Fechamento da Wilhelm Cristian Kleme pode liberar apartamentos

A travessia de centenas de veículos diariamente representaria grande risco de acidentes com vítimas fatais

A travessia de centenas de veículos diariamente representaria grande risco de acidentes com vítimas fatais

– Solução será apenas provisória, para atender famílias, mas viaduto ainda tem que ser construído

Após seis anos, muitas promessas e falácias políticas, finalmente a triste história das famílias que aguardam os apartamentos da Fazenda Ermitage para recomeçaram suas vidas pode começar a mudar. Após dezenas de reuniões, discussões e discordâncias, encontro na Agência nacional de Transportes Terrestres nesta quinta-feira chegou a uma ideia que pode garantir a liberação dos imóveis construídos pelo governo estadual com recursos do programa Minha Casa, Minha Vida. Ficou acordado entre ANTT, CRT, PMT, Secretaria de Estado de Meio Ambiente Emccamp, PRF e AVIT o fechamento da Rua Wilhelm Cristian Kleme na ligação da Ermitage com a rodovia BR-116 como medida provisória para a liberação dos apartamentos. Dessa forma, não haveria o tráfego pesado de veículos cruzando a estrada, travessia considerada extremamente perigosa e que poderia gerar mortes quase diariamente. A ideia, porém, não tiraria a responsabilidade do governo estadual de construir um viaduto no local.

Carlos Frederico Peixoto, da ANTT, foi quem propôs o fechamento total do acesso pela Rua Whilhelm Cristian Kleme como forma mais adequada, até o início das obras, para a liberação dos tão esperados apartamentos. Não obstante o fechamento, todos os demais dispositivos devem ser contemplados, considerando sinalização da rodovia e de orientação, bem como a iluminação que é um dos principais dispositivos para mitigação dos riscos envolvidos. Pela CRT, frisou-se a necessidade que esse fechamento ocorra fora da faixa de domínio da rodovia.

O Secretário Municipal de Governo, Carlos Dias, representante da Prefeitura, não se opôs ao fechamento, desde que seja com prazo definido e sem ônus para a prefeitura. Acontecendo a interrupção do tráfego no sentido Ermitage x Rio-Bahia, os moradores do condomínio que possuem veículos teriam que passar pelo Meudon para entrar e Prata para sair. A mudança afetaria também moradores da Quinta-Lebrão e Fonte Santa que rotineiramente já passam pelo cruzamento do km 80.

Carlos Dias também foi questionado quanto aos impactos financeiros no entorno, no comércio local, que possam advir do fechamento da via. Segundo a ata, o secretário informou que “a situação deverá tratada caso a caso”. Ao final da reunião foi destacado ainda a necessidade de criação de um Termo de Compromisso entre as partes interessadas de forma que a solução provisória não se torne definitiva.

“Essa foi uma ideia que se chegou para garantir que os apartamentos sejam liberados de forma mais breve, sem a necessidade de se aguardar o viaduto, mas ele ainda terá que ser construído. Queremos que essas pessoas que não estão recebem aluguel social e que há tantos anos aguardam seus imóveis sejam beneficiadas, mas não podemos esquecer que o viaduto é fundamental”, lembra Carlos André Veloso, advogado da AVIT.

O Ministério Público Federal foi convidado para tomar conhecimento das tratativas que estão sendo encaminhadas para a implantação visando a ocupação do conjunto habitacional. Os representantes do governo estadual acordaram que levarão ao Secretário de Estado do Ambiente a questão da formalização de um prazo para inicio de construção do viaduto, com solução definitiva para o local, para que seja implementada a solução provisória. AVIT e Emccamp discordaram que seja necessária divulgar data para início das obras do viaduto, que depende de recurso em torno de R$ 40 milhões, para o fechamento da via e consequente liberação dos condomínios. Na próxima terça-feira um projeto funcional provisório será apresentado para a aprovação da CRT, para posterior autorização da ANTT.

Não obstante as ações que serão advindas desse projeto, existe ainda a necessidade de finalização das obras para utilização da passagem inferior, pendentes atualmente. Segundo apurado em reunião com o MP na última terça-feira, apesar da construção de um túnel, não aconteceu a desapropriação de terreno para a saída de pedestres no lado do bairro Ermitage, ao lado de um posto de gasolina.

A espera das vítimas

Enquanto autoridades e interessados discutiam a situação dos apartamentos na última terça-feira, do lado de fora do prédio do Ministério Público várias vítimas da Tragédia de 2011 faziam uma vigília para saber o resultado do encontro. Um vídeo que circulou pelas redes sociais dava a informação equivocada de que a reunião serviria para a entrega das chaves da primeira unidade, notícia que foi desmentida por membros da Avit através das mesmas redes sociais. Membros do recém criado MVT – Movimento das Vítimas de Teresópolis – levaram faixas e queriam que um dos seus representantes participasse do encontro, situação que não foi autorizada pelos Promotores.

“Estamos aqui por causa dessa reunião com os órgãos que poderiam entregar as chaves das unidades pra gente. Queremos saber porquê não entregam”, questiona Ricardo Nunes, vítima da tragédia de 2011. “Nós fomos sorteados e enganados. Pensamos que receberíamos as chaves e que não cortariam o Aluguel Social até que isso acontecesse. Só por isso já caberia uma ação coletiva contra a Caixa”, sugere o manifestante. Ricardo revela que, sem receber o aluguel social, pessoas estão voltando para suas antigas casas em áreas de risco. “Famílias estão voltando para suas casas condenadas nos Feos e o Espanhol e estão correndo risco de novo. Quem vai se responsabilizar por mais mortes em Teresópolis?”, pergunta.

 

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Jornalista, Editor do jornal O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS, Marcello Medeiros atua na imprensa teresopolitana desde 1995. Atualmente, também assina a coluna “Mochileiro”, no próprio jornal, e apresenta programa homônimo na DIÁRIO TV.

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