Escolas e professores devem ter autonomia para definir calendário de reposição das aulas

Cerca de 45% dos profissionais de educação que trabalham em Teresópolis aderiram à greve que durou quase cinco meses

Cerca de 45% dos profissionais de educação que trabalham em Teresópolis aderiram à greve que durou quase cinco meses

– Sepe orienta profissionais sobre procedimento para garantir acesso aos conteúdos curriculares

Depois de cinco meses em greve, os profissionais de educação do Estado do Rio e os alunos das unidades de ensino agora vão ter de trabalhar dobrado para garantir o acesso dos estudantes aos conteúdos curriculares que ficaram para trás por conta do movimento. A greve dos servidores começou no dia 3 de março e se estendeu até o dia 26 de junho. Em Teresópolis, segundo dados do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação – Sepe – a adesão dos profissionais chegou perto de 45% em alguns momentos. Além da participação da categoria, alunos da Rede Estadual também foram para as ruas brigar por melhorias na qualidade de ensino, chegando inclusive a ocupar o Colégio Euclides da Cunha, no bairro do Alto.

Hoje, com o fim da greve, os profissionais agora querem negociar com as direções de suas respectivas escolas como será o processo de reposição do conteúdo que deixou de ser aplicado. Esse seria o procedimento acordando entre estado e grevistas após o fim da greve. O problema é que o Governo convocou os professores que participaram do movimento para retornar antes da data prevista para o fim do recesso escolar, que excepcionalmente aconteceu no mês de agosto em virtude dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Esse procedimento provocou reações junto à representação dos profissionais.

“Temos que lembrar que a greve terminou perto do recesso de agosto. O Governo negociou com o Sepe antes do dia 9 que a reposição seria algo discutido com os professores grevistas e que não seria algo imposto”, garante Rosangela Castro, diretora do Sepe Teresópolis. “Entretanto no dia 12, após a negociação, o Governo volta atrás e encaminha para as escolas uma Comunicação Interna dizendo que os professores grevistas deveriam retornar às unidades escolares para fazer a reposição. As pessoas foram informadas no dia 14, domingo, que deveriam retornar para as escolas no dia 15. Algumas unidades já começaram a reposição, isso foi negociado antecipadamente. Outras não, por conta da autonomia que foi delegada aos profissionais. Quem faz a reposição é o professor, que é quem sabe do conteúdo a ser reposto. Então ele tem que ser ouvido”, avalia a professora.

Rosangela Castro, coordenadora do Sepe em Teresópolis: Reposição das aulas perdidas na greve deveria acontecer entre setembro e março

Rosangela Castro, coordenadora do Sepe em Teresópolis: Reposição das aulas perdidas na greve deveria acontecer entre setembro e março

Preocupação com faltas lançadas

De acordo com a representante sindical, alguns professores convocados a retornar no dia 14 para a Escola Higino da Silveira e encontraram o prédio fechado. O assunto já foi esclarecido pela direção do colégio. “Mesmo assim a reposição nessa unidade não foi negociada, assim como no Presidente Bernardes. A nossa preocupação é que por isso os professores recebam falta. A gente tem que lembrar que o recesso foi suspenso pelo governo, que convoca apenas os profissionais grevistas. Pra nós do Sepe isso mostra que o caráter punitivo com quem fez a greve. Queremos mais democracia em algumas escolas para que os profissionais sejam ouvidos. Eles não se negam em momento algum em fazer a reposição. Foi deliberado em assembleia que isso iria acontecer de setembro até março, sem prejudicar os alunos do 3º ano. Então queremos que a reposição seja discutida, não imposta”, afirma.

O Sepe quer garantir junto ao estado que a reposição das aulas seja pautada principalmente no conteúdo. “As escolas não têm espaço físico e nem horários disponíveis no contraturno pra essa reposição. Então é importante considerar também as particularidades de cada unidade, sempre através da negociação e não da imposição. Respeitar sempre a autonomia do profissional. E essa greve só durou cinco meses por causa da intransigência do Governo do Estado que não quis negociar. Eles só chamaram o Sepe dois meses depois do início do movimento. A gente reafirma que essa greve não começou do nada e o ano anterior foi todo marcado pelas negociações. Pedimos que as direções sejam coerentes, não lancem faltas e ouçam seus profissionais que farão a reposição do conteúdo”, recomenda.

 

Deixe seu comentário

André Oliveira é comunicador e fotógrafo. Tem 20 anos de experiência no setor de comunicações, com passagens por diversos segmentos como rádio, jornal, revista e TV. É repórter e apresentador do jornal O DIÁRIO e da DIÁRIO TV.

Deixe uma resposta

Diario TV

Carregando...

Facebook

Twitter Diário TV

Assine nossa newsletter

Loading...Loading...