Estado do Rio tem 41% dos detentos em prisão provisória

Andreia Beatriz Santos: Médica atuante do sistema prisional do Estado da Bahia e docente do curso de Medicina da universidade Estadual de Feira de Santana, membro da organização panafricanista "Reaja ou será morta, reaja ou será morto"

Andreia Beatriz Santos: Médica atuante do sistema prisional do Estado da Bahia e docente do curso de Medicina da universidade Estadual de Feira de Santana, membro da organização panafricanista “Reaja ou será morta, reaja ou será morto”

– Atualmente, são mais de 50 mil pessoas encarceradas nas penitenciárias

Em 2015, o número de presos no Brasil era de mais de 600 mil, segundo o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen), publicado pelo Ministério da Justiça. Desse número, cerca de 40% estavam em situação de prisão provisória – o aprisionamento antes da sentença condenatória. No estado do Rio, atualmente, são mais de 50 mil presos, segundo os números da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), sendo 41% de presos provisórios.

Os dados foram apresentados durante o seminário “Quando a liberdade é uma exceção”, realizado nesta terça-feira (13) na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O evento é organizado pela ONG Justiça Global e pelo Mecanismo de Combate à Tortura do Estado do Rio de Janeiro (MEPCT/RJ), da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

O relatório “A situação das pessoas presas sem condenação no Rio de Janeiro” mostra o perfil dos presos sem sentença: 55% são jovens (até 29 anos) e 61% são negros. Quando finalmente são julgados, cerca de um terço desses detentos são absolvidos, ou seja, não deveriam ter ficado presos. Segundo o estudo, muitas vezes, a punição ocorre porque a pessoa não consegue comprovar renda, residência e emprego, e a informalidade vira o seu maior crime.

Para elaborar o relatório, os integrantes do Mecanismo visitaram, nos meses de março a junho deste ano, 16 unidades prisionais no estado, e acompanharam 314 audiências de custódia no Tribunal de Justiça. “É preciso pensar no impacto que uma pessoa presa gera para sua família, há o custo com roupas, produtos de higiene, colchão e o impacto psicológico, porque, muitas vezes, quem visita esse preso é uma mulher, geralmente com filhos, que têm que passar pelo processo de revista e presenciar o degradante ambiente da prisão”, disse o integrante do Mecanismo, Alexandre Campbell.

Segundo a médica que atua no sistema prisional do estado da Bahia, Dra. Andreia Beatriz Santos, o sistema prisional do Brasil tem sido mais prejudicial aos negros, que representam mais de 60% da população encarcerada, segundo o Conselho Nacional de Justiça. Andreia afirma que o crescente número de presos, em especial os negros, contribui para financiar um sistema que precisa garantir segurança, alimentação, itens de higiene para os encarcerados e pessoas trabalhando pela manutenção das penitenciárias.

“Há uma indústria por trás dessa política de aprisionamento. Essa massa negra encarcerada está sendo utilizada como combustível que abastece e mantém o mercado”, explicou a médica que é mestra em saúde coletiva na Universidade Federal da Bahia.

Deixe seu comentário

Todos os dias nas bancas, o DIÁRIO traz pra você as mais elaboradas reportagens, reclamações da população com o Diário Comunidade, as matérias policiais, políticas, cultura, esporte, entretenimento e tudo mais para manter o teresopolitano informado. Além da melhor seção de classificados da região. O DIÁRIO tem a sua trajetória inserida na história do município de Teresópolis e trabalha com profissionais especializados e graduados, sempre em busca do melhor jornalismo. Leia O Diário de Teresópolis. Nas bancas.

Deixe uma resposta

Diario TV

Carregando...

Facebook

Twitter Diário TV

Assine nossa newsletter

Loading...Loading...