas centenas de parreiras de chuchu, passamos ainda pelas localidades de Aguas Claras, Roçadinho e Silveira da Motta. Na última, a dica é seguir para a direita, em um cruzamento com três vias. À esquerda fica o acesso para a localidade da Posse, em Petrópolis. Seguindo pelo nosso destino, são mais três quilômetros até o centro de São José do Vale do Rio Preto. Lá, paramos para um lanche e uma conversa boa sobre todas as belezas que vimos até então!

O imponente rio Preto, que dá nome ao “simpático” município vizinho

O imponente rio Preto, que dá nome ao “simpático” município vizinho

Vista de cima e mais maravilhas embaixo
Foram 13 quilômetros e três horas e meia de caminhada até o centro do município vizinho. Ali, acessamos o bairro conhecido como Morro da Glória. Uma subida bastante íngreme, mas recompensadora no seu trecho final, de onde se avista o “vale do rio Preto”. “É cansativo, mas depois a saúde vai agradecer. Faz bem para o corpo e para a alma”, frisou Alair, em sua primeira caminhada com o pessoal do Centro Excursionista Teresopolitano. Após a subida forte, descemos pela localidade do Roçadinho. Ali, o número de parreiras de chuchu é quase que incontável! À nossa direita, um pequeno rio e uma grande pedra, que impressiona pelos cortes feitos devido ao intemperismo causado pela força da água.

Ao longo dos 27 quilômetros, centenas de plantações. A zona rural é convidativa!

Ao longo dos 27 quilômetros, centenas de plantações. A zona rural é convidativa!

Essa travessia é uma espécie de “oito”. Saindo do Roçadinho, cruzamos um trecho que já havíamos passado, para chegar a outro acesso de Morro Grande. Nesse ponto, passamos em frente a uma pequena e “simpática” igreja católica, ao lado de uma escola municipal. Em seguida, a subida mais forte da travessia. São 200 metros de desnível, em menos de dois quilômetros. Mas, a felicidade no rosto de cada caminhante aumentava proporcionalmente a cada metro percorrido. O cansaço fica em segundo plano quando se olha para o lado, onde estão diferentes plantações, montanhas imponentes, pássaros e plantas… Sem esquecer a boa receptividade em estabelecimentos comerciais onde paramos…

Entre muitos pássaros, destaque para dezenas de casas de um dos mais “famosos”, o joão-de-barro

Entre muitos pássaros, destaque para dezenas de casas de um dos mais “famosos”, o joão-de-barro

A última localidade a ser atravessada é a de Ventania, também em São José. Essa é uma área de vales menores, com floresta mais fechada. Dali, saímos novamente em Ponte Nova, alguns metros antes de onde deixamos os carros. “A travessia é feita em sua maioria no município vizinho, mas vale muito a pena fazer e, caso fosse incluída em um roteiro de turismo rural, poderia trazer benefícios também para Teresópolis, pois começa e termina aqui”, lembra Telles, que registrou todo o tempo e outras peculiaridades do percurso: as altitudes variam entre 550 (em Aguas Claras) e 920 metros (Morro Grande). Foram 5h57 de caminhada, em tempo de cronômetro. Contando as paradas, 7h35. “Muito bom mesmo. Estou cansada, mas faria mais 10 quilômetros, feliz”, resumiu Ângela.
Para mais informações sobre essa e outras caminhadas, visite uma das reuniões sociais do Centro Excursionista Teresopolitano. Todas as quartas-feiras, a partir das 20h30, na loja da Sociedade Pró-Lactário, número 555 da Avenida Lúcio Meira, na Várzea. O e-mail da coluna é o marcello@odiariodeteresopolis.com.br

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Jornalista, Editor do jornal O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS, Marcello Medeiros atua na imprensa teresopolitana desde 1995. Atualmente, também assina a coluna “Mochileiro”, no próprio jornal, e apresenta programa homônimo na DIÁRIO TV.

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