Servidor público de volta às ruas da cidade

Além de servidores da ativa, o movimento contou também com a participação de vários aposentados. Os inativos estão ficando para trás na escala de pagamentos

Além de servidores da ativa, o movimento contou também com a participação de vários aposentados. Os inativos estão ficando para trás na escala de pagamentos

– Categoria cobra pagamento de ordenado e previsão do 13º salário

A terça-feira foi movimentada nas principais ruas e avenidas do centro de Teresópolis. Servidores públicos municipais realizaram uma manifestação pública para cobrar da Prefeitura o pagamento dos salários relativos ao mês de novembro, que deveriam ser quitados até o dia 5 de dezembro, assim como uma previsão para pagamento do 13º salário. O movimento, que reuniu centenas de manifestantes, chegou até a Prefeitura. Porém, não houve sucesso na tentativa de abrir uma negociação com o Prefeito Mario Tricano.

A manifestação começou com uma concentração na Praça Olímpica Luiz de Camões. Os servidores da Prefeitura, a maioria trajando preto, chegavam pouco a pouco para engrossar o movimento. Pontualmente às 11h eles saíram e iniciaram a marcha, subindo a Calçada da Fama, tomando a Avenida Delfim Moreira e depois o Parque Regadas. A caminhada seguiu pela reta, tomando as avenidas Lúcio Meira e Feliciano Sodré até a chegada à Prefeitura. Durante o percurso os servidores carregavam faixas e cartazes cobrando o que seria deles por direito. Um carro de som ia à frente, com membros do SindPMT (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Teresópolis) puxando palavras de ordem e explicando à população sobre a gravidade do momento atravessado pela categoria.

Outra forma de interagir com a população foi através de uma ‘Carta Aberta’ distribuída durante o movimento. O documento explicava o motivo dos protestos. “Estamos recebendo nossos salários atrasados há alguns meses, completando um ano e três meses sem vale alimentação, sem plano de saúde, sem aumento. Todos direitos conquistados e já garantidos judicialmente, sem cumprimento das decisões do Tribunal de Justiça”, diz o documento, que questiona ainda o grande número de cargos nomeados pela atual gestão e a manutenção de um dito exagerado número de secretarias municipais.

Participaram do movimento servidores das mais diversas secretarias municipais. A manifestação contou também com a presença de familiares, como Dona Márcia Cristina Pfister, que é esposa de um servidor da Secretaria de Obras. “A situação tá braba! Meu marido ganha R$ 1060 e estou com duas contas de energia elétrica, total de 500 reais, para pagar. Se eu não pagar hoje, amanhã vão cortar minha luz”, revela a dona de casa, ostentando um cartaz da manifestação e os boletos da cobrança . “Não tenho escolha, ou como ou pago a conta. Tá difícil. Sem salário não tem como pagar. Meu marido tem 30 anos de prefeitura, deu sua vida pelo serviço público e hoje estamos perto de passar fome em casa”, desabafa.

O evento contou com apoio e adesão dos membros do Sindicado Estadual dos Profissionais de Educação – Sepe. A presidente da representação, Rosângela Castro, falou sobre as reivindicações. “Vivemos hoje a mesma situação do ano passado, quando havia uma crise por causa do Arlei Rosa. Agora é uma crise por conta do Governo Tricano. Ele não conseguiu honrar os compromissos prometidos antes de assumir a Prefeitura. Antes, fora do governo, a fala era uma. Depois que assume, é outra. Existe um problema de gestão, de administração e a gente não vai pagar a conta por essa crise”, garante a servidora. “Esse ano o servidor não teve reajuste salarial perdeu o plano de saúde, vale alimentação e está prestes a perder o Plano de Carreiras. O secretário Carlos Dias falou conosco, em mesa, que eles vão conseguir barrar na justiça o plano de cargos. É uma covardia com o servidor municipal, que lutou para garantir esse direito. Tudo o que a gente tem hoje é conquista de luta dos trabalhadores. Não é benfeitoria dos governos”, completa.

A categoria tinha o objetivo de ser atendida pelo Prefeito Tricano. Ofício encaminhado ao gabinete do gestor pedia reunião com a diretoria do sindicato mais uma comissão composta por representantes de diversas secretarias. Porém, como esperado, o Prefeito não recebeu o grupo. Houve uma tentativa de abordagem ao gestor no prédio anexo da Prefeitura, mas, da mesma forma, não houve conversa.

Presidente do SindPMT, Andrea Pacheco fez uma avaliação do movimento. “Eu acho que a população agora sabe o que o servidor está passando. Nós distribuímos nossa carta aberta pedindo apoio para nossa reivindicação de salário. Infelizmente nós não temos salários, nem plano de saúde e nem vale alimentação. Nós não podemos viver assim”, declara. “O prefeito fala que estamos fazendo política, não é isso. Não tenho qualquer problema político com ele. Eu ganhei a eleição no Sindicato e vou até 2020. Ele venceu a eleição do município e vai até 2020. Vamos viver esses quatro anos assim? Estou lutando pelos direitos da categoria. Sou servidora, quero receber o que é meu por direito. Eu e outras seis mil pessoas. Receba o sindicato que vai ficar mais bonito”, recomenda.

A Prefeitura não emitiu qualquer nota ou comentário sobre a manifestação dos servidores.

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André Oliveira é comunicador e fotógrafo. Tem 20 anos de experiência no setor de comunicações, com passagens por diversos segmentos como rádio, jornal, revista e TV. É repórter e apresentador do jornal O DIÁRIO e da DIÁRIO TV.

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