Prefeitura promove reformas mas não paga aluguel do Cemusa

Inaugurado em 1974, o Sase funcionou por doze anos até ser arrendado à prefeitura e ser transformado no Cemusa

Inaugurado em 1974, o Sase funcionou por doze anos até ser arrendado à prefeitura e ser transformado no Cemusa

– Entidade responsável pelo imóvel ainda não recebeu pela locação em 2016

Anunciada pelos meios oficiais e tema de campanha eleitoral, a reforma do prédio do Cemusa – Centro Municipal de Saúde – no bairro de São Pedro, promete reestruturar o antigo prédio e ampliar o atendimento que será oferecido à população. Porém, na contramão das melhorias, o Governo Municipal está inadimplente com a locação do imóvel. O prédio, que foi construído pelo Sase – Serviço de Assistência Social Evangélica – foi cedido ao município em regime de comodato, sendo repassado um valor mensal de R$ 12 mil referente ao aluguel do imóvel e da estrutura. Acontece que há 14 meses a instituição não vê um tostão desse aluguel. A falta desse dinheiro reflete diretamente no serviço social que a entidade presta em três asilos que mantém no Rio de Janeiro.

A situação de inadimplência foi confirmada exatamente quando a Prefeitura iniciou uma série de reformas no antigo prédio, que foi inaugurado em 1974 e arrendado à Prefeitura em 1986. O atual prefeito divulga em seus meios oficiais e também em sua campanha para a reeleição que vai reformular o espaço, passando a receber um serviço especializado de atendimento à criança, à mulher, além de um centro odontológico.

Procurador do Sase, Izequiel do Amaral confirma a dívida da Prefeitura com o aluguel do imóvel e que já dura 14 meses

Procurador do Sase, Izequiel do Amaral confirma a dívida da Prefeitura com o aluguel do imóvel e que já dura 14 meses

Procurador confirma

Procurador do Sase em Teresópolis, o ex-vereador Izequiel do Amaral confirma a existência da dívida. “A situação de aluguel do prédio continua em aberto. São 14 meses de atraso no aluguel. Estamos esperando uma decisão do Executivo para ver o que vamos fazer. Logo no início do atual mandato eu procurei o prefeito e fiz uma proposta. Mas ele negou, alegando que não assumiria dívidas de ‘outros’”, relata o responsável. Amaral conta que chegou a propor que a Prefeitura pagasse uma parcela atrasada juntamente com parcelas atuais, o que também não teria sido aprovado pelo gestor municipal. “Já tivemos alguns atrasos pontuais, mas nada como agora. Esses atrasos vieram desde o Governo Jorge Mário até hoje. A Prefeitura não leva em consideração o serviço que o Sase presta no país. Não temos só esse prédio. Só no Rio de Janeiro são três asilos e um caminhão de ações sociais por todo o Brasil. Esse dinheiro não é para mordomia, mas para investir, pagar compromissos e garantir os serviços prestados”, enumera.

 

O Cemusa

O prédio, com quatro andares, tem cerca de 1 mil metros quadrados de piso e, além do espaço físico, estão arrendados também à prefeitura os equipamentos do hospital Sase inaugurado em 1974 e desde 1986 arrendado à prefeitura, contrato de locação que rende à instituição de benemerência cerca de R$ 12 mil por mês. O arrendamento dos equipamentos é outra preocupação do Sase, que viu todo o patrimônio desaparecer nos últimos anos. “Entregamos o prédio à prefeitura em bom estado, bem diferente do que vemos hoje. Por exemplo, nós tínhamos aqui um laboratório zero quilômetro, com três meses de uso apenas, e não tem mais nenhuma peça. Nem o fogão industrial existe mais, e se procurarmos bem vamos ver que  a maioria das peças do hospital também não estão  mais aqui. Pelo comodato, a prefeitura tem o compromisso de manter o bem para a devolução, ao fim do contrato, e isso me preocupa também”, lembra Izequiel, que elogia o atual trabalho do Cemusa e vê que valeu a pena todo o empenho dele e daqueles que construíram e constituíram o hospital Sase, nos anos 1970. “O atendimento neste prédio continua sendo muito bom, e se não é o melhor, está entre os bons serviços de saúde prestados na cidade”, diz.

Segundo o procurador, a instituição por enquanto não pensa em cobrar judicialmente a dívida do município. “Existem pessoas que nos recomendam buscar a Justiça. Ainda não fizemos isso, apesar dos pedidos do nosso presidente nacional. Sou teresopolitano por opção, foi vereador por 12 mandatos e fiquei mais de 30 anos à serviço da cidade. Não acho que essa ação na justiça ajudaria. Essa quantia é irrisória para a Prefeitura”, garante.

A Prefeitura foi questionada através de sua Assessoria de Comunicação. Porém, não emitiu qualquer nota sobre o assunto até o fechamento dessa reportagem.

 

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André Oliveira é comunicador e fotógrafo. Tem 20 anos de experiência no setor de comunicações, com passagens por diversos segmentos como rádio, jornal, revista e TV. É repórter e apresentador do jornal O DIÁRIO e da DIÁRIO TV.

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