Clubes sociais fecham as portas e cidade perde espaços de lazer

O tradicional Panorama Country Clube continua desativado e sem manutenção. Direção da Associação de Clubes trabalha para tentar reativar a sede

O tradicional Panorama Country Clube continua desativado e sem manutenção. Direção da Associação de Clubes trabalha para tentar reativar a sede

– Inadimplência e falta de interesse de novos e velhos associados são obstáculos para entidades

Locais antes disputados por veranistas, turistas e moradores, clubes sociais de Teresópolis enfrentam dificuldades para sobreviver. Em tempos de crise, onde gastos ditos supérfluos são os primeiros a serem cortados, os investimentos com mensalidade acabam sendo sacrificados. O resultado são listas intermináveis de inadimplentes e conseqüentes desfalques financeiros que acabam provocando o fechamento ou mesmo a falência de algumas instituições. Teresópolis já viu mais de uma vez essa história, acompanhando o fechamento de clubes como o Caxangá, que fechou as portas na década de 90 e hoje suas luxuosas instalações de resumem a ruínas e entulho. Em 2007 foi a vez do Clube Panorama finalizar suas atividades. Recentemente, para surpresa de muitos, quem parou de funcionar foi o Clube Ingá, no bairro do Alto.

Em 2011 as instalações do Panorama foram cedidas para que a Prefeitura pudesse abrigar famílias que perderam suas casas na tragédia das chuvas

Em 2011 as instalações do Panorama foram cedidas para que a Prefeitura pudesse abrigar famílias que perderam suas casas na tragédia das chuvas

O assunto voltou a ganhar destaque desde a surpreendente repercussão de uma fotografia do Clube Caxangá, publicada na fanpage do Diário no Facebook. A imagem despertou diferentes emoções entre os internautas, proporcionando comentários que iam da indignação com o fim do local até a revelação de lembranças de momentos passados na sede que outrora recebera artistas, celebridades e grandes atletas, sem citar o significativo número de turistas que passaram por ali. Atendendo a sugestão de leitores, O DIÁRIO traz a tona novamente a situação de outros clubes sociais. Não há como não falar sobre o Panorama Country Clube. Sua luxuosa sede, erguida em privilegiado terreno no bairro Jardim Trombetas, se destacava em épocas recentes pelas preciosas instalações, como o Ginásio Poliesportivo, que já foi o um dos principais da cidade; suas três piscinas, sendo uma semiolímpica de 25 metros de extensão; e ainda os salões sociais que sediaram grandes festas e eventos. Os tempos de glória passaram e o Clube fechou suas portas em 2007. Em 2011, suas dependências serviram de abrigo para as vítimas da tragédia das chuvas. Atualmente o representante legal é também o responsável pelos cuidados básicos com o que sobrou da estrutura. Sem funcionamento e manutenção, o Clube tem sido alvo de tentativas de reativação por parte da Associação dos Clubes e Entidades Recreativas de Teresópolis (Acert). Além de constantes vistorias ao espaço, a organização busca solução para dívidas que ficaram e não descarta um possível retorno. Vizinhos do valorizado imóvel, apreensivos com o avanço das doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti, chegaram a denunciar o local por conta da água que estaria acumulada nas piscinas, situação que, segundo a própria Acert, foi descartada pela fiscalização de Zoonoses da Prefeitura. A associação garante que o Panorama não está abandonado.

Apesar de ter encerrado as atividades em 2011, o Clube do Ingá continua com sinais de que está sendo cuidado e conservado por um grupo de associados

Apesar de ter encerrado as atividades em 2011, o Clube do Ingá continua com sinais de que está sendo cuidado e conservado por um grupo de associados

Clube do Ingá

Seguindo a mesma linha, outra entidade que fechou suas portas foi o Clube do Ingá, na região do Alto. Sua estrutura nada deixava a desejar de outros espaços sociais, como privilegiados salões de festas, ginásio poliesportivo, quadras e campos esportivos, playground, piscinas, saunas, etc. Também segundo a advogada Elizabeth Barbosa, diretora jurídica da Acert, o clube foi fechado por decisão do grupo responsável pela sua manutenção. A desistência de alguns antigos associados em permanecer no quadro teria inviabilizado o funcionamento. Esses sócios que restaram garantem a manutenção e também o pagamento de contas de energia elétrica, água e impostos municipais. Nesse caso, não há intenção em reabrir o clube e os responsáveis ainda não decidiram o que será feito da atual estrutura.

Na busca pelo entendimento sobre as questões que provocaram o fechamento de importantes espaços sociais da cidade, O DIÁRIO ouviu o presidente da Casa de Portugal de Teresópolis, Carlos Alberto Rocha. Segundo ele, um dos maiores vilões é a inadimplência. “A situação que a gente enfrenta com essa crise no país é a mesma aqui na cidade, o que acaba gerando essa inadimplência. Quando assumimos a gestão do clube, no primeiro mandato, encontramos uma taxa de 40% de associados com mensalidades em atraso. Hoje conseguimos reduzir isso para 15%. Para isso tivemos de investir e alavancar principalmente os eventos sociais e esportivos. Isso tudo acaba atraindo o associado e seus convidados, que acabam se interessando em fazer parte do quadro social”, revela o presidente, que aponta os investimentos realizados na aplicação de grama sintética no gramado com outro ponto positivo que é alugado para os praticantes do futebol.

Na avaliação de Carlos, outro ponto que teve significativa responsabilidade com a situação dos clubes: “A expansão do mercado imobiliário, com a chegada de novos empreendimentos que trazem seus próprios espaços sociais também acaba afastando as pessoas dos clubes”, opina.

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André Oliveira é comunicador e fotógrafo. Tem 20 anos de experiência no setor de comunicações, com passagens por diversos segmentos como rádio, jornal, revista e TV. É repórter e apresentador do jornal O DIÁRIO e da DIÁRIO TV.

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