“O processo de decadência da cidade já dura 28 anos”

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– Nilton Salomão e Hélio Delgado chamam atenção para a necessidade de mudança real do quadro político teresopolitano

A penúltima entrevista da série que recebe os candidatos a prefeito e vice este ano em Teresópolis aconteceu nesta quarta-feira, 21, pela manhã nos estúdios da Diário TV, Canal 4 RCA e reuniu o ex-deputado Nilton Salomão e o professor Hélio Delgado, representantes da coligação “Teresópolis no Rumo Certo”. A participação no programa Diário da Manhã foi baseada no discurso de trajetória de decadência vivido pelo município ao longo dos últimos 28 anos e como as propostas dos candidatos pode reverter esse processo de deterioração econômica e social. Além das respostas sobre os temas escolhidos pela nossa audiência: Saúde e Educação, os políticos responderam a duas questões enviadas pelas redes sociais, sobre a dívida da TerePrev e a atividade parlamentar do pleiteante ao cargo de prefeito.

Os políticos que disputam uma vaga na chefia do Poder Executivo a partir de 2017 fizeram na abertura do primeiro bloco suas apresentações pessoais e também falaram da difícil missão de pedir votos em meio a um contexto de descrença na classe política e completa indiferença da população com o processo eleitoral. Ambos possuem histórias enraizadas em nosso município e deram ênfase ao relacionamento de suas carreiras profissionais, como economiciário e professor, respectivamente para prefeito e vice, com a comunidade teresopolitana. Já sobre as ferramentas de convencimento utilizadas pela candidatura este ano, ambos destacaram a necessidade do eleitor de compartilhar a indignação presente nas comunidades com os descasos dos administradores públicos.

“Sem dúvida nenhuma está sendo muito difícil convencer as pessoas a participarem do processo eleitoral, tanto que ainda vemos um quadro de indecisos muito expressivo hoje, a pouco mais de dez dias do pleito, mas também tenho fé que isso vai mudar. Para convencer as pessoas tenho usado o discurso da necessidade de assumirmos nosso papel de senhores dos nossos destinos, afinal, se não nos posicionarmos e ajudarmos a escolher boas pessoas, estaremos facilitando muito aqueles despreparados que não querem largar os cargos. Mas o que mais chama a atenção mesmo é o fato dos eleitores estarem aproveitando nossas caminhadas para desabafarem sobre os desmandos da classe política, tenho dito que a mesma insatisfação deles é a nossa, mas precisamos mudar esse quadro ruim, a política não veio para ser um problema, mas sim a solução para nossos anseios e dificuldades”, explicou o candidato a vice Hélio Delgado.

Já Nilton Salomão salientou o fato de nossa cidade experimentar um processo de decadência que já dura quase três décadas. “Eu tenho certeza que nossa população vai lembrar dos últimos anos quantas empresas deixaram nosso município, ou simplesmente fecharam, mas pouquíssimo vão saber dizer quantas chegaram por aqui e geraram emprego e renda para nossa população. É uma trajetória de decadência e derrota para a cidade de Teresópolis que já dura 28 anos. Esse processo de deterioração da nossa economia, da nossa sociedade precisa ser contido, precisa ser interrompido, não aguentamos mais tanta incompetência. E quero salientar aqui, neste espaço de divulgação de ideias, que essas mudanças passam necessariamente por nossa juventude, que anda muito desacreditada de sua possibilidade de interferência em todo esse processo político, mas que tem todas as armas nas mãos para isso”, lembra Salomão do eleitor mais jovem, público com a maior expectativa de abstenção este ano, preocupação preconizada nas campanhas do próprio Tribunal Superior Eleitoral.

