Greve de servidores também vai atingir alunos das escolas municipais

Andrea Pacheco e Kátia Borges, presidente e diretora de Educação do SindPMT, preveem grande adesão de servidores na greve da categoria

Andrea Pacheco e Kátia Borges, presidente e diretora de Educação do SindPMT, preveem grande adesão de servidores na greve da categoria

– Sem verbas do Fundeb, profissionais de educação também estão com salários atrasados

A greve dos servidores convocada para a próxima sexta-feira, 11, deverá atingir em cheio os alunos que estudam nas escolas do município. Além da insatisfação geral dos funcionários públicos da Prefeitura, professores e profissionais de educação também deverão sofrer com o atraso no pagamento dos salários. Valores relacionados ao Fundeb, normalmente utilizados para quitar ordenados dessa pasta, também estariam atrasados por conta do bloqueio de contas federais provocados pelos problemas financeiros do Estado do Rio.

A greve geral dos servidores foi decidida durante a paralisação realizada pela categoria na última terça-feira, 7. Depois de cruzar os braços durante o dia, os servidores decidiram por aclamação pela greve. O movimento deverá ser mantido até que o último servidor público, da ativa ou aposentado, receba seu salário integral. “Nossa avaliação da paralisação é a melhor possível”, comemora Andrea Pacheco, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Teresópolis – SindPMT. “Até porque o atual gestor do município sempre teve fama de ditador, perseguidor e o servidor quebrou isso, perdeu o medo de ser desviado ou perseguido. A categoria se uniu e conseguimos essa paralisação de 24 horas que atingiu 30% do funcionalismo. Isso pra gente é a coroação de uma luta árdua, com mobilização geral e estamos satisfeitos”, avalia.

Kátia Borges, representante da Educação no SindPMT, prevê grande adesão de servidores da pasta por conta do atraso nos salários da categoria

Kátia Borges, representante da Educação no SindPMT, prevê grande adesão de servidores da pasta por conta do atraso nos salários da categoria

Adesão promete crescer

Segundo Andrea, a adesão à greve que se inicia na sexta-feira será ainda maior do que na paralisação. “Acreditamos que a adesão vai ser bem maior. Entendemos que mais de 50% dos servidores vão parar. As pessoas estão nos procurando, alguns que não participaram da paralisação, o pessoal das escolas. Vemos que o movimento cresceu, até porquê o servidor sabe que não há nenhuma perspectiva de receber os salários. O prefeito não dá qualquer satisfação e não procura o sindicato para se explicar. A categoria está fazendo o mesmo que fez com Arlei e Marcio Catão: vamos parar  até que o último servidor da ativa e aposentado receba seu salário”, afirma.

Apesar de ter sido decidida durante a assembleia realizada na terça-feira, a greve só começará na próxima sexta-feira, 11. Isso foi feito para que se cumpra o que determina a Lei 7783/89, chamada Lei de Greve. A categoria volta a se mobilizar em uma manifestação a partir das 9h em frente à Prefeitura. A presidente do Sindicato tranqüiliza a todos os servidores sobre o direito de participar do movimento. Segundo ela, além de assegurar esse direito, a lei coíbe que haja qualquer tipo de tentativa de coagir os servidores a não participar do movimento.  “Quero esclarecer, especialmente a alguns secretários, que é crime qualquer tentativa de coibir que o trabalhador faça greve”, avisa a servidora. “Não ameacem os servidores de dar falta. A greve é legítima, legal e acontece por falta de pagamento dos nossos salários. Não é oba-oba. Só queremos receber para colocar comida na nossa mesa e pagar as nossas contas. O servidor está protegido. Conto com todos lá e peço desculpas à população pelos transtornos que serão provocados. Esse é o nosso último recurso”, reconhece.

Educação vai parar

Dentre os transtornos previstos pela greve está o possível prejuízo ao calendário escolar do município. De acordo com Kátia Borges, diretora de Educação e Cultura do SindPMT, a preocupação de fato existe. “Logicamente temos essa preocupação com os alunos, que têm direito de ter aula. Mas nós também temos direito de receber nossos salários. Nós ainda não recebemos, até porque a verba do Fundeb ainda não entrou. Existe o restinho do calendário e o bimestre está perto de ser fechado nas escolas. Acredito que isso não vai prender alunos e professores depois do período previsto de aulas. Só não acho que vai ter especo para reposição de aulas”, calcula. Kátia também aposta da adesão dos seus colegas educadores. “O pessoal quer assumir, participar da greve conosco. Estamos sem nossos salários e benefícios. Eles têm ameaçado com a questão da falta, que não poderá ser dada. A maioria das creches fechou na terça e prevemos uma adesão muito maior na greve. O pessoal está disposto a parar e o calendário não vai ser problema”, aposta a representante dos professores.

Kátia Borges explica que o atraso atingiu também os professores por causa do bloqueio das contas do Estado do Rio, situação que impede a chegada dos recursos federais ao município. “Ainda não tivemos nem o primeiro repasse desse mês. O último que chegou era relativo a outubro. Eles já usaram para pagar setembro. A gente não tem nada do Fundeb para pagar a Folha de outubro. O Estado do Rio está com as contas bloqueadas e nosso dinheiro passa por lá antes de a ser repassado ao município. Até agora não chegou”, relata a professora.

 

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André Oliveira é comunicador e fotógrafo. Tem 20 anos de experiência no setor de comunicações, com passagens por diversos segmentos como rádio, jornal, revista e TV. É repórter e apresentador do jornal O DIÁRIO e da DIÁRIO TV.

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