Morro dos Cabritos acessado por caminhada

Visto da Cachoeira dos Frades, Cabritos e sua face com várias vias de escalada

Visto da Cachoeira dos Frades, Cabritos e sua face com várias vias de escalada

– Montanha é conhecida pelas escaladas, mas trilha também é fantástica

Considerado um dos cartões postais do Vale dos Frades, o imponente Morro dos Cabritos é conhecido por suas grandes vias de escaladas – que trazem para Teresópolis escaladores de todo o estado. Além dessas rotas paredes acima, a montanha de 1.810 metros de altitude, que fica nos limites do Parque Estadual dos Três Picos, também pode ser acessada através de caminhada, uma trilha relativamente curta mas com grande desnível. Eu tive o prazer de conhecer esse trajeto em companhia de amigos do Centro Excursionista Teresopolitano e relato hoje essa aventura em um dos locais mais bonitos do nosso município.

CET em mais um cume: Samuel, Eu, José Henrique e Waldemiro Telles

CET em mais um cume: Samuel, Eu, José Henrique e Waldemiro Telles

Nosso guia foi o experiente Waldemiro Telles, de 68 anos, ex-Diretor de Caminhadas do CET, que aceitou meu convite para encarar essa subida. Minha ideia era repor o livro de cume da montanha: na semana anterior, eu havia escalado a via Mario Arnaud e constatei que o caderninho onde são registrados os nomes de que esteve por lá e suas impressões da escalada havia “desaparecido”. Como não queria fazer a longa escalada novamente, pensei em conhecer a caminhada e aproveitar para “cumprir essa missão”. Também toparam participar dessa José Henrique Soares, Diretor Financeiro do CET, e Samuel Silva.

Quase dois quilômetros depois da cachoeira, a vista face acessada por caminhada

Quase dois quilômetros depois da cachoeira, a vista face acessada por caminhada

Saímos da Várzea por volta das 7h50, encarando quase uma hora de viagem até o início da caminhada. Depois de sair da Teresópolis-Friburgo, são aproximadamente nove quilômetros na estrada do Vale dos Frades, com muita poeira e alguns buracos. A entrada da trilha fica em um pasto no lado da montanha, depois do sítio Canaã. A referência é uma pequena ponte de concreto onde há um sistema de captação de água na direita.

Já no começo do pasto, deve-se pegar um rio seco na direita e subir por ele até encontrar uma parede, que deve ser contornada pela direita. Depois, o caminho passa para a parte de cima dela e segue por uma laje de pedra. Dali em diante, há várias pequenas trilhas abertas por bois que podem confundir o caminhante. A dica é seguir em direção ao final da crista da montanha, na esquerda. Bem próximo a base da parede, a trilha se divide em duas: o caminho é pela direita, pois a esquerda leva a outra montanha, a Anta Maior.

Várias flores ao longo da subida, um caminho preservado na área do Parque Estadual dos Três Picos, onde está o Vale dos Frades

Várias flores ao longo da subida, um caminho preservado na área do Parque Estadual dos Três Picos, onde está o Vale dos Frades

Depois de aproximadamente uma hora, a subida é feita pela crista da montanha, ao lado de grandes blocos de pedra. Essa parte é uma das mais puxadas e onde o caminhante deve ter atenção redobrada, pois o capim deixa o íngreme caminho escorregadio. Além disso, o visual fantástico para os Três Picos, Capacete e grande parte do Vale dos Frades pode deixar a pessoa desnorteada…

Fizemos a trilha semipesada em 3h25. São apenas três quilômetros de subida, mas, como disse no início, o desnível do início para o final é muito grande e faz com que o trajeto pareça muito mais difícil do que se imagina. No “cume da caminhada”, hora de tentar chegar ao outro lado, onde terminam as vias de escalada. Depois de muita luta com uma vegetação fechada e capim de quase dois metros de altura, acabamos desistindo. Além do acesso complicado, não havia tempo suficiente para abrirmos uma pequena trilha e voltarmos antes do anoitecer. De um cume a outro, a distância é de quase um quilômetro, segundo analisamos.

De qualquer maneira, apesar de não ter conseguido concluir a “missão do livro”, valeu muito a pena conhecer mais esse acesso ao Cabritos, de onde avista-se também a Serra dos Órgãos, bem longe, e duas das Torres de Bonsucesso. Bem frente a nossa caminhada, fica o Pico Maior dos Frades, de onde descem duas nascentes. No verão, são verdadeiras cachoeiras na parede desa montanha!

 

Zé Henrique e Telles descendo do cume acessado através de caminhada semi-pesada, tendo abaixo os Frades

Zé Henrique e Telles descendo do cume acessado através de caminhada semi-pesada, tendo abaixo os Frades

As vias de escalada

Há várias vias de escalada no Morro dos Cabritos, inclusive algumas ainda sendo conquistadas. A mais conhecida e frequentada  é a Mario Arnaud. Ela é mais fácil da montanha, mas não é “de graça”. A graduação passeia entre 5º e 6º graus, com um lance de A0 (onde o escalador progride através das proteções fixas) enjoado quase no final. É empreitada para o dia inteiro – contando a volta. Os conquistadores da aresta oeste foram Mario Luiz Rodrigues Arnaud (que deu nome a via) e Oswaldo Pereira, que contaram com a ajuda de outros escaladores, não relacionados, assim como o ano da conquista, no site da Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio.

Existem outras vias mais longas e técnicas, exigindo do escalador um pouco mais de preparo. São elas a recém-conquistada “Carpinteiros do Universo” (5º VIIa E3), dos teresopolitanos Daniel Guimarães, Josemar Sechin (Mazinho) e Márcio Torres (Preá) – e que na última enfiada contaram com a ajuda de Luiz Augusto “Sucrilhos” Leonardo Dias (Popaye); “O Céu é o Limite” (7º VIIb E2), de Antonio Paulo Faria e Daniel Guimarães; “Face Norte” (7º VIIb A1 E2), de André Ilha, Flávio Wasniewski, Guilherme Conde e Paulo Chaves; e “Fenda Ardente” (4º VI), conquistada em 1994 por Marcelo Kallman e Maicon Lisboa, 1994.

O Cabritos está dentro do Parque Estadual dos Três Picos, a maior área de conservação sob responsabilidade do IEF no Estado. Para mais informações de como se chegar e caminhar ou escalar no local, visite as reuniões sociais do Centro Excursionista Teresopolitano todas as quartas-feiras, a partir das 20h, na loja da Sociedade Pró-Lactário, número 555 da Avenida Lúcio Meira, ao lado da ponte. O site do clube é o www.ceteresopolitano.org e o e-mail da coluna é o marcello@odiariodeteresopolis.com.br

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Jornalista, Editor do jornal O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS, Marcello Medeiros atua na imprensa teresopolitana desde 1995. Atualmente, também assina a coluna “Mochileiro”, no próprio jornal, e apresenta programa homônimo na DIÁRIO TV.

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