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Morte de Maria da Penha comove internautas

– Notícia sobre falecimento da namorada de “Burunga” tem grande repercussão

Foi sepultado no cemitério municipal Carlinda Berlim, o Caingá, na última quarta-feira, o corpo de Maria da Penha Gumier Alonso, de 73 anos. A aposentada, que morava na Barra do Imbuí, ficou conhecida na cidade depois de formar um simpático casal com José Leal, mais conhecido como

“Burunga”. Sempre com roupas diferentes, eles andavam de mãos dadas pelas ruas do Centro e não escondiam o amor de um pelo outro. O fim da bonita união em consequência do falecimento de Maria comoveu os internautas, que, através da página do jornal O DIÁRIO na rede social Facebook, deixaram de centenas de mensagens em poucas horas. Para se ter uma ideia de como a notícia mexeu com os teresopolitanos, somente até a tarde de ontem haviam sido feitos 676 compartilhamentos da reportagem, 202 comentários, 570 curtidas e 23.760 visualizações. A nota foi responsável pela maior repercussão na página no mês de setembro.

“Poxa, os dois tinham um amor tão bonito. Era um amor verdadeiro, que hoje é difícil se encontrar”, frisou a internauta Flávia no Facebook do DIÁRIO

“Poxa, os dois tinham um amor tão bonito. Era um amor verdadeiro, que hoje é difícil se encontrar”, frisou a internauta Flávia no Facebook do DIÁRIO

Comoção dos internautas

“Fiquei triste”, disse a internauta Ligia C. “Que Deus conforte o Burunga”, completou Mariana C. Muitos leitores exaltaram justamente o amor demonstrado pelo aposentado e que inspirava muitos casais na cidade: “Que triste… Ele vivia pra ela, era lindo como ele parava, abaixava e amarrava os sapatos dela no meio da rua!”, frisou Ana Paula F. ”Que triste! Deus a receba em sua misericórdia e fortaleça seu companheiro. Achava tão bonitinho ver os dois juntos!”, completou outra leitora, Regina P., tendo logo abaixo outro comentário parecido. “Uma perda triste, pois os dois formavam um belo casal. Força aí Burunga a Maria está nos braços do PAI”. “Poxa, lamento tanto! Era tão bom passar por eles! Ela tão vaidosa, provavelmente para agradar o se amor. O ‘Seu Burunga’ vai sentir tanta falta dela! E nós também, pois eles juntos, nos davam a certeza que o amor é lindo!”, destacou Marcia C. ”Lamentável! O mundo precisava de mais pessoas como eles”, reforçou Jaqueline. C.
A internauta Kamila C. também destacou a alegria de Maria da Penha em se vestir. “Fico triste, porque pra mim os dois juntos formavam um casal exemplo! Eu sei que ninguém fica pra semente mais bateu uma tristeza… E ela fala sério… Exemplo de mulher cheia de autoestima, toda trabalhada no figurino. Não era minha musa inspiradora, mas era minha inspiradora de coragem de vontade de chegar na idade dela com tanto brilho e glamour que eram só dela! Vai deixar saudades”. “Lá se foi uma figuraça, que muito admirava por sua simplicidade e humildade, era um patrimônio histórico de Teresópolis. Vai fazer falta nas ruas da cidade”, completou Franscilene N.
O casal se conheceu na Praça da Matriz sete anos atrás. Em 2011, eles foram entrevistados no programa “30 Minutos”, apresentado pelo jornalista Rolf Danziger, que destacou o Dia dos Namorados. Na matéria, eles falaram sobre a paixão na Terceira Idade e Maria da Penha enfatizou a importância que o namorado tinha na sua vida. “Ele é muito bom para mim. Faz de tudo para viver comigo. Eu sempre passo mal, sempre estou no hospital e ele sempre me leva. E em casa é a mesma coisa, é muito atencioso”, relatou Maria. “Muito obrigado pelo carinho, eu te amo muito e um abraço”, completou. Segundo familiares, nos últimos meses a aposentada passou por diversas internações devido aos problemas de saúde.

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Anderson Duarte: A liquidez dos nossos sentimentos

Violência contra o ser humano. Falta de amor ao próximo

Não são raros os comentários acerca de episódios tristes, sobretudo, no que se refere à violência contra o ser humano e o desrespeito aos princípios da humanidade, que pontuam uma chamada “falta de amor” nos corações das pessoas. Mas, será que nos falta mesmo esse tal amor? Será que este sentimento tão nobre e quase inerente ao nosso caminhar neste planeta está nos deixando aos poucos? Somos, finalmente, produtos industrializados de uma sociedade baseada no consumo e desprendida de valores afetivos? Ou estamos presenciando uma nova forma de relacionamento com esse sentimento? As respostas para esses questionamentos, por mais que possam parecer piegas, tem servido de motivação para diversas publicações no campo da ciência social. Uma delas, do sociólogo polonês Zigmunt Bauman intitulada “Amor Líquido”, tem mexido muito com minha cabeça desde que ingressei no mundo da pesquisa e pode nos ajudar muito nesta discussão sobre a fragilidade do sentimento.

