Tag Arquivo | "escalada"

Lilia Montanha, a primeira dama do Dedo de Deus

O grande grupo que participou do feito em 1949, guiado por Miguel Inácio. Lilia é a menina da direita

O grande grupo que participou do feito em 1949, guiado por Miguel Inácio. Lilia é a menina da direita

– Primeira escalada de uma teresopolitana no símbolo do montanhismo nacional completa 66 anos

Nesta sexta-feira, 17, a primeira escalada de uma teresopolitana na montanha mais importante e famosa do país completou 66 anos. Em bonito dia de 1949, a menina Lília Montanha, de 15 anos, chegava ao topo do Dedo de Deus, entrando para a história do esporte que tem como marco inicial justamente a conquista dessa formação rochosa – ainda hoje tida como desafiadora ou impossível por muitas pessoas. E se atualmente, com toda a informação e recursos disponíveis, ainda tem gente que acha que não é possível pisar naquele cume, dirá mais de seis décadas atrás. “Sempre gostei muito de esporte, mas também achava impossível. Porém, sempre fui teimosa e persistente e, aos trancos e barrancos, chegamos lá. E foi uma escalada maravilhosa, apesar de difícil. Não tínhamos a mordomia de hoje, o material de hoje, era tudo muito pesado… Tinha que ter muito amor ao esporte”, relatou Lília ao jornal O DIÁRIO e DIÁRIO TV, lembrando que o sobrenome não é real e não herança do feito da juventude. “É Montanha mesmo, não adotei porque sou a primeira teresopolitana a pisar no Dedo de Deus”, completa.

Na decoração da residência de Lilia, diversas fotografias da "sua montanha", além de homenagens pelo feito

Na decoração da residência de Lilia, diversas fotografias da “sua montanha”, além de homenagens pelo feito

A escalada de Lilia aconteceu 16 anos após a carioca Luiza Caracciolo, primeira mulher a realizar o feito, aos 19 anos, em 1933. Escondida da mãe, ela participou da aventura ao lado de Geny Cardoso, Ilka Montanha e os meninos Renato Nogueira Marques, Carlos Simão Arbex, Kival Simão Arbex, Haroldo Falcão, Theodoro Silva, Abdux Arbex, Edmundo Montanha, Julio Américo de Oliveira e Adilson Falcão da Graça. Eles foram levados pelos montanhistas Paim e Miguel Inácio Jorge. “Minha mãe achava que era perigoso demais, mas eu queria e fui incentivada pelo meu irmão, Edmundo. Não queria mais ficar fazendo só caminhada, queria escalar o Dedo de Deus e das três meninas era a mais nova e fui a primeira menina a pisar naquele cume maravilhoso”, conta.

O que a jovem de apenas 15 anos fez foi um marco na cidade. Mas, sua paixão pelas belezas da Serra dos Órgãos começou bem antes: Com menos de dez anos já subia a Pedra do Sino, iniciando-se na escalada por outra muita bastante famosa – a Verruga do Frade, onde esteve muitas vezes depois, também acompanhada de Miguel Inácio Jorge, um dos conquistadores dessa formação rochosa e que ficou conhecido como “Senhor da Torre”, por fazer a manutenção, por décadas, da Matriz de Santa Teresa.

Em outubro de 1966, um acidente de carro na estrada Rio-Teresópolis tirou Lilia das montanhas. Paralítica por um longo tempo, recuperou os movimentos e, mesmo de bengala, ela retomou suas caminhadas pelo centro, prova de que o exercício, além de fazer bem para a mente, é essencial para o corpo. A tristeza, somente, por não poder mais se aventurar na Serra dos Órgãos. Ainda assim, mantém sua paixão pelas montanhas. “Tudo na minha casa lembra o Dedo de Deus. Hoje, fechos os olhos e me imagino naquele cume. Tem dia que nem posso o vídeo que fizeram sobre a conquista, pois o coração aperta de saudade”, relata, emocionada.

