Cabral investigado por desvio em diversas obras

Sérgio Cabral em Teresópolis, acompanhado do então prefeito Jorge Mário, para tratar de obras e liberação de recursos para resolver problemas da Tragédia de 2011

Sérgio Cabral em Teresópolis, acompanhado do então prefeito Jorge Mário, para tratar de obras e liberação de recursos para resolver problemas da Tragédia de 2011

– Outro preso pela PF, Hudson Braga iniciou construção da Fazenda Ermitage

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, preso nesta quinta-feira (17) pela Polícia Federal, é investigado pelo recebimento indevido de R$ 2,7 milhões da empreiteira Andrade Gutierrez, durante as obras de terraplanagem do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Cabral teria recebido o valor, em espécie, entre os anos de 2007 e 2011. O MPF e a Polícia Federal também investigam se Cabral lavou parte desse dinheiro. As investigações desse crime são um desdobramento da Operação Lava Jato e, por causa disso, um mandado de prisão foi expedido pela 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba. Possíveis desvios em outras obras no estado durante seu mandato também estão sendo apurados.

Um segundo mandado de prisão contra o ex-governador foi expedido pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, devido a investigações sobre a prática de corrupção e lavagem de dinheiro relacionados ao desvio de verbas de obras de engenharia do estado do Rio de Janeiro. Ao todo, foram expedidos mandados de prisão preventiva para mais sete pessoas e prisão temporária para dois suspeitos. Também foi expedido um mandado de condução coercitiva para que Adriana Ancelmo, esposa de Cabral, deponha na Polícia Federal.

Duzentos e trinta agentes cumpriram 38 mandados de busca e apreensão, oito mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisões temporárias e 14 mandados de condução coercitiva expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, além de 14 mandados de busca e apreensão, dois mandados de prisão preventiva e um mandado de prisão temporária expedidos pela 13ª Vara Federal de Curitiba.

A Operação Calicute é resultado de investigação em curso na força-tarefa da Operação Lava jato no Estado do Rio de Janeiro em atuação coordenada com a força-tarefa da Operação Lava Jato no Paraná. O nome da operação é uma referência às tormentas enfrentadas pelo navegador Pedro Álvares Cabral a caminho das Índias.

Propina maior a cada mandato

A investigação teve como ponto de partida as delações de Clóvis Primo e Rogério Numa, executivos da Andrade Gutierrez, feitas no âmbito do inquérito do caso Eletronuclear. Os dois revelaram à força-tarefa da Lava Jato que os executivos das empreiteiras se reuniram no Palácio Guanabara, sede do governo, para tratar da propina e que houve cobrança nos contratos de grandes obras. Só a Carioca Engenharia comprovou o pagamento de mais de R$ 176 milhões em propina para o grupo. Ainda segundo o MPF, o ex-governador recebia “mesadas” entre R$ 200 mil e R$ 500 mil de empreiteiras, segundo procuradores das forças-tarefa da Lava Jato do Rio e no Paraná. “O pagamento de mesada foi de R$ 200 mil no 1º mandato, e no 2º mandato de Sérgio Cabral, essa mesada subiu para R$ 500 mil”, disse Lauro Coelho Junior, procurador do MPF no Rio de Janeiro, em entrevista coletiva no final da manhã de ontem.

À Operação Lava Jato, os delatores Rogério Nora de Sá e Clóvis Peixoto Primo disseram que Cabral cobrou pagamento de 5% do valor total do contrato para permitir que a construtora Andrade Gutierrez associasse à Odebrecht e à Delta, no consórcio que disputaria a reforma do Maracanã, em 2009. Na época, o ex-governador negou que isso tenha ocorrido.

Os presos e Teresópolis

Além de Cabral, foram presos preventivamente Wilson Carlos Cordeiro da Silva Carvalho, ex-secretário de governo do RJ; Hudson Braga, ex-secretário de obras; Carlos Emanuel de Carvalho Miranda, sócio de Cabral na empresa SCF Comunicação; Luiz Carlos Bezerra; Wagner Garcia; José Orlando Rabelo; Luiz Paulo Reis, sócio de Hudson Braga e apontado como operador financeiro do esquema. Presos temporários (com duração de até 5 dias): Paulo Fernando Magalhães Pinto, administrador de empresas, foi assessor de Sérgio Cabral e Alex Sardinha da Veiga.

O ex-secretário de obras Hudson Braga esteve em Teresópolis algumas vezes para tratar de grandes empreendimentos do governo estadual no município. O maior deles, um que até hoje sequer foi entregue: Os apartamentos construídos para as vítimas da Tragédia de 2011 na Fazenda Ermitage. No dia 21 de agosto de 2013, acompanhado do então prefeito Arlei Rosa, ele assinou a autorização para as obras de infraestrutura do condomínio, anunciando a liberação de R$ 21 milhões somente para essa etapa. Para os prédios, seriam destinados mais R$ 125 milhões.

Uma das empresas citadas na investigação, a Delta, foi responsável por outra grande obra em Teresópolis, o Novo Fórum, na Rua Carmela Dutra. Por aqui, a empresa chegou a ser denunciada, mas por perturbação da ordem e tranquilidade. Durante a empreitada para levantar o prédio no antigo pátio da PMT, vizinhos estiveram na 110ª DP para reclamar que “o ritmo incessante da construção, aliado ao grande número de equipamentos utilizados, associados aos turnos de trabalho acabaram por gerar uma situação sem precedentes no distúrbio da ordem no local, a tal ponto de provocar o pedido de ajuda para as autoridades policiais”.

Deixe seu comentário

Jornalista, Editor do jornal O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS, Marcello Medeiros atua na imprensa teresopolitana desde 1995. Atualmente, também assina a coluna “Mochileiro”, no próprio jornal, e apresenta programa homônimo na DIÁRIO TV.

Deixe uma resposta

Diario TV

Carregando...

Facebook

Twitter Diário TV

Assine nossa newsletter

Loading...Loading...