Setor hoteleiro avalia turismo durante Jogos Olímpicos

Representante regional da ABIH, Fabiano Ferreira, do Urikana, lamenta o movimento abaixo das expectativas

Representante regional da ABIH, Fabiano Ferreira, do Urikana, lamenta o movimento abaixo das expectativas

– Mesmo ficando longe das expectativas, evento esportivo foi positivo

Atletas e delegações hospedadas na cidade, turistas visitando nossas atrações, cariocas fugindo do tumulto no Rio de Janeiro, hotéis e restaurantes lotados. Esse foi o cenário que preencheu as expectativas do universo ligado ao turismo de Teresópolis. As Olimpíadas passaram e o momento é de avaliar. Enquanto alguns segmentos festejam os louros do período, há quem garanta que não foi tão bom assim. Não há como afirmar que a cidade teve um ‘legado’ deixado pelos jogos, já que não houve nenhum benefício para o município por conta da passagem de delegações ou da própria Tocha Olímpica, salvo a questionável e polêmica ciclofaixa no canteiro central da Reta.

O lado positivo da história merece destaque. Afinal, além de receber nos gramados da CBF a Seleção que conquistou a primeira Medalha de Ouro para o futebol brasileiro, a cidade foi escolhida como local de aclimatação e treinamento de atletas do ciclismo da Eslovênia, Portugal e Espanha, que constantemente eram vistos pedalando pelas nossas ruas e especialmente nas rodovias ao redor da cidade. Esse grupo de atletas e dirigentes se hospedou em dois importantes hoteis da cidade, como o Alpina e o Intercity. “Para o nosso hotel foi muito bom esse período. Foi dos que tivemos as taxas de ocupação mais elevadas”, comemora Samuel Ribeiro, coordenador de atendimento do Intercity. “Tivemos uma média de 90% de ocupação durante esse período, chegando aos 100% nos finais de semana. Foi muito positivo pra a nossa unidade”, garante. Segundo Ribeiro, o hotel hospedou atletas olímpicos e ainda a equipe técnica que atuou durante o revezamento da Tocha. “Na passagem da Tocha nos recebemos toda a equipe de organização e também alguns condutores que vieram de fora. Da mesma forma, a equipe de ciclismo da Eslovênia, que passou duas semanas conosco. A imagem que eles tiveram da cidade foi muito boa, principalmente da receptividade da população. Eles foram embora com a promessa de voltar numa próxima oportunidade”, revela.

Outra unidade local que recebeu atletas foi o Hotel Alpina, que acolheu em suas instalações os ciclistas de Portugal e da Espanha. “Estiveram conosco cerca de 30 pessoas, entre atletas e equipe técnica. Além disso, no período das Olimpíadas, alcançamos 70% de ocupação durante a semana e 100% nos finais de semana, superando nossa expectativa”, avaliou o gerente do Alpina, Alex Barcelos.

Um grupo de 50 familiares dos jogadores da Seleção de Hóquei da Holanda também ficaram na cidade durante os Jogos.

Samuel Ribeiro, do Hotel Intercity, detalha que a unidade Teresópolis teve em média 90% dos leitos ocupados durante as Olimpíadas

Samuel Ribeiro, do Hotel Intercity, detalha que a unidade Teresópolis teve em média 90% dos leitos ocupados durante as Olimpíadas

Aquém das expectativas

Porém, nem tudo foram flores nesse período. Se os hoteis centrais comemoraram a vinda de delegações, organizadores e familiares, as unidades que ficam em bairros afastados ou mesmo na zona rural não colheram os mesmos frutos. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro (ABIH-RJ) nem mesmo na capital, com a fervura provocada pelos Jogos, houve lotação total de unidades. A ocupação das unidades na capital chegou aos 94% durante as Olimpíadas.

Segundo Fabiano Ferreira, representante da ABIH na nossa região, embora os números registrados tenham sido significativos, eles não corresponderam às expectativas. “Criamos uma perspectiva muito grande, esperando que o público do Rio, especialmente os moradores da capital, iriam fugir do tumulto e migrariam para a Serra. Porém isso não se concretizou, principalmente nos hoteis mais afastados”, afirma Fabiano, que é gerente da Urikana Boutique Hotel, localizado no Parque do Imbuí. “Nosso hotel é um exemplo, assim como as unidades ao longo da Teresópolis Friburgo. Nós sentimos um pouquinho, acreditávamos que a ocupação seia maior e melhor, especialmente pela junção do período de férias com as Olimpíadas. Trabalhamos muito nos finais de semana, porém não tanto quanto esperado”, revela.

Segundo os números divulgados pelo Governo do Estado, a cidade do Rio de Janeiro recebeu 1,17 milhão de turistas durante os Jogos Olímpicos, sendo que 410 mil eram estrangeiros. Estados Unidos, Argentina e Alemanha foram os países que mais mandaram turistas para o evento esportivo. Foram registrados também 760 mil visitantes brasileiros, sendo a maioria de São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. O gasto médio dos turistas estrangeiros foi de R$ 424,62, enquanto os brasileiros gastaram R$ 310,42 por dia.

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André Oliveira é comunicador e fotógrafo. Tem 20 anos de experiência no setor de comunicações, com passagens por diversos segmentos como rádio, jornal, revista e TV. É repórter e apresentador do jornal O DIÁRIO e da DIÁRIO TV.

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