Na entrevista desta sexta-feira, Lilia deixou uma mensagem de incentivo aos jovens. “Que vão, que conheçam, que tenham histórias para contar no futuro… É maravilhoso”. Ela também falou sobre um ato criminoso praticado recentemente contra a “sua montanha”, as pichações ao longo da escalada da Face Leste. “Eu peço que não façam uma crueldade dessas, que respeitem a cidade, quem gosta da natureza, daquela beleza… É um símbolo, o respeitem”, enfatizou.

 

Pichações

Em abril passado, quando a conquista do Dedo de Deus completou 103 anos, a comunidade escaladora não teve só motivos para comemorar o feito de José Teixeira Guimarães, Raul Carneiro e os irmãos Oliveira em 1912. Na semana de lembrar a escalada que marcou o início da prática desse esporte no país, foi constatada a presença de outro tipo de pessoa na montanha mais famosa do Brasil. Criminosos armados com latas de spray deixaram suas marcas em diversos pontos de uma das vias de subida, a Leste, situação que ganhou repercussão em vários sites e através das redes sociais. Após a publicação de reportagem sobre o assunto pelo jornal O DIÁRIO, que divulgou fotografias feitas por um montanhista no trecho até o Polegar, chegaram à redação novas e tristes imagens de marcas pontos mais acima.

São pichações aparentemente feitas pelo mesmo vândalo, visto que um dos nomes se repete, além de terem sido citados outros dois bandidos, outro homem e uma mulher. Tais marcas estão próximas ao ponto onde duas rotas de subida são possíveis pela Face Leste, chaminé Black-Out e Maria Cebola.  “Estamos fazendo contatos para tentar identificar esses pichadores, entre eles uma pessoa que pode ajudar bastante a identificar o infrator”, explica o Analista Ambiental Gabriel Cattan, responsável pelo setor de montanhismo do Parque Nacional da Serra dos Órgãos.

Para evitar que esse crime continue acontecendo, o Parque Nacional da Serra dos Órgãos conta com a ajuda dos visitantes realmente interessados em aproveitar o que esses locais têm de melhor a oferecer. “É muito difícil fazer esse flagrante. Então, pedimos a colaboração de todos os usuários das montanhas, não só o Dedo, que caso identifiquem alguma atitude suspeita entrem em contato imediatamente com o parque, para que tenhamos uma ação mais efetiva. A extensão do parque é gigantesca e infelizmente esses atos são muito comuns, seja na cidade, seja na montanha. Se alguém cruzar com suspeitos ou ver alguma coisa, pode ligar para o telefone da portaria (2152-1134)”, informa Gabriel.

Postado em Banner principal, CapaComentário (0)

Aposentado de 70 anos escala o Dedo de Deus

Kleber sentado no cume da montanha, com a placa em homenagem aos conquistadores no fundo

Kleber sentado no cume da montanha, com a placa em homenagem aos conquistadores no fundo

– Exemplo de disposição e busca pela realização de sonhos na Terceira Idade

 

Uma das mais bonitas e importantes montanhas do país, o Dedo de Deus foi conquistado em 8 de abril de 1912. O feito de um grupo de Teresópolis, que mostrou que era possível “vencer o invencível” – pois europeus haviam tentado antes e dito que ninguém conseguiria porque eles haviam sido derrotados pela formação rochosa, é considerado o marco do início da prática desse esporte no Brasil. Mas, quase 103 anos depois, ainda há muita gente que acredita ser impossível chegar aquele topo, a quase 1.700 metros de altitude. E o que você acharia de encarar a trilha íngreme, os desgastantes lances de cabos de aço, as fendas apertadas e lances expostos aos 70 anos de idade? Assim como os alemães, diria que é impossível? Ou faria como José Teixeira Guimarães, o desbravador que liderou a conquista do Dedo de Deus? O aposentado Kleber Pereira Martins, que completa 71 anos no próximo dia 19, seguiu o segundo exemplo e, como um bom representante da Terceira Idade, pisou naquele cume no último dia 6.

