Comércio de produtos roubados e furtados preocupa

Também em setembro passado, a Polícia Militar conseguiu prender acusados de receptação de veículos roubados no Rio de Janeiro

Também em setembro passado, a Polícia Militar conseguiu prender acusados de receptação de veículos roubados no Rio de Janeiro

– Polícia investiga e lembra que crime de receptação dá cadeia e incentiva a bandidagem

Nos últimos dias, equipes do 30º BPM detiveram e conduziram para a 110ª Delegacia de Polícia três pessoas acusadas de comprar produtos oriundos de atos ilícitos. Em São Pedro, um comerciante mantinha em sua loja televisão, geladeira, fogão, aspirador de pó e um lava-jato furtados em uma residência. No Morro do Tiro, dois menores foram autuados por comprarem um celular retirado de uma loja na Várzea. Algumas pessoas fingem desconhecer o ato criminoso, então é importante lembrar que essa prática é tipificada no Código Penal Brasileiro como receptação e pode render até três anos de cadeia, mesma punição prevista para aqueles que praticam o furto. Além disso, lembra a polícia, comprar produtos de procedência duvidosa é um incentivo à bandidagem, que, posteriormente, pode invadir a residência da própria pessoa que comprou tais objetos para continuar o ciclo criminoso.

Televisões, celulares, computadores, tablets, bicicletas… De tudo um pouco vai parar na mão dos bandidos. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), entre janeiro e setembro foram registrados 166 casos de roubo e 938 ocorrências de furto em Teresópolis. E para onde vão esses produtos obtidos ilicitamente? Para outras residências, comercializados a preços muito abaixo do mercado ou trocados por entorpecentes. Mas, quem acha que está fazendo um grande negócio comprando uma televisão de R$ 1.500 por R$ 300, por exemplo, na verdade está correndo o risco de terminar na cadeia, conforme previsto no artigo 180 do Código Penal.

“O crime de receptação é um crime continuado, então tem flagrante prolongado por todo o período que estiver de posse do produto adquirido de alguma forma e mesmo quando alegam que foi recebido como presente. É fácil saber se foi obtido de forma ilícita, quando está com o preço muito abaixo do mercado, quando a pessoa não apresenta nota fiscal. Até para presente, é comum entregar a nota para o caso de garantia. Outro ponto interessante é ressaltar que os celulares e outros eletrônicos hoje em dia são todos rastreados, então a polícia judiciaria tem capacidade fazer rastreamento e essa pessoa ser presa a qualquer momento. Então, que evitem comprar sem saber a origem do produto”, explicou recentemente a Major Renata, Chefe do Setor P3, do 30º BPM, em reportagem justamente sobre o aumento do número de furtos e roubos. Na ocasião, ela frisou a migração dos traficantes para outras modalidades, diante do forte trabalho de combate ao comércio de drogas.

Até medicamentos roubados

Em meados de setembro, foi conduzido para o setor de custódia da 110ª Delegacia de Polícia um empresário do ramo de veterinária acusado do crime de receptação qualificada. A Polícia Civil chegou até ele apurando denúncias anônimas de que haveria no seu estabelecimento medicamentos de origem ilícita. Os inspetores Gilson, Mauro e Ricardo estiveram no local e inspecionaram o material que era utilizado no tratamento de animais, encontrando dezenas de caixa de medicamento de procedência duvidosa. Apurando a origem, os investigadores descobriram que se tratava de lote de produtos roubados da transportadora Praxedes em dezembro de 2015. Com a comprovação, o empresário recebeu voz de prisão e foi conduzido para prestar depoimento e autuação. Após período no xadrez local, ele foi conduzido para unidade prisional da Polinter no Rio de Janeiro.

Veículos também são repassados

Também em setembro, graças a denúncias anônimas passadas ao quartel do 30º BPM, policiais do Setor de Inteligência, a P2, conseguiram retirar de circulação dois homens envolvidos com roubos de veículos e ainda receberam informações sobre outros que fariam parte de quadrilha especializada nesse tipo de crime. Comunicados que um carro roubado no Rio de Janeiro estaria sendo trazido para Teresópolis, os agentes montaram campana no Soberbo e passaram a seguir o Honda HRV de cor cinza assim que ele ingressou nos limites do município, na Avenida Rotariana. No bairro do Alto, próximo à Praça Higino da Silveira, o motorista parou para falar com outro homem, momento que a dupla foi abordada pelos policiais.

Apurou-se que o primeiro havia sido contratado para trazer o carro roubado Serra acima, serviço pelo qual receberia R$ 3 mil – quantia encontrada com o outro meliante, um homem de 33 anos morador de Teresópolis. Eles foram levados para a 110ª DP, dando mais detalhes sobre o esquema. Outros dois residentes na cidade seriam responsáveis por confeccionar novas placas e documentos para veículos roubados e furtados, que passariam a ser clones de veículos legais. A situação pode ter relação com investigação sobre caso semelhante em São José do Vale do Rio Preto, onde policiais do 30º BPM apreenderam esta semana quatro clones. Os acusados presos no bairro do Alto foram autuados por receptação e o HRV ficou no pátio da Polícia Civil até ser encaminhado para a seguradora.

 

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Jornalista, Editor do jornal O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS, Marcello Medeiros atua na imprensa teresopolitana desde 1995. Atualmente, também assina a coluna “Mochileiro”, no próprio jornal, e apresenta programa homônimo na DIÁRIO TV.

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