Moradores da Posse voltam a reclamar da falta de manutenção do rio

As cabeceiras das pontes ao longo do Rio Príncipe estão assoreadas e tomadas pela vegetação, quadro que preocupa os moradores da região

As cabeceiras das pontes ao longo do Rio Príncipe estão assoreadas e tomadas pela vegetação, quadro que preocupa os moradores da região

– Curso está assoreado e tomado pela vegetação que cai das margens

Uma das regiões mais marcadas pela tragédia de janeiro de 2011, a Posse está abandonada pelas autoridades e especialmente pelo Instituto Estadual do Ambiente – Inea. Isso pelo menos é o que garantem os representantes da comunidade que formam a Associação de Moradores e Amigos da Posse. A falta de manutenção e de limpeza da calha do Rio Príncipe, que nasce no Campo Grande e deságua junto ao Paquequer, já na região da Cascata do Imbuí, é flagrante. Em praticamente toda a caixa do rio a vegetação saiu das margens se desenvolveu nos trechos assoreados. Em alguns pontos é praticamente impossível visualizar o espelho d’água.

“Nós acompanhamos isso desde 2011. Depois que organizamos a associação de moradores, temos batido sempre nessa tecla. É até repetitivo, mas continua tudo na mesma”, declara Benedito Carvalho, presidente da AMA Posse. “O rio continua desse jeito horrível e o bairro está abandonado. As ruas estão ruins, sem manutenção e a Prefeitura alega que não pode mexer porque é o Estado que vai fazer. Também estamos com problema na iluminação pública”, relaciona o representante da comunidade.

Sem respostas

De acordo com Benedito, o problema no Rio Príncipe é o mais grave. “O Inea não nos responde. Já entramos com Ação Civil Pública no Ministério Público e as respostas são sempre superficiais. Não há uma coisa definitiva sobre quando isso vai recomeçar e quando vai terminar. Enquanto isso a população segue sofrendo. A gente cobra e merece uma resposta por esse abandono que comprovamos aqui”, desabafa o presidente. “Se prestar atenção, vai ver que as galerias feitas nas pontes estão assoreadas e fechadas, com apenas metade do caminho para a água passar. Quando chover tudo o que vir de cima, madeira, folhas e pedras, vão agravar o entupimento e vamos ter enchentes nas ruas. Quem ainda vive nas margens do rio está preocupado”, relata.

Outra cobrança feita pela comunidade é em relação a promessa de melhoria de um pequeno trecho da Estrada José Gomes da Costa Júnior, a via principal de acesso à localidade. O trecho entre o antigo supermercado Flor da Posse e a Capela de São Sebastião fica intransitável durante os dias chuvosos. “A gente tinha uma promessa da Prefeitura de reurbanização desse trecho, do supermercado até a igrejinha. Agora na época de chuva aquilo vira uma buraqueira, um grande lamaçal. Nós ouvimos a promessa do secretário Teixeira (Serviços Públicos) de que ia consertar aquilo, mas até hoje não vimos nada. Nós fizemos ofícios, protocolamos na Prefeitura. Acho que merecemos uma resposta”, apela.

Outra queixa apresentada pela comunidade é em relação à falta de iluminação pública, situação que cria apreensão entre os que ainda vivem naquela região. “Nós temos esse problema de luz, na Estrada da Posse. O trecho da curva do Violão até a entrada do Clube do Lago não tem braços de luz, nada”, relata o morador José de Almeida, que ainda aguarda acordo com o Inea para deixar sua casa. “A noite fica a maior escuridão. A gente fica aqui a mercê disso tudo, sem saber o que pode acontecer, sem ver quem está andando na rua, um perigo”, admite.

 

Falta manutenção

A situação do rio também preocupa o engenheiro Luiz Garcia, que é membro da Associação de Moradores. Ele faz uma análise técnica do quadro observado no curso d’água. “O primeiro problema está nos trechos que não receberam as calhas. Isso provoca uma despadronização da seção da calha. Alguns pontos receberam a calha com colchão reno e seção trapezoidal. Em outros, a seção é retangular. Há uma desproporcionalidade das capacidades de escoamento das calhas. Não adianta ter um espaço excessivo e depois encontrar obstruções nas pontes, provocando o estrangulamento do escoamento da água”, avalia. Ainda segundo Luiz, a falta de manutenção dos órgãos competentes é outro problema flagrante. Ele também reclama da falta de comunicação das autoridades. “Recentemente encaminhamos ofício ao Inea que acabou resultando em uma reunião com o Ministério Público. Na ocasião o órgão estadual se comprometeu a responder nossos questionamentos. Porém, essa resposta foi lacônica, inclusive com encaminhamento de um documento com data anterior à reunião com o MP. Não houve cuidado nem de atualizar as informações e nem de nos comunicar os prazos, que é o que realmente nos interessa”, denuncia.

A reportagem tentou contato com o Inea através da representação local do órgão e ainda através da assessoria de imprensa do Instituto. Porém, a exemplo do que foi feito com os moradores, não houve resposta para o problema mostrado no bairro da Posse.

 

Deixe seu comentário

André Oliveira é comunicador e fotógrafo. Tem 20 anos de experiência no setor de comunicações, com passagens por diversos segmentos como rádio, jornal, revista e TV. É repórter e apresentador do jornal O DIÁRIO e da DIÁRIO TV.

Deixe uma resposta

Diario TV

Carregando...

Facebook

Twitter Diário TV

Assine nossa newsletter

Loading...Loading...