“Eu sempre tive vontade de escalar o Dedo, desde criança, mas comecei a me interessar por montanhismo mesmo a partir de uma caminhada que fiz até a Pedra do Sino, em 2012, com um grupo da melhor idade. De lá para cá comecei a me enturmar com o Telles (experiente montanhista local, também setentão) e fazer caminhadas de longa distância para ficar condicionado. Fiz Torres de Bonsucesso, Travessia Petrópolis x Teresópolis, Cabeça de Peixe, Escalavrado, Polegar e várias outras até chegar a essa montanha”, relatou Kleber, em entrevista ao jornal O DIÁRIO e DIÁRIO TV na manhã desta sexta-feira.

Após 50 minutos de caminhada, começam os lances em cabos de aço - muito cansativos e exigentes

Após 50 minutos de caminhada, começam os lances em cabos de aço – muito cansativos e exigentes

A via escolhida foi a “Black-Out”, uma variante da Face Leste da montanha, conhecida por outro acesso bastante exposto, a “Maria Cebola”. Mas, antes de começar a escalada propriamente dita, é preciso passar por uma caminhada em trilha com grande inclinação, de cerca de 50 minutos, e vários lances com cabos de aço fixados à rocha, em pontos rochosos e escorregadios, onde não é possível escalar. As rotas da Leste foram desbravadas na década de 60 e são as mais procuradas pelos escaladores. Se começa por um trepa-pedra, passando por uma parte mais exposta à altitude e em seguida as apertadas chaminés. O último lance é onde está a escadinha de ferro, instalada na década de 30 (não a atual, que é de 2000) e que substituiu o tronco de madeira utilizado pelos conquistadores em 1912. Poucos metros após os últimos degraus, está o cume cobiçado por escaladores de todo o Brasil e que atrai também gente de várias partes do Mundo.

“Foi tão emocionante pisar lá que não conseguia falar nada. A minha vontade naquele momento era chorar, mas para não pagar mico diante dos meus companheiros me contive. Comemorei, os abracei, uma comemoração comedida, mas por dentro estava emocionado demais. Falei para mim mesmo que quando se tem o sonho de fazer alguma coisa a primeira coisa a se dizer é que é possível. Por isso digo que não é a idade, é a vontade de fazer isso, desde que se esteja condicionado a fazer isso e acompanhado de pessoas que lhe deem um bom suporte”, atenta o representante da Terceira Idade.

 

O cume está perto: Kleber sinaliza positivamente na famosa escadinha de ferro. Na época da conquista, havia um tronco nesse local

O cume está perto: Kleber sinaliza positivamente na famosa escadinha de ferro. Na época da conquista, havia um tronco nesse local

Muita disposição e boas amizades

Mesmo com pouca experiência no montanhismo, Kleber já pratica exercício físico há bastante tempo. Quase que diariamente, caminha do Golf até a Curva da Ferradura, no quilômetro 14 da Estrada Teresópolis-Itaipava, a BR-495. Além disso, faz musculação e evita andar de ônibus ou carro. “Também me preparo psicologicamente, fazendo meditação e uma série de coisas. Para realizar conquista como essa, é importante estar bem física e mentalmente”, conta.

E além do condicionamento físico que lhe permitiu escalar o Dedo de Deus em tempo dentro da média de escaladores bem mais novos, o apoio de amigos foi fundamental. Kleber foi levado até a montanha pela dupla Wagner Zoega, 36, e Jorge Moreira, de 51 anos. “Eu o conheci na Pedra da Cuca, em Petrópolis, e de lá para cá vinha o observando e percebendo que tinha condições físicas de ir muito além da caminhada. Comecei o levando no Escalavrado, Cabeça de Peixe e outras montanhas mais fortes. Fui observando, vendo a reação dele, a preparação física, e prometi que o levaria ao Dedo de Deus. E foi muito bem, melhor que muito garotão aí”, lembra Jorge, que convidou Zoega para participar da aventura e conduzir Kleber com segurança.

