Quase 20 horas de tensão na Serra dos Órgãos

Após o complicado resgate, o montanhista foi levado ao quartel do 16º GBM e, posteriormente, para o HCT

Após o complicado resgate, o montanhista foi levado ao quartel do 16º GBM e, posteriormente, para o HCT

– Solo cede e causa queda de escalador em local de acesso extremamente difícil

Grande grupo envolvendo montanhistas, resgatistas e Corpo de Bombeiros ficou mobilizado por cerca de 20 horas para realizar um difícil resgate em área remota na parte alta da Serra dos Órgãos, entre o final da manhã de quarta e as primeiras horas desta quinta-feira. O escalador teresopolitano Fabrício Vieira estava a cerca de 300 metros da base da Agulha do Diabo, com a intenção de iniciar uma conquista na montanha vizinha, a São Pedro, quando o solo cedeu e ele caiu de uma altura de cerca de sete metros. O jovem terminou em um platô de pedras, batendo com as costas e ficando, por algumas horas, sem sentir as pernas.

O parceiro de Fabrício retornou até a sede do Parnaso para pedir ajuda, iniciando aí o difícil resgate do promissor escalador teresopolitano – que tem vencido difíceis e temidas vias não só na Serra dos Órgãos, mas em toda a região. Inicialmente, quatro bombeiros do 16º GBM e voluntários de grupos como o Padrão Águias e brigadistas do próprio parque subiram para o socorro. Além da longa caminhada até o local do acidente, o terreno no último trecho é bastante acidentado, íngreme e escorregadio. Dessa forma, foi necessária inclusive a fixação de chapeletas na rocha para permitir que Fabrício fosse, pode-se dizer que até milagrosamente, diante das condições da remota região, retirado do local da queda e levado até um ponto mais alto, o Mirante do Inferno.

O objetivo era que o jovem fosse resgatado nesse ponto em helicóptero do Corpo de Bombeiros. A aeronave só pôde subir do Rio de Janeiro para Teresópolis no final da tarde de quarta-feira e, por conta das condições climáticas e adversas, não foi possível realizar o socorro. Outros grupos subiram no final da noite do mesmo dia levando mantimentos e para prestar auxílio no atendimento.

O 16º GBM adiantou o serviço desta quinta-feira, para ter mais gente em campo. Nas primeiras horas da manhã, o helicóptero do Corpo de Bombeiros voltou a sobrevoar a Serra dos Órgãos, mas também não foi possível retirar o escalador do local na primeira tentativa. Com abertura de nova janela de tempo, o comandante da aeronave conseguiu chegar ao local e ficar parado no ar, bem próximo do solo, até que a maca onde Fabrício estava imobilizado fosse colocada no helicóptero. O escalador foi levado para o quartel em Pimenteiras e de lá para o Hospital das Clínicas. Fabrício teve fratura de L3 e deve passar por cirurgia na manhã desta sexta-feira.

Local muito difícil: Aeronave veio do Rio de Janeiro e só conseguiu efetuar o resgate na manhã de quinta-feira

Local muito difícil: Aeronave veio do Rio de Janeiro e só conseguiu efetuar o resgate na manhã de quinta-feira

Amigos solidários

A comunidade escaladora de Teresópolis, independente de clube ou nível de amizade e conhecimento com o jovem Fabrício, mostrou extrema solidariedade e envolvimento na tentativa de auxiliar de alguma maneira no resgate. Além dos que puderam subir para a parte alta da Serra dos Órgãos – lembrando que não basta querer ir, é preciso ter preparo e conhecimento – os que ficaram em solo tentaram acompanhar todo o processo e, sempre, oferecer algum tipo de ajuda.

Através da rede social Facebook, amigos e familiares do escalador prestaram esclarecimentos e deixaram mensagens de apoio. Montanhista experimente, o pai de Fabrício, Victor Vieira, postou o seguinte texto na manhã de ontem. “Acabo de chegar do quartel do CBMERJ, onde acompanhei o resgate do Fabricio, feito por helicóptero só hoje por volta das 8h em virtude das condições do local. Ele já está no Hospital das Clínicas de Teresopolis, fazendo os exames para os médicos avaliarem suas condições. Ele se encontra lúcido, falou conosco, sente dores na região lombar, mas está com boa sensibilidade nos membros inferiores. Vamos orar e aguardar. Agradeço a todos que se empenharam nos trabalhos de resgate, bombeiros, brigada do Parque Nacional, os inúmeros amigos da nossa comunidade de montanhistas e escaladores, Padrão Águias e o grupamento aéreo que fez o resgate no helicóptero em uma região muito difícil”.

 

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Jornalista, Editor do jornal O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS, Marcello Medeiros atua na imprensa teresopolitana desde 1995. Atualmente, também assina a coluna “Mochileiro”, no próprio jornal, e apresenta programa homônimo na DIÁRIO TV.

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