Sistema de Alerta e Alarme da Defesa Civil em cheque

A Prefeitura desmente que o sistema tenha ficado inoperante e garante que os testes continuam sendo realizados sempre no dia 10 de cada mês

A Prefeitura desmente que o sistema tenha ficado inoperante e garante que os testes continuam sendo realizados sempre no dia 10 de cada mês

– Equipamentos apontados como vitais para áreas de risco não são testados desde março desse ano

Criado com o objetivo de emitir alertas e alarmes para a possibilidade de acidentes nas mais diversas encostas do município, o Sistema de Alerta e Alarmes da Defesa Civil estaria paralisado. Fontes do DIÁRIO garantem que o sistema, instalado gradativamente em diversas comunidades desde a tragédia de 2011, não receberia cuidados devidos para a sua manutenção. O último simulado teria sido realizado em março. Desde então, os equipamentos não teriam mais sido acionados.

O Sistema criado pelo Governo do Estado foi instalado em 11 bairros de Teresópolis: Santa Cecília, Fischer, Caxangá, Corta Vento, Pimentel, Rosário, Perpétuo, Vale da Revolta, Coreia, Fonte Santa Caleme, Granja Florestal e Quinta Lebrão. Também foram instalados equipamentos nas localidades de Três Córregos e Cruzeiro, no interior do município. Via de regras, esses equipamentos são testados mensalmente, sempre no dia 10, às 10h da manhã, para comprovar sua disponibilidade para períodos críticos. Os testes só não são realizados quando o tempo está chuvoso, evitando que o acionamento das sirenes cause pânico nas comunidades.

O problema é que esses equipamentos não seriam testados desde março desse ano. Relatos dão conta que parte dos aparelhos responsáveis pelo funcionamento estariam danificados. Em campo, o problema se confirma. Segundo Judas Tadeu, presidente da Associação de Moradores e Amigos do Vale da Revolta, foram encaminhadas várias reclamações à Secretaria de Estado de Defesa Civil para checar o equipamento, que foi reparado essa semana. “Aqui está parado há seis meses. Hoje (ontem) foi feito um teste para que tudo funcione no simulado do dia 10. Eu reclamei na Defesa Civil do Estado e eles vieram para ligar nosso equipamento. Pelo que estou sabendo, tá tudo parado”, denuncia o líder comunitário. “Isso é um risco, as pessoas nessa época deveriam estar fazendo alguma coisa de prevenção, levantamento de áreas de risco, todo um trabalho para evitar novas tragédias. Nós vivemos, infelizmente, ano após ano perdendo vidas. Erros provocados pela falta de projetos e prevenção nessas áreas. Estão brincando de fazer política com a Defesa Civil”, denuncia.

Onze bairros de Teresópolis, na cidade e no interior, receberam o equipamento da Defesa Civil do Estado para emitir alertas de chuvas e aviso de perigo  de deslizamentos

Onze bairros de Teresópolis, na cidade e no interior, receberam o equipamento da Defesa Civil do Estado para emitir alertas de chuvas e aviso de perigo de deslizamentos

Perigo é generalizado

Judas Tadeu lembra que a situação geográfica da cidade é o maior agravante da situação. “É uma coisa muito séria, pode ser qualquer gestor que estiver lá. Tem que ter um olhar crítico pra essas áreas, temos 68% da nossa população vivendo em locais de risco. Você não vê nada ser feito em ações de prevenção que vão evitar tragédias maiores. Só correm atrás quando temos vidas perdidas debaixo da terra. Aí dizem que a culpa é da pessoa, que morava em local de risco. Não somos culpados! Qual é a política de habitação que existe no nosso município?”, questiona o presidente, que conseguiu junto ao um correspondente Caixa da cidade a aprovação do cadastro de 40 famílias de sua comunidade para o conjunto do programa Minha Casa Minha Vida que será levantado na Granja Florestal. “Eles foram contemplados com essa pré-inscrição e agora vão levar mos documentos para a aprovação. Nós fazemos a nossa parte”, garante.

A reportagem foi à sede da Defesa Civil de Teresópolis para tentar falar com o secretário da pastal, José Ricardo Leal, que estava em compromisso externo. Por e-mail, a Defesa Civil garante que “ (…) o Sistema de Alerta e Alarme encontra-se em funcionamento. Além disso, os testes realizados mensalmente para verificação do funcionamento das sirenes têm sido feitos todo dia 10 de cada mês, com exceção do mês de junho porque naquela data estava chovendo moderadamente. A Defesa Civil ressalta que no mês de agosto foi feita tal verificação e que as sirenes estão em perfeito estado para funcionamento. A Defesa Civil informa ainda que dois dias antes da realização dos referidos testes são disparados avisos nas comunidades onde está instalado o sistema para ciência dos moradores de que tal procedimento ocorrerá”.

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André Oliveira é comunicador e fotógrafo. Tem 20 anos de experiência no setor de comunicações, com passagens por diversos segmentos como rádio, jornal, revista e TV. É repórter e apresentador do jornal O DIÁRIO e da DIÁRIO TV.

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