Orgulho do país e de si mesmo. Kleber e o amigo Jorge Moreira no cume da montanha mais famosa do Brasil

Orgulho do país e de si mesmo. Kleber e o amigo Jorge Moreira no cume da montanha mais famosa do Brasil

“Tem gente que acha que com essa idade não vai conseguir. Mas não é impossível, a pessoa tem que se preparar para isso. Foi um prazer enorme ajudar a realizar o sonho de uma pessoa como ele. Fizemos a Black-Out, uma via que eu mesmo nunca tinha feito, e o Kleber foi tranquilo, fez todos os lances, inclusive os cabos de aço, bem mesmo. Isso contando ainda que havia chovido um dia antes e a chaminé estava um pouco molhada, mas ele foi tranquilo como uma criança”, completa Wagner.

A entrevista foi realizada no mirante do Soberbo, com o Dedo de Deus ao fundo. Olhando para a montanha e feliz com o sonho realizado, Kleber deixou uma mensagem para aqueles que não acreditam em si mesmos. “Mesmo na Terceira Idade não é impossível. Se eu consegui, é possível conseguir. Basta a pessoa se condicionar e procurar fazer o esporte da maneira correta, com pessoas que entendam do assunto”, enfatizou o montanhista, que pretende continuar fazendo trilhas e vias de escalada por muito tempo.

 

 

Postado em Capa, CidadeComentário (0)

Há 65 anos, teresopolitana vencia o Dedo de Deus

– Lilia foi a primeira local a escalar a montanha mais importante do país

Lilia mostra a foto com o grupo que fez a escalada, em 17 de julho de 1949. O lance registrado é o último antes do topo da montanha

Lilia mostra a foto com o grupo que fez a escalada, em 17 de julho de 1949. O lance registrado é o último antes do topo da montanha

Há exatamente 65 anos, uma jovem de apenas 15 anos escreveria seu nome na história do montanhismo teresopolitano. Acompanhada de irmãos e amigos, a adolescente Lilia enfrentou a trilha íngreme, os lajedos escorregadios e as fendas expostas para chegar ao cume da montanha mais importante do país e considerada o marco da prática desse esporte no Brasil, o Dedo de Deus. No dia 17 de julho de 1949, ela foi a primeira teresopolitana chegar aos 1.670 metros de altitude – 16 anos após a carioca Luiza Caracciolo, primeira mulher a realizar o feito, aos 19 anos, em 1933. Na véspera de tão importante data para o município, conversamos mais uma vez com Lilia, que tem como sobrenome justamente a sua paixão, Montanha. Ela relembrou a escalada que marcou a sua vida e falou sobre a emoção que ainda sente ao olhar para o Dedo de Deus.
Escondida da mãe, ela participou da aventura ao lado de Geny Cardoso, Ilka Montanha e os meninos Renato Nogueira Marques, Carlos Simão Arbex, Kival Simão Arbex, Haroldo Falcão, Theodoro Silva, Abdux Arbex, Edmundo Montanha, Julio Américo de Oliveira e Adilson Falcão da Graça. Eles foram levados pelos montanhistas Paim e Miguel Inácio Jorge. “Minha mãe achava que era perigoso demais, mas eu queria e fui incentivada pelo meu irmão, Edmundo. Não queria mais ficar fazendo só caminhada, queria escalar o Dedo de Deus e fui a primeira menina a pisar naquele cume maravilhoso”, conta.