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– “É inadmissível enfrentarmos crise na Saúde com uma universidade do nível do UNIFESO”

Como de costume nossos temas foram divididos no segundo bloco tendo como referência os dois assuntos centrais escolhidos pela nossa audiência em enquetes prévias feitas através de nossa FanPage no Facebook. Saúde e Educação dominam portanto as discussões nesta etapa da entrevistas, sendo o primeiro assunto o escolhido pela dupla do REDE para tematizar a primeira indagação. Questionamos aos candidatos sobre as dificuldades de se gerir uma saúde considerada por muitos técnicos como catastrófica e repleta de vazamentos ilícitos de recursos por todos os lados, para ambos, o problema pode ser ainda mais grave do que se imagina, e uma extensa auditoria traçaria um quadro ainda mais difícil de ser revertido. Salomão disse não ser possível um município do porte de Teresópolis e com uma estrutura universitária com a excelência de ensino na área que o UNIFESO possui estar enfrentando sucessivas crises como a que vivemos desde então.

“Chega a ser inexplicável um município que possui em seu território, e com todo o interesse de ajudar, uma estrutura educacional da área da saúde como a que temos no UNIFESO não ter um atendimento a população de primeira qualidade. Em primeiro lugar, para podermos parar esse movimento catastrófico vivido pela área, é preciso para também com essa ignorante e despropositada briga político com a FESO. Isso é inadmissível, a entidade precisa ser parte importante da solução de nossos problemas na área, e não um agravante. Esse é um ponto pacífico de nosso plano de governo, buscar parcerias e pactuar descentemente com as unidades de saúde para que os serviços sejam efetivamente prestados para a população. Posso até exemplificar com os leitos de UTI ofertados hoje para nosso paciente SUS, temos 15 leitos à disposição distribuídos entre HCT e São José, mas eu nem preciso dizer que isso é muito pouco. A cidade cresceu, não há como conceber reduções em oferta de vagas ou serviços prestados na área da saúde. A gestão da UPA também é uma grande preocupação de nosso plano de governo e também temos como prioridade rever essa postura criminosa de abrir mão da gestão e gastar milhões de reais com terceirizações igualmente criminosas. Isso é incompatível com nossa realidade financeira e com a nossa demanda”, explicou em sua intervenção inicial Nilton Salomão.

Complementando o que disse o ex-deputado, Hélio Delgado confirmou que a saúde não pode ser encarada como uma fonte de corrupção como hoje percebemos. O professor ainda lembrou uma recente operação do Ministério Público e da Polícia Civil que levou para cadeia figuras conhecidas da cidade, inclusive ex-secretários e empresários, pelo envolvimento com quadrilhas que lesavam a área da saúde em diversos municípios do estado. O ‘modos operandi’ desta quadrilha, inclusive, utilizava o contrato de UPAs como o caminho de entrada de empresas intencionadas a desviarem recursos da pasta. Salomão insistiu na instauração de uma política que seja capaz de valorizar os profissionais da área e não contratações que prejudiquem ou que deixem esta classe sem os seus devidos pagamentos.

“Como disse bem o professor Hélio, a saúde não pode ser encarada como um negócio, o gestor não tem o direito de fazer isso! Quadrilhas estão se especializando em atuar no desvio de dinheiro que deveria estar sendo empregado para salvar vidas, para contratar mais médicos, para equipar novamente as nossas unidades de atendimento básico nos bairros e estamos perdendo todo esse dinheiro, que literalmente escorre nos ralos da corrupção”, disse o candidato. Salomão também lembrou que o seu plano de governo engloba uma série de ações nos bairros, com valorização das equipes que compõem os PSFs, ou postos de saúde da família. Seu vice encerrou lembrando que o médico que faz parte da máquina pública não tem o direito de estar longe do atendimento à população, fazendo uma referência aos profissionais que são cedidos a outras áreas da administração na conhecida prática do desvio de função.

