Ministério da Saúde diminui número mínimo de médicos por UPA

Usuários da UPA temem que atendimento piore caso ocorra a redução de profissionais no local

Usuários da UPA temem que atendimento piore caso ocorra a redução de profissionais no local

– Medida preocupa moradores de Teresópolis, que temem piora no atendimento

O Ministério da Saúde anunciou a flexibilização de regras para o funcionamento das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Com as mudanças, O número mínimo exigido de médicos em cada unidade diminui de quatro para dois médicos em cada unidade. O gestor municipal é quem vai definir o número de profissionais na equipe. A partir do tamanho da equipe médica, será estabelecido o valor de custeio que será repassado ao município.

“Isso seria um prejuízo para qualquer cidade. Tem que aumentar” -  Ricardo Leal, eletricista

“Isso seria um prejuízo para qualquer cidade. Tem que aumentar” – Ricardo Leal, eletricista

Em Teresópolis, a UPA não funciona igual ao modelo que é seguido na grande maioria das unidades existentes no país, pois em vez de apenas servir de apoio e ser complementar ao atendimento público de saúde, ela é única porta de entrada para o atendimento de urgência e emergência. Apesar ainda não haver indicação a respeito da possível redução no número de profissionais, a preocupação é grande entre a população que depende do serviço.
“É muito preocupante, tinha é que ter mais médicos. Isso seria um prejuízo para qualquer cidade. Tem que aumentar. A gente vê que as UPA estão sempre necessitando de ajustes, melhora um pouquinho de um lado, mas piora de outro. Diminuir é desfavorável. Infelizmente a gente fica aqui refém de um pronto-socorro só, uma cidade com 200 mil habitantes”, afirmou Ricardo Leal, eletricista.
“Na verdade, em outros lugares estão passando necessidade também, se os políticos pararem de roubar, vai melhorar para a gente que necessita desse serviço. Só dois médicos para atender não tem lógica. Trouxe um rapaz aqui para ser atendido e já está há mais de duas horas, imagina diminuindo o número de médicos” disse Maike Ramos de Almeida, motorista.
Desde que foi inaugurada em 2010, a UPA passou a concentrar a maioria dos atendimentos, porém as reclamações sobre falta de médicos, equipamentos e até medicamentos sempre foram recorrentes. Recentemente, a UPA de Teresópolis passou a ser administrada por uma nova empresa, que não deu declarações sobre a situação dos atendimentos.

 

“Se os políticos pararem de roubar, vai melhorar para a gente. Só dois médicos para atender não tem lógica”, Maike Almeida, motorista

“Se os políticos pararem de roubar, vai melhorar para a gente. Só dois médicos para atender não tem lógica”, Maike Almeida, motorista

Mudanças atingem todo o país
De acordo com a avaliação do Ministério da Saúde, as novas regras devem incentivar até a conclusão de UPAs em todo o país. Dados da pasta apontam que, atualmente, 275 unidades estão em obras, enquanto 165 já foram concluídas, mas não foram abertas. O motivo seria que muitos prefeitos evitam entregar o certificado de conclusão de obra da UPA por causa da exigência de um prazo máximo de 90 dias para que a unidade comece a atender.
A expectativa do governo federal é que a capacidade de atendimento das atuais 520 UPAs praticamente dobre em todo o país, chegando a 960 unidades em funcionamento. Ainda está previsto o compartilhamento de equipamentos entre as UPAs, no intuito de otimizar a estrutura disponível no município.
Uma UPA com dois profissionais, por exemplo, receberá um incentivo financeiro para custeio de R$ 50 mil enquanto uma com nove profissionais receberá R$ 250 mil.  De acordo com o ministro da Saúde, Ricardo Barros, a medida é uma adaptação à realidade e que garantir um médico durante o dia e outro à noite evitará que UPAs fiquem fechadas.
“Estou absolutamente seguro de que estamos fazendo o melhor para a saúde”, afirmou Barros, ao destacar que as mudanças foram aprovadas na comissão tripartite, que inclui representantes das secretarias estaduais e municipais de Saúde.

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Marcus Wagner formou-se me jornalismo pela FACHA em 2009. Já trabalhou como repórter no Diário Lance e TV Esporte Interativo. Trabalhou no grupo Diário de 2010 a 2015.

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