Postado em Banner principal, Capa, CidadeComentário (0)

Temporada de montanhismo é aberta oficialmente

Escalada na via “Mesmo com Sol” (3º IV Sup E1/E2), localizada na face norte do Morro da Urca

Escalada na via “Mesmo com Sol” (3º IV Sup E1/E2), localizada na face norte do Morro da Urca

– Clima de amizade e descontração marcam evento realizado pela Federação de Esportes de Montanha do Estado

O último fim de semana foi de festa para os montanhistas do estado do Rio. Aconteceu na Praça General Tibúrcio, na Urca, a 26ª edição da Abertura da Temporada de Montanhismo, evento que celebra o início da época mais propícia para ser praticado o montanhismo ou a escalada. A ATM é realizada pela Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro (Femerj) e conta com a participação dos clubes filiados, representantes de unidades de conservação ambiental, Instituto Estadual do Ambiente e até do Corpo de Bombeiros.  Teresópolis, como vem acontecendo desde 1998, foi representada pelo Centro Excursionista Teresopolitano, o CET, que foi, inclusive, o único clube da região serrana a montar estande no evento na edição 2014.
Apesar de voltada para os montanhistas, a confraternização é aberta ao público, envolvendo atividades ecológicas, educação ambiental, demonstrações de técnicas de escalada e resgate, apresentação de equipamentos, campeonato de escalada, cinema de montanha e sorteio de brindes. O evento aconteceu durante dois dias, sendo o auge o domingo, quando os clubes montaram seus estandes e recepcionaram amigos e interessados em saber mais sobre o esporte. O interessante é que, mesmo entre as associações, onde estão pessoas mais experientes, acontece grande troca de informações sobre as atividades que envolvem o montanhismo. Afinal, o pessoal do Grupo Excursionista Agulhas Negras, o GEAN, sabe muito mais da região do Planalto do Itatiaia do que nós. Assim como quem queria saber algo da Região Serrana, procurava a turma do CET.
E, além de participar da confraternização e troca de informações sobre caminhadas e escaladas, quem esteve na Urca no fim de semana logicamente aproveitou os dias para fazer alguma atividade no maior centro de escalada urbana do mundo. O pessoal do Teresopolitano fez vias e trilhas nas três montanhas que cercam a praça, Urca, Babilônia e Pão de Açúcar. Eu, conheci a face norte do Morro da Urca, escalando a via “Mesmo com Sol” (3º IV Sup E1/E2) com os amigos Luiz “Lula” Reis e Fernando Flávio. Há bastante tempo sem calçar as sapatilhas, diante de compromissos do dia a dia, me diverti bastante voltando à escalada. Aliás, esse foi o clima da ATM: Muita amizade e descontração para marcar o início da época da prática desse esporte que tem tudo a ver com o estado do Rio e, principalmente, com Teresópolis.

Campeonato de Boulder
Também dentro da ATM ocorreu a primeira etapa do Campeonato Brasileiro de Boulder de 2014, com execução e organização da Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro (FEMERJ), sob a chancela da Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada (CBME). No Máster Feminino, a atleta Patrícia Antunes, de Minas Gerais ficou em primeiro lugar seguida das atletas Luana Riscado e Angela Vargas, ambas do Rio de Janeiro. No Máster Masculino, Yan Kalapothakis também de Minas Gerais foi o grande campeão. Eduardo Geovane de Santa Catarina ficou em segundo lugar e André Tourinho de Minas Gerais levou o bronze. Na Categoria Júnior, Júnior Conca de Minas Gerais ficou em 1º lugar, em 2º lugar houve um empate entre Alex Júnior e Samuel Ferreira, e em 3º lugar ficou Emanuel Siqueira. No Juvenil , a disputa ficou entre Matheus Pereira de São Thomé das Letras e o pequeno Taltos Smith de apenas 9 anos. Apesar de Taltos ter dado uma aula de posicionamento de corpo e trabalho de pés que surpreendeu a muitos, o menino não conseguiu realizar um dos problemas e Matheus levou a melhor. No paraclimb o escalador Daniel Gonçalves, portador de paralisia cerebral e que pratica escalada há 12 anos, ficou com a medalha de ouro.