Para Bauman, perdemos a capacidade de valorizar aquilo que é sólido, ou seja, as instituições constituídas através dos tempos como pilares de nossa sociedade. Como a família

Fragilidade

Pois é justamente esse o ponto de partida do raciocínio de Baumam, a fragilidade. Mas para teorizar algo tão simbólico quanto um sentimento, ou uma propriedade da nossa existência é preciso toques de genialidade, abundantes nesse “senhorzinho”, que apesar de não viajar o mundo em busca de respostas, questionou e conceituou uma realidade assustadora para nós.
Para que entendamos com clareza essa fragilidade e liquidez expostas por Baumam, precisamos recorrer ao âmago de sua metáfora social, que é essa noção de liquidez. Para o autor perdemos a capacidade de valorizar aquilo que é sólido, ou seja, as instituições constituídas através dos tempos como pilares de nossa sociedade. Exemplos como a família, o Estado e outros pontos de ancoragem nos dão a clara noção desta dicotomia entre os sólidos e a liquefação dos mesmos. Assim como a chamada “modernidade” liquefez aos poucos esses sólidos que nos norteavam, da mesma forma o fizemos com nossas relações amorosas, em diversos aspectos.
Mas é importante dizer que esse “Amor Líquido” não está somente nas relações amorosas, aliás, é preciso deixar claro que Bauman não se propõe a indicar ao leitor fórmulas de como obter sucesso nas conquistas amorosas, nem como mantê-las atraentes ao longo do tempo, muito menos como preservá-las dos possíveis, e às vezes inevitáveis, desgastes no decorrer da vida a dois.

Desvio de verbas da tragédia é falta de amor?

Falta de amor?

Talvez essa forma líquida de se amar possa, de certa forma, ampliar nossa sensação de inexistência do mesmo. Por isso, talvez seja ponto passivo no senso comum afirmar que quando vemos situações de adversidades e abusos afirme-se que a falta do amor se fez ali. Afinal não é uma falta de amor desviar verbas destinadas às vítimas de uma tragédia, não seria total ausência de amor achar que o dinheiro público lhe pertence, não se constitui um exemplo claro de falta de sentimento usar um cargo público para enriquecer ilicitamente?
Sem dúvidas essa foi a produção de Bauman que mais me deixou apreensivo, isto porque definitivamente tudo lá exposto pelo mestre é exatamente como o mundo, as pessoas, o consumo, e a vida tem se apresentado nestas últimas décadas. Aquele conhecido sentimento de que: “tudo agora faz sentido”, que você tem quando alguém te dá uma informação valiosa? Foi exatamente o senti ao ler essa obra.
Mas, como disse, o texto fala de um amor além do mundo marital ou conjugal, ele expõe a xenofobia, as mazelas do preconceito, ao desapego as instituições que fundaram nossa sociedade, e principalmente, mostra como o amor, ou a falta de, pode causar tanto estrago.

Consumimos cada vez mais rápido, fácil e descartavelmente, portanto saciamos nosso desejo tão facilmente e rapidamente, contudo por pouco tempo, afinal, precisamos consumir mais para sermos felizes.

Consumo

O ponto capital da obra, o “consumo” é talvez o principal meio de entendermos essa nova forma de se agir e pensar do ser humano. Consumimos cada vez mais rápido, fácil e descartavelmente, portanto saciamos nosso desejo tão facilmente e rapidamente, contudo por pouco tempo, afinal, precisamos consumir mais para sermos felizes. Enquanto isso, novos desejos surgem, mais necessidades são criadas, e precisamos desesperadamente consumir, consumir, consumir.
Bauman defende a ideia de que esse processo de liquefação dos laços sociais não é um desvio de rota na história da civilização ocidental, mas uma proposta contida na própria instauração da modernidade. A globalização, palavra onde estão contidos os prós e os contras da vida contemporânea e suas consequências políticas e sociais pode ser um conceito meio difuso, mas ninguém fica imune aos seus efeitos.
Mas voltando ao ponto inicial de nossa conversa, o amor entre as pessoas, podemos afirmar que nesse cenário amplamente exposto, o amor também passa a ser vivenciado de uma maneira mais insegura. Na verdade, nunca houve tanta liberdade na escolha de parceiros, nem tanta variedade de modelos de relacionamentos, e, no entanto, nunca os casais se sentiram tão ansiosos e prontos para rever, ou reverter o rumo da relação.

