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“Partido político é lugar de vagabundo e corrupto”

“Não deveríamos crucificar as legendas partidárias como se simplesmente fossem fábricas intencionadas em alastrar a política mesquinha e oportunista”

Artigo de Anderson Duarte

 

Não há possibilidade de mudanças efetivas em nossa pátria sem a devida organização e envolvimento das pessoas de bem no processo político-partidário. Brasil campeão no futebol, passagens mais “baratas” pelas principais cidades e projetos relevantes sendo acelerados nas casas legislativas para conter o ímpeto popular, tudo pode até parecer um progresso, mas na verdade é mesmo um grande engodo, principalmente se partimos da premissa de que não precisamos de alterações pontuais, mas sim de novas práticas e condutas.

Na semana passada tive a oportunidade de abordar esse tema e já dizia que a exclusão dos partidos políticos de toda essa mobilização social constituía em si um grande equívoco. Não deveríamos crucificar as legendas partidárias como se simplesmente fossem fábricas intencionadas em alastrar a política mesquinha e oportunista, mas arregaçarmos as mangas e contribuirmos para que esses importantes instrumentos democráticos sejam efetivamente filtradores e propagadores de ideais e programas.

“E de quem é a culpa de tudo isso?”

Mudança

Se não está funcionado hoje, será que poderíamos contribuir de alguma forma para que seja eficaz? O meu envolvimento partidário poderia influenciar positivamente essa legenda? Como posso participar dessa mudança? Essas deveriam ser as questões levantadas hoje pela massa jovem que quer mudar. Senhores, sejamos práticos em nosso questionamento: existe possibilidade de mudar algo efetivamente em nosso país sem a mudança da classe política? Essa mudança se dá por golpe ou extinção dos partidos? É evidente que não!

Vamos a um exercício simples de raciocínio: os estádios da Copa estão superfaturados não? O transporte público é caro, demorado e ineficiente certo? A saúde e a educação estão longe de serem os ideais para nossa nação correto? E de quem é a culpa de tudo isso? Dos empresários que ganham e lucram com a desorganização do Estado ou do próprio sistema que tautologicamente é incapaz de se organizar por ser essencialmente nesse caos administrativo sua principal fonte de corrupção e desvios? Simples não! E como mudamos efetivamente esse quadro? Simples também, votando de forma eficiente e responsável.

“Não temos candidatos sérios, vou votar em quem?”

Quadro atual

Mas aí vão me perguntar: “Anderson, não temos candidatos sérios, vou votar em quem?” Absolutamente correto, principalmente se levarmos em consideração o quadro eleitoral em nosso município atualmente! Triste, desolador e sem nenhuma perspectiva. Vamos ao que temos para o momento, para o próximo pleito no ano que vem:

Um ex-prefeito em franca campanha para voltar ao poder, usando e abusando de seus veículos de comunicação – todos englobados ao seu patrimônio durante mandato – e que surge com as respostas e soluções para todo e qualquer problema administrativo, com o agravante curioso de nunca ter colocado em prática enquanto lá esteve.

Um deputado que prestes a completar vinte anos de vida pública deixa como legado, absolutamente nada de concreto que beneficiasse a sociedade teresopolitana, triste inclusive se levarmos em consideração que tanto tempo recebendo dinheiro público e controlando órgãos públicos não foram suficientes para que uma única ação pudesse ser apontada pela população ao longo desses sofríveis anos.

Um ou outro secretário do atual governo – “interino” ainda por não ter sido representativamente escolhido pela população teresopolitana – e que considera que pode se lançar como nome ao parlamento e aquelas velhas figurinhas que se espalham pelos bairros com músicas de campanha com gosto duvidoso e completamente vazios de propostas e projetos para nossa região. Por essas e outras seguimos sem nenhum tipo de representatividade no Legislativo, nenhum mesmo!

“A nossa participação efetiva na política e em sua rotina precisa surgir como misto de ideologia e pragmatismo”

Por que não você?

