Servidores da Prefeitura em greve a partir de sexta-feira

Servidores se concentraram em frente à Prefeitura para protestar contra os atrasos nos salários e contra a extinção de benefícios da categoria

Servidores se concentraram em frente à Prefeitura para protestar contra os atrasos nos salários e contra a extinção de benefícios da categoria

– Decisão foi tomada durante paralisação da categoria em Teresópolis

A paralisação dos servidores da Prefeitura de Teresópolis, realizada nesta terça-feira, 8, acarretou para a decisão por greve geral a partir da próxima sexta-feira, dia 11 de novembro. Uma assembleia foi realizada durante a manifestação e a greve foi aprovada por aclamação. O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Teresópolis – SindPMT – cumpre agora itens da Lei de Greve e a categoria cruza os braços a partir desta sexta-feira. O movimento deverá ser mantido até que o último servidor, da ativa e aposentado, receba seu salário integral.

A paralisação foi decidida pelos servidores na última assembleia que a categoria realizou em sua sede, no dia 26 de outubro. Além de protestar contra os atrasos nos salários, os funcionários públicos do município brigam também pela manutenção de benefícios, como Vale Alimentação e Plano de Saúde, que o Executivo tenta extinguir através de Projeto de Lei.

A concentração dos servidores começou às 9h, quando a categoria começou a tomar o espaço na frente do palácio Teresa Christina, sede da Prefeitura. Não faltaram faixas, cartazes e apitos. Um carro de som da Nova Central veio do Rio de Janeiro para dar apoio ao evento. Por volta das 10h os manifestantes tomaram metade da pista da Avenida Feliciano Sodré. “Nós estamos mais uma vez aqui. Mais um ano em que fomos jogados para o segundo plano, desrespeitados como trabalhadores”, afirma Andrea Pacheco, presidente do SindPMT. “Agora não é diferente. Não pense o Prefeito Mario Tricano que vai fazer o que bem entender com a gente. Ele não corta os gastos na carne e só quer prejudicar o funcionário. A Prefeitura está lotada de cargos comissionados, de secretários e subsecretários, e nós hoje somos a tal ‘meia dúzia’ que ele fala por aí. Temos representantes aqui da Educação, da Saúde, dos Serviços Públicos, da Obras. Tá todo mundo aí”, garante a sindicalista. “Aqui é a nossa casa. Queremos abrir a pauta de negociação porque ele não recebe o Sindicato”, justifica.

Adesão do Sepe

Além do SindPMT, a manifestação contou também com adesão do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação – Sepe. “Nós estamos aqui porque também representamos a rede municipal de Educação e temos demandas bastante específicas da categoria”, justifica Rosangela Castro, presidente da diretoria colegiada do Sepe. “Estamos aqui principalmente para barrar a PLC 009/2016 que retira do servidor público o auxílio alimentação e o plano de saúde”, completa. Segundo a professora, a categoria cobra também o desligamento da secretária de Educação, professora Eveline Cardoso, do Governo Tricano. “A gente pede que a secretária rompa com o governo e venha para a luta conosco, como fez no ano passado. Sabemos que é uma mulher de garra, luta e coerência. Estar nesse governo Tricano, que ataca nossos direitos, não é coerente com a posição política que ela tem diante da categoria”, aponta.

O Sepe distribuiu durante a manifestação impressos onde se dirige à população e comenta a situação da categoria no atual governo, protestando contra os atrasos e escalonamento dos salários dos ativos e aposentados; atrasos na recarga do auxílio transporte; não cumprimento da data base de janeiro com o reajuste de 11,36% de acordo com a Lei do Piso Nacional; congelamento dos salários de agentes de creche e funcionários; Não publicação do documento final do Plano de Cargos, Carreiras e Remunerações (PCCR); Mudança no pagamento dos resíduos de horas extras; não realização de concurso público em 2016; Não cumprimento de 1/3 de planejamento; Falta de materiais básicos nas escolas; Falta de manutenção nas creches e escolas. “Se essa crise está chegando ao servidor, com certeza vai atingir nossos alunos e a população de modo geral”, projeta a professora Rosangela.

 

Comissão de servidores

Depois de uma manhã inteira de mobilização, com palavras de ordem, músicas e todo tipo de manifestação, os servidores criaram uma comissão para apresentar e discutir as reivindicações gerais da categoria. O grupo, formado por um representante de cada segmento do serviço público, foi até o Gabinete do Prefeito. Como o gestor do município não estava na casa, foi sugerido que o grupo fosse recebido pelo secretário de Governo e Coordenação, Carlos Dias. O grupo se negou a conversar com ele e retornou para a área externa da Prefeitura, onde foi iniciada uma assembleia. “Nós tentamos falar com o prefeito, fizemos essa paralisação com o intuito de sermos recebidos. Ele não está na Prefeitura e a comissão não quis falar com secretários. Ou somos atendidos por ele ou não tem mais conversa”, detalha Andrea Pacheco, do SindPMT. “Chega de enrolação. Descemos e ficou decidido por aclamação que vamos entrar em greve a partir de sexta-feira”, confirma. Neste dia, os servidores fazem nova mobilização em frente à sede do Executivo para marcar o início do movimento. “Farei agora as comunicações de praxe, segundo determina a Lei de Greve e vamos parar até que o último servidor ativo e aposentado receba seu salário completo. Se o Prefeito pagar como fez no mês passado, escalonando até o final do mês, famos ficar de braços cruzados até lá. Tudo vai depender dele. Estamos à disposição do servidor no Sindicato para tirar dúvidas, mas é o mesmo quadro do ano passado. Só mudou o nome do prefeito. O resto continua igual. Eles não estão pagando a Caixa, descontam do nosso salário e não pagam a nossa Associação e nem fizeram o repasse completo da contribuição sindical que é descontado no contracheque do servidor. Isso se chama apropriação indébita. Vamos denunciar isso também na Delegacia”, promete.

Câmara sem quorum

Enquanto servidores faziam sua manifestação do lado de fora da Prefeitura, a Câmara de Vereadores – que tem importante papel na aprovação da PLC 009/2016, não realizou sua sessão ordinária prevista para o dia. Isso porque seis dos doze vereadores que ainda compõem o Legislativo não compareceram à sessão. Importante destacar que todos os gazeteiros do dia não conseguiram a reeleição para seguir na Câmara no próximo quadriênio. A assistência da Câmara estava repleta de servidores públicos, especialmente da Secretaria de Educação.

Compareceram os vereadores Maurício Lopes (PHS), Antônio Francisco (PDT), Dedê Reis (PMDB), Claudio Mello (PT), Doutor Carlão (PMDB) e  Da Ponte (PSDB). Os faltosos foram Serginho Pimentel (PSDC), Habib Tauk (PDT), Anginho (PP), José Carlos Estufa (PMB), Fabinho Filé (Rede) e Luciano Ferreira (PSL). Nova sessão ordinária está prevista para acontecer nesta quinta-feira, 10.

 

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André Oliveira é comunicador e fotógrafo. Tem 20 anos de experiência no setor de comunicações, com passagens por diversos segmentos como rádio, jornal, revista e TV. É repórter e apresentador do jornal O DIÁRIO e da DIÁRIO TV.

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