Abertura em Teresópolis
Depois da “abertura oficial”, realizada no Rio de Janeiro, acontece em Teresópolis no próximo dia 17 a Abertura da Temporada de Montanhismo realizada pelo Parque Nacional da Serra dos Órgãos. O evento, que deve atrair grande público para o nosso município, terá grande programação. Durante o dia, os montanhistas devem ocupar praticamente todos os cumes da cadeia. Às 10h, terão saídas na sede local do Parnaso para os iniciantes, com as trilhas guiadas por monitores. Às 19h, a Casa do Montanhista, que fica no meio da Estrada da Barragem, via que atravessa a parte baixa da unidade de conservação ambiental, será aberta para exibição fotográfica, música ao vivo e sorteio de brindes. Para saber mais sobre o evento e se inscrever para trilhas guiadas ou invasão de cume, acesse www.icmbio.gov.br/parnaso

Postado em Colunistas, Esportes, MochileiroComentário (0)

MOCHILEIRO: As escaladas “clássicas” da Serra

Pessoal do CET no cume da sua montanha símbolo, a Verruguinha do Frade

– Montanhas como Dedo de Deus, Verruga do Frade e Agulha do Diabo atraem gente do mundo inteiro para a Serra dos Órgãos

Apesar de a grande maioria dos teresopolitanos desconhecer, nossa cidade tem o título de Capital Nacional do Montanhismo. Mais do que estar localizada em uma região de serra, estão no nosso município ou acessadas por aqui formações rochosas com formatos curiosos e escaladas impressionantes, como as três principais da Serra dos Órgãos: Dedo de Deus, Verruga do Frade e Agulha do Diabo. Para os praticantes desse esporte, elas são consideradas “clássicas” e por isso atraem grande número de pessoas de todo o Brasil e até do exterior. Caminhadas longas, fendas e visuais únicos, além de toda sua história, são o motivo da “tríplice coroa” estar no currículo dos principais escaladores do país. Por aqui, já destaquei individualmente as desafiadoras e recompensadoras subidas dessas montanhas e, nesta edição, vale falar um pouco mais dessas aventuras – que começam procuradas com mais frequência a partir de agora.

Escaladores na “unha” e no cume da Agulha do Diabo, a 2.050 de altitude

O “complexo” do Frade

Quando se fala em “Verruga do Frade”, muita gente só lembra da pedrinha equilibrada no topo de uma montanha na Serra dos Órgãos. Mas, para “justificar” o nome, são necessárias outras três formações rochosas: O Capucho, o Nariz e o Queixo. Vistas na vertical, essas montanhas lembram o rosto de um homem velho, apontado à época do “batizado” como um frade. A mais “importante” é, logicamente, a que forma o Nariz. Sua escalada é feita através de uma chaminé de aproximadamente 40 metros de altura. A fenda por onde se sobe atualmente, um terceiro grau, foi desbravada em 1973 por Cláudio Fontenele, Eugênio Epprecht, Jean Pierre e Marcelo Werneck. Mas o caminho da conquista foi outro, bem no fundo, utilizando-se de troncos entalados e outros artifícios para progredir chaminé acima. Os conquistadores são Miguel Inácio Jorge, Luiz Gonçalves, Arlindo Mota, Antônio Godoy, Andral Povoa, Américo de Oliveira e Alcides Carvalho, que também foram os primeiros a subir na Verruga, a “pedrinha” de 14 metros de altura. A ascensão levou dois dias. O grupo partiu dia 22 de julho de 1933, chegando ao cume às 15h do dia 24, voltando do pico na manhã seguinte.
Mesmo com a técnica aplicada atualmente, a chaminé tem trechos bem apertados e não é fácil de ser vencida. Muitos são os que desistem quando se deparam com o entalamento ou percebem que os grampos para proteção não são tão próximos. Além dessas duas vias, e o Paredão Alternativo, citado acima, na parte externa da montanha fica a Face Nordeste (A2C), também de 73, mas de autoria de José Garrido, José Roberto, Waldemar Guimarães e Waldinar dos Santos. A altitude do cume é de 1920 metros.