Insatisfeitos, mas persistentes, homens e mulheres continuam perseguindo a chance de encontrar a parceria ideal

Parceria ideal

Insatisfeitos, mas persistentes, homens e mulheres continuam perseguindo a chance de encontrar a parceria ideal, abrindo novos campos de interação. Daí a popularidade dos pontos de encontros virtuais, nestas maravilhas da interatividade onde a intimidade pode sempre escapar do risco de um comprometimento, porque nada impede o desligar-se. Para desconectar-se basta pressionar uma tecla; sem constrangimentos, sem lamúrias, e sem prejuízos. Num mundo instantâneo, é preciso estar sempre pronto para outra. Não há tempo para o adiamento, para postergar a satisfação do desejo, nem para o seu amadurecimento. É mais prudente uma sucessão de encontros excitantes com momentos doces e leves que não sejam contaminados pelo ardor da paixão, sempre disposta a enveredar por caminhos que aprisionam e ameaçam a prontidão de estar sempre disponível para novas aventuras.
Bauman mostra que estamos todos mais propensos às relações descartáveis, a encenar episódios românticos variados.

As redes sociais são ferramentas de aproximação das pessoas

Tecnologia da comunicação

A tecnologia da comunicação proporciona uma quantidade inesgotável de troca de mensagens entre os cidadãos ávidos por relacionar-se. Mas nem sempre os intercâmbios eletrônicos funcionam como um prólogo para conversas mais substanciais, quando os interlocutores estiverem frente a frente. Os habitantes circulando pelas conexões líquidas da pós-modernidade são tagarelas a distância, mas, assim que entram em casa, fecham-se em seus quartos e ligam a televisão… “a solidão por trás da porta fechada de um quarto com um telefone celular à mão pode parecer uma condição menos arriscada e mais segura do que compartilhar um terreno doméstico comum”.
Portanto, percebemos que não foi o amor que nos abandonou, não foi a insensibilidade que tomou conta da humanidade, nem mesmo a maldade nos corações que imperou, mas o mundo que mudou. Mas como sempre aconteceu na história, o poder da escolha e da mudança não nos abandonou. Podemos escolher o que queremos, podemos agir como queremos e não como convém a sociedade. Amar não precisa ser descartável, sentir não precisa ser efêmero, cuidar não é um privilégio dos apaixonados. Não deixemos liquefazer o que há de melhor em nós mesmos! Até a próxima.

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Abandono afetivo de filhos pode virar crime

Marcelo Crivella: “a pensão alimentícia não esgota os deveres dos pais em relação a seus filhos.”

– Justificativa do projeto ressalta que a pensão alimentícia não esgota os deveres dos pais em relação a seus filhos

Agência Senado) O Projeto de Lei do Senado que modifica o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para caracterizar o abandono moral dos filhos como ilícito civil e penal deve voltar a ser analisado, ainda neste semestre, em decisão terminativa, na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH). Aprovada na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), a matéria entrou na pauta da CDH  em 11 de dezembro do ano passado, mas a discussão e a votação foram adiadas para 2013.

O PLS (700/2007), do senador licenciado Marcelo Crivella (PRB-RJ), propõe a prevenção e solução de casos “intoleráveis” de negligência dos pais para com os filhos. E estabelece que o artigo 3º do Estatuto da Criança e do Adolescente, passa a vigorar acrescido do artigo 232-A, que prevê pena de detenção de um a seis meses para “quem deixar, sem justa causa, de prestar assistência moral ao filho menor de 18 anos, prejudicando-lhe o desenvolvimento psicológico e social”.

“de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.”

Pensão alimentícia não basta

Na justificação do projeto, Crivella ressalta que “a pensão alimentícia não esgota os deveres dos pais em relação a seus filhos. Os cuidados devidos às crianças e adolescentes compreendem atenção, presença e orientação.” Para o senador, reduzir essa tarefa à assistência financeira é “fazer uma leitura muito pobre” da legislação.
O texto cita o artigo 227 da Constituição, que estabelece também como dever da família resguardar a criança e o adolescente “de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.” O Código Civil é citado nos artigos em que determina que novo casamento, separação judicial e divórcio não alteram as relações entre pais e filhos, garantindo a estes o direito à companhia dos primeiros.

 “condutas inaceitáveis à luz do ordenamento jurídico”

Negligência

Além do amparo na legislação, a proposta é baseada em decisões judiciais que consideraram a negligência dos pais, “condutas inaceitáveis à luz do ordenamento jurídico”. O texto faz referência ao caso julgado, em 2006, na 1ª Vara Cível de São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro, em que um pai foi condenado a indenizar seu filho, um adolescente de treze anos, por abandono moral.
Mais recentemente, em maio de 2012, outro caso chamou a atenção. Em decisão inédita, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) obrigou um pai a pagar R$ 200 mil para a filha por abandono afetivo. No entendimento da ministra Nancy Andrighi, “amar é faculdade, cuidar é dever”.

 

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