Pedra da Tartaruga ganha novas opções de rapel

Carlos Machado, do Centro Excursionista Teresopolitano, estreando uma das novas linhas de descida aberta na cabeça da Pedra da Tartaruga no último fim de semana

Carlos Machado, do Centro Excursionista Teresopolitano, estreando uma das novas linhas de descida aberta na cabeça da Pedra da Tartaruga no último fim de semana

– Ampliação do número de linhas beneficia ecoturismo e conservação ambiental

Desde o último fim de semana, a Pedra da Tartaruga, símbolo do Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis, conta com mais quatro opções de rapel. As novas linhas de descida foram abertas pelo Centro Excursionista Teresopolitano, o CET, a pedido da direção da unidade de conservação ambiental. O objetivo foi ampliar as opções para os interessados nessa prática, relacionada geralmente ao ecoturismo, e contribuir para mitigar problemas ambientais. Desde as melhorias realizadas na trilha e cume dessa montanha, o número de visitantes aumentou absurdamente, gerando conflitos entre os visitantes e danos pela grande utilização de determinadas áreas.

Apesar de já utilizada para a prática de rapel há muitos anos, a área, até 06 de julho de 2009, quando foi criado o PNMMT, dividia espaço com outros tipos de frequentador além daqueles interessados em vivências em ambientes naturais. Pelo contrário. Havia muito lixo espalhado e acontecia a extração de rochas nessa montanha e arredores, como entre a Pedra do Camelo e a localidade de Córrego dos Príncipes. Com a implementação da unidade de conservação ambiental, tais atividades deixaram de acontecer. Porém, outras situações geradas nos anos seguintes acabaram fazendo com que a Pedra da Tartaruga não tivesse apenas benefícios com criação do parque. A beleza da região, o fato de não se cobrar ingresso – o que acabou pesando ainda mais se levando em conta os preços atuais no PARNASO, e a facilidade de acesso, informações que passaram a ser amplamente divulgadas nos meios de comunicação e redes sociais, passaram a levar enorme público para essa montanha. E como o plano de manejo ainda não saiu do papel, por conta da grande redução de investimentos na unidade de conservação ambiental nos últimos anos, alguns problemas começaram a ser registrados.

Resumindo, além de inventário sobre o que existe no PNMMT, tal plano indicaria “o que pode e o que não pode ser feito” no parque. Ou seja, ainda sem as regras definidas, a visitação acabou desordenada. Em um fim de semana prolongado, foram registradas 425 pessoas somente na Tartaruga. Um número absurdo, levando-se em conta que o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, por exemplo, cinco vezes maior, limita esse número a 200 – metade para os que vão acampar e a outra para os que vão ir e voltar das trilhas no mesmo dia. Entre tantos visitantes, muitas pessoas que trabalham com o ecoturismo, cobrando preços altíssimos para levar seus clientes para fazer rapel. O problema é, em muitas vezes, não tem acontecido a política da boa vizinhança. Houve um caso onde uma das agências chegou às 7h e ocupou todos os rapéis, se recusando a dividir o espaço com as que chegaram posteriormente.

Parceria em prol da Tartaruga: Direção do Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis e pessoal do Centro Excursionista Teresopolitano no final da missão de sábado

Parceria em prol da Tartaruga: Direção do Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis e pessoal do Centro Excursionista Teresopolitano no final da missão de sábado

Parcerias para resolver

Com reduzido número de funcionários, a direção do Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis buscou o voluntariado para mitigar os problemas atuais da unidade. Um desses parceiros nos últimos anos tem sido o Centro Excursionista Teresopolitano, principal clube de montanhismo do município e único filiado à Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro (Femerj).

Entre as medidas que começam a ser aplicadas, a criação de novas linhas de rapel e cadastro dos interessados em trabalhar com a prática nessa montanha. Em breve, tal utilização deverá ser agendada e o número de linhas de rapel limitado por grupo, para evitar problemas como os citados anteriormente. Além de auxiliar na criação das regras, inspiradas inclusive ao que já acontece em outros parques, ao CET coube a missão de ampliar o número de possibilidades de rapel. No último fim de semana, foram batidos mais doze grampos na “cabeça” da Tartaruga, sendo quatro paradas duplas e quatro pontos para “back up” e linha de segurança para utilização dos rapéis. Três deles ficam na parte mais alta, com lances em negativo. A saída de um deles ficou “mais ousada”, bem na beira do abismo. Por isso, é obrigatória a utilização do grampo anterior para a segurança até a chegada ao ponto do início de descida e montagem do sistema.

“Com mais essas vias de descida, vamos diminuir a carga nas áreas antigas, resolvendo até um problema ambiental nos locais que vinham sendo muito utilizados. Também temos agora mais opções para atender a essa grande demanda, totalizando nove linhas de rapel. O próximo passo é regulamentar o número de rapéis ocupados por cada grupo, agendamento e limitação do horário também”, explica Paulo Sérgio Bandeira, Chefe do PNMMT.

Leandro Nobre, Presidente do CET, destaca a participação do clube em mais um momento da história dessa região. “Frequentamos a Tartaruga e essas montanhas do entorno muito antes de o parque ser criado. Ficamos muito felizes quando veio a unidade de conservação ambiental e tristes recentemente, vendo acontecer problemas por conta da superlotação e falta de respeito de alguns visitantes. Por isso abraçamos a ideia de ajudar nessa organização, cumprindo também a nossa missão institucional”, explica Leandrinho. Outra ação que será realizada pelo Centro Excursionista Teresopolitano em breve é a melhoria do acesso à Pedra do Camelo, criando uma nova opção de lazer e promovendo, consequentemente, a redução da carga na Tartaruga. Quanto ao quelônio de pedra, também será imposta limitação na área de camping.

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Jornalista, Editor do jornal O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS, Marcello Medeiros atua na imprensa teresopolitana desde 1995. Atualmente, também assina a coluna “Mochileiro”, no próprio jornal, e apresenta programa homônimo na DIÁRIO TV.

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