Aproveitando esse quadro respondo ao questionamento sobre em quem votar: e por que não você? Sim! A nossa participação efetiva na política e em sua rotina precisa surgir como misto de ideologia e pragmatismo. Aquilo que nos incomoda precisa servir para encontrarmos soluções! Chega de políticos de carreira, chega de profissionais de campanha, estamos fartos de homens públicos com compromissos privados e servindo apenas aos interesses alheios aos anseios da população.

Essas são todas indignações comuns entre a sociedade teresopolitana e que tem em comum um fato levantado por mim no início desse texto: como vamos mudar esse quadro sem os partidos políticos fortalecidos e compostos por pessoas de bem? Quem decide quem se candidata ou não são as convenções partidárias, se nelas os critérios de escolha baseados em propostas, vida pregressa e outros itens qualitativos já estiverem contemplados, temos aí um começo de mudança da conduta política.

Participe, viva a política e não adote o discurso irresponsável do afastamento por indiferença. Quando te disserem que política não se discute e que partido político é lugar de vagabundo lembre-se de que no estado democrático de direito é no voto, e exclusivamente nele, que se solidificam as mudanças na administração pública. Ao invés de cobrar soluções de quem não tem condições de entender a administração de uma cidade, vamos escolher quem possa ter essa capacidade. E no mais! Político cansado precisa descansar em casa, vamos ajudar a classe desprezando eles nas urnas. Até a próxima.

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“Manifestação não tinha dono e não sou candidato a nada”

A figura de Azra durante a manifestação serviu como referência do evento, tanto para quem cobria pela imprensa, quanto para quem seguia os manifestantes. Mas essa referência incomodou alguns internautas

Estudante Azra Vieira se defende de acusações em vídeo
– Redes Sociais propagaram críticas ao movimento da semana passada, entre elas, o envolvimento com partidos políticos

 

Alvo de muitas críticas por parte de internautas, o estudante Azra Vieira, 22, um dos organizadores da manifestação do último dia 27, publicou um vídeo onde se defende de acusações de envolvimento político-partidário e também autopromoção durante o evento. Azra criticou os que não participaram ou não entenderam a mobilização social e afirmou não ter pretensões eleitorais, nem envolvimentos com grupos políticos da cidade. O estudante ainda disse que uma possível negociação com a prefeitura seria irresponsável.
Acusado de não ter vínculos com a cidade e nem mesmo ser morador do município, Azra foi duramente atacado por alguns integrantes de grupos fechados nas redes sociais pela superexposição dada pelo evento e também por algumas condutas durante a manifestação. O estudante de Direito confirmou o fato de não morar mais na cidade, mas criticou o oportunismo de algumas dessas pessoas. “Moro no Rio de Janeiro desde o início deste ano, onde curso a Faculdade de Direito e trabalho no ramo do entretenimento e comercio exterior. Entretanto tenho fortes vínculos com a cidade de Teresópolis onde, por exemplo, fui vitimado durante a tragédia de 2011, quando minha família perdeu absolutamente tudo. Mesmo assim ainda duvidam do meu envolvimento com a cidade. Gostaria, através desse vídeo, de esclarecer tudo o que aconteceu em relação ao manifesto popular de 27 de junho. Todas as críticas em relação ao movimento e ao meu possível envolvimento com atividades paralelas a esta organização são lamentáveis e sinto muito que pessoas que estavam juntas ou não, mas que não entenderam o propósito, tenham agido dessa forma”, disse Azra no início do vídeo.