A conquista do Dedo Deus, em 8 de abril de 1912, é considerado o marco desse esporte

Dedo de Deus

É considerado o símbolo do montanhismo no Brasil. Sua conquista, em 1912, estimulou a prática do esporte em todo o país. Seu cume só pode ser acessado através de escalada. Há vias de 3º a 8º graus, sendo a face leste a mais procurada, através da chaminé Black Out e sua variante, Maria Cebola. O caminho da conquista foi a via Teixeira, na face sudoeste, conhecida por lances como a chaminé “Arranca Botão”. Os “dedinhos do Dedo” podem ser acessados via caminhada pesada e cabo de aço.  Altitude 1.670 metros, com acesso pouco depois da “Santinha”.
O verdadeiro desafio que se apresentava na virada do século só foi vencido no início da sua segunda década: O Dedo de Deus. Há muito considerado como inatingível, pois derrotara várias levas de veteranos montanhistas estrangeiros, acabou sendo conquistado por alguns teresopolitanos que, embora aficionados das atividades ligadas à natureza, não tinham grande experiência em escalada. Eram eles o ferreiro José Teixeira Guimarães, o caçador Raul Carneiro e os irmãos Acácio, Alexandre e Américo Oliveira. Contaram também com a preciosa colaboração do menino João Rodrigues de Lima, que percorria diariamente a longa subida até a base da escalada, levando comida para o grupo.
Os preparativos para a conquista foram minuciosos, compreendendo desde o planejamento da operação e definição da rota, até a fabricação e seleção do material técnico empregado (grampos, estribos, hastes, brocas marretas, etc.). Destas últimas tarefas, incumbiu-se o próprio Teixeira, valendo-se para isso dos conhecimentos adquiridos na sua profissão de ferreiro.

Escalada em chaminé de aproximadamente 40m de altura no Nariz do Frade

Emoção da conquista

No dia 3 de abril de 1912, o grupo partia para seu memorável feito. Com ajuda de pesadas cordas de sisal, bambus e ferragens, os diversos obstáculos foram, dia após dia, ultrapassados. Coragem, determinação e muita cooperação evidenciaram-se como qualidades imprescindíveis para subjugar o perigo, o cansaço, o frio e as condições adversas com que se defrontavam. Paredões abruptos, chaminés (fendas na rocha) estreitas, passagens sobre abismos, tudo foi aos poucos superado, graças ao arrojo e espírito de equipe dos cincos companheiros. Finalmente no sétimo dia – 9 de abril de 1912 – o grupo atingia o topo da montanha.
Tomados por intensa emoção abraçaram-se com alegria e desfraldaram a nossa bandeira, ao mesmo tempo em que eram saudados à distância pelos que os acompanhavam de binóculos e lunetas. No retorno, foram merecidamente recebidos como verdadeiros heróis pelo povo de Teresópolis. Dessa forma, a conquista do Dedo de Deus representou um marco glorioso na história do montanhismo brasileiro. O caminho idealizado por Teixeira, e que mais tarde recebeu o seu próprio nome, constitui, ainda hoje, uma importante via de acesso ao cume do imponente penhasco.

A escalada na imponente Agulha do Diabo é considerada uma das mais bonitas do mundo

