Pilatos, beleza e imponência na Serra dos Órgãos

Pedras do Papudo e Sino vistas da trilha do Pilatos. Ângulos diferentes e impressionantes em todo o percurso

– Montanha de 1.969 metros de altitude fica na divisa de Teresópolis e Petrópolis, no belo Vale do Jacó

Já são 19 anos de trilhas percorridas, muitos cumes conquistados e vias de escaladas “no currículo”. Mesmo assim, ainda há várias montanhas que ainda não consegui “conquistar”. Afinal, nosso município é cercado por três unidades de conservação ambiental e há centenas de opções de lazer para quem pratica esse esporte, sem contar convidativas aventuras em toda a região. Assim, um dos cumes que acabou ficando em segundo plano na minha programação foi o Pilatos, imponente e bonita formação rochosa que se eleva a quase dois mil metros de altitude e fica na divisa de Teresópolis e Petrópolis, na área do Parnaso. Também conhecido como Serrote ou Quebra-Frascos, fica bem próximo a essa localidade teresopolitana, por onde inclusive pode ser acessada. Porém, sua trilha principal tem início na BR-495, próximo ao km 17, já na área do município vizinho.

Cores e flores: Orquídeas e diversas outras espécies são vistas ao longo de todo o percurso

E foi para lá que trilhei recentemente, acompanhado de uma turma boa do Centro Excursionista Teresopolitano, o CET, principal entidade de montanhismo do município e única filiada à Federação de Esportes de Montanha do Rio de Janeiro. Após anos admirando esse gigante de pedra de diversos bairros de Teresópolis e a partir de outros cumes, finalmente pude ingressar na tão falada trilha – tida como difícil devido a grande declividade em extensão não tão longa.
O início da caminhada é feito próximo a lavouras em uma pequena comunidade no Vale do Jacó, acessada em uma rampa ao lado de uma ponte, em trecho de curva fechada. Ali, é necessária atenção redobrada para manobrar o veículo. Falando nisso, conversando com os produtores rurais, é possível deixar o carro próximo às lavouras para se aventurar sem se preocupar com os perigos da rodovia.

 

Teresópolis vista do cume do Pilatos. Crescimento desordenado x maravilhas naturais da região

Vários cumes falsos
O começo da trilha é justamente cortando uma plantação. Em seguida, entram em cena samambaias do mato e capim melado… O caminho já fica íngreme e, se alguém não tiver passado por ali recentemente, muito provavelmente a subida ficará mais lenta devido à necessidade de utilização de um facão para abrir a passagem.
Nesse tipo de terreno e vegetação, se passa por três “falsos cumes”, topos de morro que avistados de baixo se tem a impressão que são o final da caminhada… Mera ilusão. E, no sábado, ainda tivemos outro desafio no começo da empreitada: tempo fechado e chuvisco, tendo a impressão que começaria a chover. Mas, como diz a velha máxima montanhista, “só o cume interessa”. Então, mesmo com o tempo nublado seguimos morro – ou, no caso, morros – acima.

 

Grande turma do Centro Excursionista Teresopolitano comemorou a conquista de mais um cume, agora vencendo o Pilatos

Animal de grande porte na área
Com muitas nuvens, em praticamente toda a subida vimos pouca coisa. Apenas as montanhas mais próximas na direita, no Vale do Jacó, e uma grande formação que se eleva à esquerda da trilha, a “pedra da Divisa”, que parece fazer parte do Pilatos e fica na parte mais alta da Teresópolis-Itaipava, no limite entre os dois municípios.
Mas, se por um lado ainda não era possível contemplar as belezas da nossa região de cima, por outro o clima mais ameno facilitava a subida na trilha que tem bastante inclinação. Outro ponto positivo desse caminho é a grande quantidade de flores, principalmente orquídeas.
Com quase três horas de subida, e uma parada para o lanche, chegamos à parte final e mais bonita da caminhada, a grande crista que leva até o cume do Pilatos. A vegetação rasteira, característica dos campos de altitude, aliada ao clima gelado de um dia que parecia que ficaria encoberto, nos animaram a acelerar para concluir nosso objetivo. Antes de chegar ao topo, mais uma surpresa: em vários pontos há fezes de animal de grande porte, parecendo ser de um felino. É muito bom saber que eles estão conseguindo sobreviver em uma região tão fragmentada e atacada pelo homem, pois, no caso de algumas espécies, nem uma área como a do Parque Nacional da Serra dos Órgãos é suficiente para garantir a sua existência.

 

Cume grande, visual magnífico
São aproximadamente quatro quilômetros até os 1.969 metros de altitude. De lá, nossa região se descortina de maneira maravilhosa. E demos sorte, pois o tempo começou a abrir pouco depois da conclusão da caminhada. Esse cume fica bem próximo a Quebra-Frascos, tendo à direita as montanhas mais conhecidas da Serra dos Órgãos, como as pedras do Sino e Papudo. Para quem nunca esteve por lá, como eu, ver Teresópolis de cima desse ângulo é uma grande experiência. Apesar de tanto tempo no montanhismo, cada novo cume é como fosse minha primeira vez nesse esporte. Dá para compreender o tamanho e os problemas do município, a ação antrópica x a beleza natural e única e que qualquer município gostaria de ter… É até difícil descrever tal sensação, deixando a cargo das fotografias a missão de incentivar o caminhante a conhecer o Pilatos.
Após cerca de duas horas aproveitando o local, assinamos o livro de cume e iniciamos a descida. (Tal livreto, aliás, é outro espetáculo à parte: está ali há 23 anos!!! Isso mostra o reduzido número de visitantes e que as pessoas que pisaram naquele cume são realmente montanhistas, respeitando e se preocupando com a manutenção do livro). Na volta, o tempo abriu de fez, descortinando à nossa frente o Vale do Jacó e as belezas do município vizinho… Sensacional e motivou ainda mais meu retorno ao Pilatos. Em breve, pretendo acampar por lá!
Para saber mais sobre essa e outras caminhadas, visite uma das reuniões sociais do Centro Excursionista Teresopolitano, todas as quartas-feiras, a partir das 20h, no número 555 da Avenida Lúcio Meira, na Várzea. A referência é a loja da Sociedade Pró-Lactário. Mais fotos dessa aventura podem ser vistas na página do CET na rede social Facebook.

Deixe seu comentário

Jornalista, Editor do jornal O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS, Marcello Medeiros atua na imprensa teresopolitana desde 1995. Atualmente, também assina a coluna “Mochileiro”, no próprio jornal, e apresenta programa homônimo na DIÁRIO TV.

Deixe uma resposta

Diario TV

Carregando...

Facebook

Twitter Diário TV

Assine nossa newsletter

Loading...Loading...