Em todo o Brasil, os manifestantes pregavam contra os partidos políticos

Partidos políticos

Uma das críticas mais contundentes contra o estudante seria o seu envolvimento com partidos políticos e grupos políticos da cidade. Azra negou e esclareceu: “De 2010 a 2011 fui filiado ao PSD para ajudar o atual vice-prefeito, Márcio Catão, em sua possível candidatura para prefeito. Depois da notícia de sua coligação com Arlei, imediatamente lancei minha desfiliação e até hoje não faço parte de partido algum. O objetivo do manifesto foi simples e tudo começou através de um menino de 14 anos chamado Pedro Marin, que começou com um evento convidando as pessoas através do Facebook para irem às ruas e entregarem flores aos cidadãos teresopolitanos, em nome do amor a nossa cidade. Nós entramos em contato com ele para ajudar na organização, afinal, infelizmente em Teresópolis não temos o costume de nos organizarmos e promovermos esse tipo de mobilizações e contribuímos para o êxito do evento. E também recebemos muitas queixas das pessoas que participaram do evento no dia 20, que reclamaram da insegurança e falta de foco do evento. Toda a cidade ficou apreensiva, tanto que subiram mais de 100 homens da PM, a serra foi fechada por denúncias de ônibus de vândalos subindo, comércio fechado horas antes do protesto, inclusive com tapumes e todos esses tipos de anteparos, enfim, tudo isso os levou a buscar a organização com a promoção da segurança das pessoas, além do fato de alcançarmos o sucesso com um único grito e objetivo”, explicou Azra.
O estudante ainda salientou o fato de escolherem o transporte público como foco do manifesto: “Nosso objetivo central sempre foi Teresópolis, mas entediamos que a manifestação precisaria de foco, por isso escolhemos o transporte público. Entendemos que cinco mil pessoas com diversos gritos não seria tão eficiente quanto um grito único um foco único”, disse.

“A prefeitura deu um passo positivo ao receber o grupo, mas não fez nada demais, apenas sua obrigação. Entregamos ao governo exigências, não fomos pedir nem negociar, fomos exigir”

Sem autopromoção eleitoral

Quanto ao seu possível interesse de autopromoção eleitoral, Azra negou veementemente e garantiu ser, inclusive, contrário ao sistema político em vigência em nosso país. “Eu não sou pré-candidato, inclusive nem acredito na política como funciona hoje! Não serei candidato nas próximas eleições nem apoiarei ninguém”, disse. Quanto ao fato do carro que serviu para guiar a passeata e o sistema de som terem sido usados pelos críticos como forma de ostentação de poder econômico, dando a entender que o movimento teria sido financiado por alguém, Azra respondeu: “O carro de som foi uma solicitação das próprias entidades de segurança do município. O carro era de uma pessoa da organização e o som, improvisado em uma lata de lixo, foi cedido para o vento sem custos. a necessidade do posicionamento em cima do carro se deu pela indicação das autoridades que solicitaram a detecção de possíveis vândalos infiltrados no grupo. Foram destacadas 50 pessoas com coletes verdes para o apoio do cordão de isolamento, que funcionou muito bem. De cima do carro eu podia ter uma visão ampla do grupo e também puxar os gritos de mobilização. Quanto ao dinheiro usado durante a organização, não considero que vem ao caso, mas como foi citado vamos explicar. Todo ele saiu do bolso da própria organização que custeou o que podia, tinta, colete, apitos narizes de palhaço, cartolinas, demonstrando assim a união das pessoas envolvidas, maior que os egos envolvidos”, enalteceu.

Muitas vítimas da tragédia de 2011 foram para as ruas gritar pelas casas populares prometidas

Vitima da tragédia de 2011

“Minhas motivações são simples: fui vitima da tragédia de 2011 quando perdi tudo, mas hoje tenho teto, independente do governo, tenho plano de saúde, não dependo do SUS, possuo casa, minha faculdade é particular, tenho carro, não ando de ônibus, ainda assim minhas razões para ir à rua, estão baseadas no coletivo. Não sou socialista, mas sou a favor do social”, disse.
“A prefeitura deu um passo positivo ao receber o grupo, mas não fez nada demais, apenas sua obrigação. Entregamos ao governo e as autoridades, uma pauta de exigências, não fomos pedir nem negociar, fomos exigir! A primeira exigência era justamente a suspensão imediata do aumento da tarifa de ônibus, a marcação da data da audiência pública, única que foi exitosa, a adoção do bilhete único com integração do transporte público da cidade, a criação de uma entidade fiscalizadora do transporte público, a aplicação da MP que reduzia a tarifa, e a redução do ISS”, explicou Azra.
“Entendemos que para um país melhor é preciso uma cidade melhor, por isso convocamos uma Assembleia pública, onde as necessidades sejam colocadas pela população e assim não possa ser identificada, ou seja, sem ter cara ou dono. Como manifestante a minha luta não vai parar por que a b ou c não gostaram da organização, continuo na luta”, finalizou Azra.

 

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