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– “A Educação precisa instituir o ensino integral para evoluir”

Nosso segundo tema escolhido pela audiência foi a Educação, que segundo os candidatos do REDE tem papel fundamental naquela que eles chamam de “mudança necessária para a cidade”. Assim como Salomão, o professor Hélio Delgado considera a mudança para o regime de ensino integral pode significar um salto de qualidade muito importante para o futuro da educação na cidade. “É evidente que essa mudança precisa acontecer de forma gradual, mas será fundamental para nosso planejamento para a área. Essa mudança para o regime integral vai nos levar a ampliar os espaços, a realizarmos concurso público para professores, enfim, nos levará a uma trajetória de ampliação em toda a rede, sobretudo na capacitação dos nossos servidores, que apesar de já serem excepcionais, precisam estar concatenados com a ideia de ensino integral, que não é apenas deixar a criança o dia inteiro na escola, mas trabalhar o conceito de ensino o tempo todo, tanto formalmente, quanto com atividades culturais e lúdicas”, disse Hélio.

Salomão começou sua fala sobre o tema lembrando de uma ação do seu vice, em 1989 e que garantiu em Lei a aplicação mínima municipal na área da educação. “Não cometeria a indelicadeza de falar sobre qualidade da educação em Teresópolis aqui neste espaço e não lembrar da valiosa contribuição do nosso candidato a vice-prefeito, no final da década de 80 que tornou obrigatória a colocação de 30% do orçamento do município na área da educação. Não é porque os gestores são bonzinhos não, é porque está em Lei, e precisa ser cumprido”, disse Salomão. O professor Hélio Delgado finalizou o tema explicando que todo o programa de governo da dupla foi construído coletivamente por oito meses de trabalho e não copiado de uma cidade de outro estado: “Esse projeto que aqui estamos falando é feito por nossos quadros e pensado para Teresópolis e não copiado de Curitiba como tem candidato que fez esse ano e nem teve o cuidado de mudar o nome da cidade estrangeira para Teresópolis”, finalizou.

O terceiro e último bloco foi dedicado as respostas a dois questionamentos, um que veio da nossa FanPage no Facebook e outro enviado via WhatsApp. No primeiro, o telespectador Sérgio Santos perguntou: “Sr. Candidato, sua atuação junto a Câmara dos Deputados foi ínfima, se possível que o senhor possa transmitir a nós, eleitores, quais os seus projetos apresentados naquela oportunidade, principalmente com relação a Teresópolis. Sem contar o seu prestigio com o Detran de nossa cidade.”. Em resposta ao questionamento, Salomão elencou 33 Leis de sua autoria, com destaque para a que garante um acompanhante para pessoas internadas, as relacionadas ao diabetes e também ações do mandato parlamentar como a retirada do pedágio de três córregos e a reconstrução da escola Lions, do Meudon.

Quanto a segunda pergunta, enviada pelo Facebook, Nelson Miranda diz: “Gostaria de perguntar ao candidato Nilton Salomão: muito se fala dos aposentados da PMT e que a TerePrev não tem dinheiro, sendo que todos os meses é a mesma covardia com os aposentados, sem falar da Lei de Cargos e Salários que o atual prefeito está fazendo o que sempre fez para os aposentados, ou seja nada. O que o senhor fará se eleito para recuperar a TerePrev?”. Salomão disse que o governo Arlei Rosa cometeu um crime ao receber a instituição com um saldo de R$ 22 milhões e deixar a situação deficitária em mais de R$ 100 milhões. O candidato também lembrou da necessidade de se profissionalizar o órgão, sem a possibilidade de indicações políticas para a presidência da mesma.

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Anderson Duarte é formado em Comunicação Social com mestrado na área de Tecnologia e Informação e especialização em Telecinejornalismo, atua na imprensa desde a década de 90, ainda no Rádio. Passou por veículos como Jornais, Mídias Governamentais e Televisão, também atuou na área da Assessoria Política, editoria que hoje se dedica enquanto articulista. Âncora do telejornal Jornal Diário, comanda desde a sua formação em 2008, o jornalismo da emissora Diário TV, fruto do tradicional O DIÁRIO de Teresópolis, onde também coordena juntamente com Marcello Medeiros o departamento jornalístico.

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