Domingo é o dia com maior número de acidentes

Avenida Feliciano Sodré: Novo levantamento pode mostrar número de acidentes ainda maior, visto que o novo asfaltamento não veio junto com os radares, que serviriam para evitar que os motoristas passassem do que é previsto pelo Código de Trânsito Brasileiro

– Dados do Detran mostram ainda locais e horários com mais problemas no trânsito

O Departamento Estadual de Trânsito do Rio de Janeiro, o Detran, acaba de divulgar seu Anuário Estatístico com informações relacionadas ao ano de 2015 em diversas frentes, desde o número de habilitados, situação da frota em relação a regularização documental e dados referentes aos acidentes de trânsito por região e municípios. A pesquisa aponta os locais, dias e horários com maior número de colisões, tombamentos, capotamentos e outros eventos com vítimas entre janeiro e dezembro daquele ano. O levantamento das ocorrências de 2016 ainda está em andamento. Segundo o anuário, em Teresópolis os locais com mais acidentes são as avenidas Feliciano Sodré e Tenente Luiz Meirelles e as duas principais rodovias que cortam o nosso município, a BR-116, mais conhecida como Rio-Bahia, e a RJ-130, que leva até Nova Friburgo.

A BR-116, dividida entre trechos conhecidos como Rio-Bahia e Rio-Teresópolis, tem registrado grande número de acidentes com vítimas fatais

No período anotado, foram 327 eventos com vítimas, sendo domingo o dia com maior número de ocorrências, 57. Dessas, a maior parte, 24, aconteceu entre 18h e 23:59. Logo a seguir vem o sábado, com 54 anotações. Porém, com maior frequência entre 12h e 17h:59. Dividindo por mês, maio foi o mais atribulado para as equipes de socorro e emergência, com 35 saídas para atendimento a casos com vítimas. As colisões foram responsáveis pelo maior número de óbitos em 2015. Ainda segundo o Detran, ocorreram mortes em 10% dos acidentes contabilizados.
O fato de a estatística apontar as citadas avenidas e rodovias como principais pontos de acidentes pode estar ligado à velocidade praticada nesses locais. Na Tenente Luiz Meirelles e Feliciano Sodré, não há nenhum tipo de fiscalização. Na segunda, o número pode ser ainda maior quando for divulgado o levantamento do ano passado, visto que o novo asfaltamento não veio junto com os radares, que serviriam para evitar que os motoristas passassem do que é previsto pelo Código de Trânsito Brasileiro. E nos fins de semana, quando o trânsito flui melhor, muitos têm exagerado na condução de automotores.

 

Muitos motoristas
O Anuário Estatístico do Detran mostra que em 2015 foram emitidas 15.222 CNHS em Teresópolis, sendo 13% novas habilitações. Até aquele ano, o município registrava o total de 63.610 habilitados, sendo 34% mulheres e 66% homens. A categoria B foi a mais procurada, com 9.091 atendimentos, seguida pela AB, com 3.107 cadastros.

 

Frota gigante
Entre janeiro de 2016 e janeiro deste ano, o Detran registrou mais 3.488 veículos em Teresópolis. Com o crescimento no período de um ano, nosso município já tem em circulação 95.073 veículos, dos mais diversos tipos. Esse número reflete no que passam os teresopolitanos diariamente: Grande dificuldade para circular nas principais avenidas, em praticamente todos os horários do dia. É importante lembrar que a quantidade de carros, motos, caminhões, entre outros, é ainda maior do que o número acima porque ainda circulam por aqui muitos automotores registrados em outras cidades e até estados. As frotas de empresa, por exemplo, geralmente são emplacadas em localidades onde o imposto praticado é menor do que no Rio de Janeiro.
As estatísticas são do próprio Departamento de Trânsito do Rio de Janeiro, que informa que em janeiro do ano passado estavam registrados 91.585 veículos, passando para o citado acima em 2017. Os principais tipos de automotores que estavam emplacados em Teresópolis até o final do mês passado e a comparação com mesmo período de 2016 foram: Automóveis – 59.752 (+ 1.917); Motocicletas – 18.693 (+ 600); Ônibus – 304 (- 12); Micro-ônibus – 332 (+ 11); Caminhonetes – 4.980 (+483); Camionetas – 4.180 (+ 19); Caminhões – 2.258 (+ 134); Utilitários – 510 (+64). Entre os emplacamentos de veículos zero quilômetro, somente em janeiro de 2017 foram 154 registros, 25 a menos que o ano anterior.
Como citado no início da reportagem, somando os automotores com placas de fora que rodam por aqui, estima-se pelo menos 100 mi veículos em circulação, em uma situação crescente. Empiricamente, sabe-se que muitas agências e vendedores particulares têm a prática de buscar automóveis em leilões ou municípios onde têm o valor de mercado mais baixo, como no Rio de Janeiro, e depois emplacar no Detran local. Como o sentido contrário dificilmente acontece, a cada dia é maior o número da frota de Teresópolis.
O problema é que as ruas são praticamente as mesmas de décadas atrás, quando apenas os mais afortunados podiam ter seu meio de condução próprio. O crescimento, aliado a falta de organização e pensamento em soluções por parte da Secretaria Municipal de Segurança Pública, responsável pelo trânsito, que nunca sequer planejou um estudo do setor, tem gerado um caos cada vez maior.

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Jornalista, Editor do jornal O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS, Marcello Medeiros atua na imprensa teresopolitana desde 1995. Atualmente, também assina a coluna “Mochileiro”, no próprio jornal, e apresenta programa homônimo na DIÁRIO TV.

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