Nosso lixo pode ser extraordinário

Além da mudança no pensamento das pessoas, o filme nos leva a pensar sobre como tratamos o nosso lixo e as nossas próprias vidas.

Artigo de Marcello Medeiros

Por recomendação dos amigos Edson Carreiro e Rosa Amélia, na semana passada assisti “Lixo Extraordinário”. O documentário acompanha o trabalho do artista plástico Vik Muniz em um dos maiores aterros sanitários do mundo: O Jardim Gramacho, na periferia do Rio de Janeiro. Lá, ele fotografa um grupo de catadores de materiais recicláveis, com o objetivo inicial de retratá-los. Eles acabam inseridos na produção dos trabalhos, e, ao final, não conseguem mais imaginar suas vidas em meio aos restos. Além da mudança no pensamento das pessoas, o filme nos leva a pensar sobre como tratamos o nosso lixo e as nossas próprias vidas.

A transformação do lixão do Fischer em Aterro Sanitário já foi um grande avanço

Um grande avanço

Apesar da transformação do lixão do Fischer em Aterro Sanitário, o que já foi um grande avanço, Teresópolis ainda tem muito que mudar em relação a destinação correta dos seus detritos. Implantada na gestão de Flávio Castro na Secretaria Municipal de Meio Ambiente, a coleta seletiva foi bastante elogiada. Graças a ela, muitas pessoas, assim como em Jardim Gramacho, deixaram de revirar lixo no Fischer e passaram a trabalhar em um galpão, já com o material selecionado. Esse grupo aumento sua fonte de renda e, mais do que isso, ganhou dignidade. Hoje, porém, não sei como está a coleta seletiva. Não tenho visto mais as centrais coletoras ou anúncio de ampliação para outros bairros. Onde moro, por exemplo, a Muqui, o caminhão que busca o lixo separado de acordo com o material nunca chegou.

Alguns moradores da Tijuca e Quinta da Barra contribuem para a diminuição da qualidade de vida

Lixões clandestinos

Outro ponto a ser discutido é a criação de lixões clandestinos, assunto denunciado pelo jornal O DIÁRIO algumas vezes e que até agora a prefeitura não deu nenhuma solução. Vale da Lua, Tijuca e a própria Vila Muqui tem locais que vem sendo utilizados irregularmente para o despejo de lixo doméstico e restos de obras. Próximo às torres de televisão, um barranco está completamente tomado pelos entulhos. Como resultado, pode ceder e, junto com o barro, pedaços de telha, vasos sanitários e outros objetos, levar a vida dos moradores da comunidade abaixo.

Nosso lixo também pode ser extraordinário. E não precisamos ser nada “extraordinários”.  Basta cada um fazer sua parte. Não adianta jogar o lixo na rua, no mato ou no rio e colocar a culpa nos políticos. E não adianta os políticos colocarem a culpa na chuva e não fazerem sua parte. Vivemos a maior tragédia climática do país, que teve sua proporção aumentada por culpa do homem. Será que queremos passar por um novo “12 de janeiro”?

 

 

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Jornalista, Editor do jornal O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS, Marcello Medeiros atua na imprensa teresopolitana desde 1995. Atualmente, também assina a coluna “Mochileiro”, no próprio jornal, e apresenta programa homônimo na DIÁRIO TV.

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