Agulha do Diabo

No final dos anos 30, ao se deparar com fotografias da Serra dos Órgãos em um exemplar de revista, Almy Ulysséa ficou impressionado com o Penhasco Fantasma, uma montanha com mais de 2.000 metros de altitude e que chamava atenção pela sua formação. Um colosso de rocha “fino” e muito alto, que parecia intransponível e viria a ser chamada mais tarde de Agulha do Diabo. A mudança no nome aconteceu após a conquista do Centro Excursionista Brasileiro, em 1941. Hoje, mais de sessenta anos depois, mesmo com todo material de segurança disponível e um trajeto mais fácil até a base, escalar tal formação rochosa não é para qualquer um. O primeiro fator que faz muitos desistirem da escalada clássica (graduada em 3º IV graus) é a caminhada longa. Ela começa pela trilha da Pedra do Sino, até local conhecido como Cota 2000. Depois, segue-se pelo Caminho das Orquídeas, logo abaixo. Dali até a área de camping, a passagem é bastante irregular e úmida até chegar ao mirante da Agulha, também conhecido como “Mirante do Inferno”.
A conquista da Agulha do Diabo foi feita através de fendas, entalamentos e chaminés, estilo de escalada comum nos primórdios. O primeiro lance é em uma fenda diagonal, com entalamento de meio corpo, passando depois por um lance em pé, com boas agarras. A segunda enfiada começa em horizontal em meio a pequena floresta e mais fendas. Depois, uma caminhada até a primeira grande chaminé (fenda larga o bastante para que o escalador entre inteiro dentro dela e onde a escalada é feita pressionando-se as duas paredes da chaminé simultaneamente em direções opostas), coberta de musgo e dividida em duas partes até chegar no platô.

Marcelo Gomes, do CET, no lance “Maria Cebola”, Face Leste do Dedo

2.050 metros de altitude

No pedaço de “terra firme”, o escalador fica de frente para o lance que separa quem vai e quem não vai ao cume, o cavalinho. Uma fenda diagonal, para cima. Escalada nem tão difícil assim, não fosse o abismo de mais de 600 metros abaixo… Muita gente já “adrenou” e desistiu da escalada ali. Para “domar” o cavalinho, a pessoa pode entalar meio corpo e ir se arrastando até entrar na chaminé da “unha”, uma “lasca” de pedra enorme e posicionada em um dos lados da Agulha. Também é possível passar no cavalinho com as mãos pela borda, em técnica de aresta. Nesse caso, quase a metade do lance é feita somente com as mãos, ficando os pés no ar.
Se altura não é o problema para quem passar pelo famoso cavalinho, as duas últimas enfiadas não impressionarão. A chaminé da unha é bem confortável, mas olhando para os dois lados a pessoa vê o fundo do vale. No final dela, lugar para três pessoas sentarem antes de pegar o cabo de aço de aproximadamente 20 metros até o cume. Aliás, bem estreito. A 2.050 metros de altitude em relação ao nível do mar, mais de 600 do “fundo” do vale. E o cume tem menos de dois metros quadrados… E pensar que nosso amigo Leandro Nobre, o Leandrinho, já montou uma barraca ali anos atrás. Só para a foto, lógico. E o registro, de tão curioso, foi parar na National Geographic.

Maurinho Mello no famoso lance do “cavalinho”, na Agulha do Diabo

Conheça, preserve

Mais importante do que conhecer a Serra dos Órgãos, é preservá-la. Quando você entra em uma floresta, lembre-se que está invadindo a “casa” de outros animais. Lembre-se que não deve retirar nada e, muito menos, deixar. Leve somente lembranças. Não pegue atalhos, não faça fogueiras. No caso das montanhas que não são acessadas pela portaria do Parque Nacional, é necessário passar por lá e assinar um termo de responsabilidade. Passando “por dentro”, o preço do ingresso é menor para quem participa de clubes filiados à Femerj, como o CET. Pode ser adquirido entre 8h e 17h. Com ele em mãos, a entrada pode ser feita entre 6h e 22h, lembrando que há número limitado para cada trilha. Para fazer um passeio seguro, outra dica muito importante é procurar quem entende do assunto. Única entidade da cidade filiada à Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro (Femerj), o Centro Excursionista Teresopolitano se reúne todas as quartas-feiras, a partir das 20h30, na loja da Sociedade Pró-Lactário, número 555 da Avenida Lúcio Meira. Mais informações podem ser adquiridas através do e-mail: marcello@odiariodeteresopolis.com.br

 

Postado em MochileiroComentário (1)


Diario TV

Carregando...

Facebook

Twitter Diário TV

Assine nossa newsletter

Loading...Loading...