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Teresópolis recebe exposição dos ’50 anos do Desenvolvimento’

Representando o deputado Hugo Leal no lançamento da exposição, o assessor Marcello Rosado destacou a democratização da história do país proporcionada pela exposição

Representando o deputado Hugo Leal no lançamento da exposição, o assessor Marcello Rosado destacou a democratização da história do país proporcionada pela exposição

– Mostra com imagens do Arquivo Nacional conta detalhes dos últimos 50 anos do Século XX

 

Está aberta para visitação pública na Casa de Cultura Adolpho Bloch a exposição ‘50 anos de Desenvolvimento Nacional’. Criada e montada pela equipe do Arquivo Nacional e viabilizada através de uma emenda parlamentar do Deputado Hugo Leal, a mostra histórica traz uma série de fotografias que contam o avanço brasileiro nos últimos 50 anos do século XX.

A exposição foi aberta oficialmente na tarde desta segunda-feira, 13. Prestigiaram o evento a equipe técnica do Arquivo Nacional, alunos da rede municipal de ensino e funcionários públicos da Secretaria de Cultura.

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Técnicas do Arquivo Nacional, Maria Aparecida Torres e Maria Elizabeth Brea participaram do lanlamento da exposição que poderá ser visitada até o dia 3 de maio

 

Em formato itinerante, a exposição reúne cerca de 20 painéis, englobando 80 imagens provenientes, em sua maioria, do Arquivo Nacional. Além destas, também compõem a mostra fotografias da Radiobrás e da Agência O Globo, enfatizando os aspectos econômicos que marcaram a segunda metade do século XX. A exposição é uma realização do Arquivo Nacional, com curadoria de Maria do Carmo Teixeira Rainho e coordenação local do designer gráfico Ricardo Guarilha.

Na abertura da mostra, o assessor parlamentar Marcello Rossado, representante do Deputado Hugo Leal, destacou a importância na iniciativa. “Entendo que mostra toda uma preocupação do deputado com a divulgação desses fatos tão importantes para a história do Brasil. Mostra que o país tem um arquivo muito rico e que nós cidadãos temos pleno acesso a tudo isso. Agora a população de Teresópolis pode vir e se deliciar com esses registros tão importantes da nossa história”, destaca.

Depois de visitar a mostra de imagens, alunos do Centro Educacional Helena Paula Tavares foram presenteados com kits especiais com material da exposição

 

De acordo com Marcello, o deputado Hugo Leal tem uma especial preocupação com as atividades do Arquivo Nacional e não se priva de usar seu mandato para ajudar causas tão meritórias como a exposição de imagens.

 Acesso a história

Representante do Arquivo Nacional, Maria Aparecida Torres, que é coordenadora geral de Acesso e Difusão Documental, destaca a importância de tornar público a riqueza do arquivo. “Quando promovemos essas exposições, temos a intenção de divulgar o nosso acervo, a nossa história. Através da emenda parlamentar do Deputado Hugo Leal, conseguimos desenvolver esse sonho que tínhamos de colocar para fora das paredes do Arquivo Nacional as informações que até aqui estavam nas nossas gavetas. Esse processo, que é voltado principalmente para as escolas, vai ser levado a outras seis cidades do estado”.

A exposição ’50 anos de Desenvolvimento’ reúne cerca de 20 painéis, englobando 80 imagens provenientes, em sua maioria, do Arquivo Nacional

A exposição ’50 anos de Desenvolvimento’ reúne cerca de 20 painéis, englobando 80 imagens provenientes, em sua maioria, do Arquivo Nacional

Também representando o órgão oficial, Maria Elizabeth Brea, coordenadora de Pesquisa e Difusão explica o objetivo pontual das imagens trazidas à Teresópolis. “Essa exposição tenta retratar os últimos 50 anos do século passado, falando do desenvolvimento, mas tentando mostrar que o tema continua atual; Pontua meio ambiente, a questão energética e cultural. Também tentamos mostrar que o desenvolvimento vai além da economia: É social, cultural e isso está retratado aqui, no cinema novo, nos hábitos da indumentária, na inauguração de Brasília; Percorremos com as imagens do acervo do Arquivo Nacional esses 50 anos de desenvolvimento que até hoje temos que discutir”, avalia.

O Arquivo Nacional, órgão do Ministério da Justiça, foi criado durante o Império, em 2 de janeiro de 1838. Sua missão consiste em implementar e acompanhar a política nacional de arquivos, por meio da gestão, recolhimento, tratamento técnico, preservação e difusão do patrimônio documental do país.

Montada na galeria da Casa de Cultura Adolpho Bloch, a mostra ‘50 anos de Desenvolvimento Nacional’ poderá ser vista pelo público até o dia 3 de maio, de segunda a sábado, das 10h às 18h. Agendamentos de grupos de estudantes podem ser feitos através do telefone (21) 2644-4092.

 

 

 

 

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História de Teresópolis resgatada e documentada

Leo Bittencourt e Regina Carmela, premiados por filmes como “A Cidade dos Festivais”, em mais uma produção: “Vem coisa boa por aí”

– No aniversário dos 122 anos do município, Léo Bittencourt e Regina Carmela anunciam mais uma produção

 

Neste sábado, 06 de julho, Teresópolis comemora 122 anos de emancipação político-administrativa. Em mais de um século, aqueles que nasceram aqui ou escolheram o município para criar suas famílias, viveram muitas histórias. Porém, em tanto tempo e contratempos, muita coisa acabou se perdendo. E se não fosse o trabalho de dois teresopolitanos, seria muito mais difícil se contar a história da terra de Thereza: São eles Léo Bittencourt e Regina Carmelo, que resgatam e documentam a vida e os fatos que contribuíram para o desenvolvimento do município e em 2005 lançaram seu primeiro documentário, o “Cidade dos Festivais”. Desde então, foram lançados cinco filmes, todos bastante elogiados pela qualidade técnica das imagens, pela ótima conservação de acervos e ainda pela iniciativa inédita de resgate de memória da cidade. “E temos ainda muita coisa boa para contar”, lembra Léo, da SET Produções, que em entrevista nesta sexta-feira também anunciou o mais recente trabalho: Um filme que vai contar a história da relação de Teresópolis com a Seleção Brasileira de Futebol, além da construção da CBF. “Quais foram as pessoas envolvidas? Como se estabeleceu isso? Essas e outras perguntas, outras curiosidades, que estamos levantando para que escolas, centros culturais e turísticos tenham esse filme para presentear a cidade”, completa Regina.

O craque Garrincha em entrevista ao jornalista Délcio Monteiro, outro apaixonado pela história de Teresópolis

Presentes para a cidade

E os documentários produzidos pela dupla podem ser considerados verdadeiros presentes para a cidade. Histórias, fotografias, filmes… Muito material que estava guardado em armários e gavetas e que poderia realmente se perder no tempo foram transformados nos trabalhos da série Reminiscências. São eles: “Teresópolis, Cidade dos Festivais”, “Teresópolis – Dos anos 20 aos anos 50”, “Estrada de Ferro Therezopolis” e “A Estrada Direta Rio-Teresópolis”.
A construção da estrada direta, por exemplo, foi um anseio coletivo durante muitos anos e a conclusão da obra representou uma grande vitória para a engenharia rodoviária brasileira, quando foi vencido o seu trecho mais desafiador: o segmento da Serra dos Órgãos que significou um esforço sobre-humano para os trabalhadores envolvidos em sua construção. Toda a cidade acompanhou esta obra, e unida comemorou seu sucesso. A estrada é considerada a rodovia mais moderna de seu tempo no Brasil e sua história foi contada majestosamente por Léo e Regina.

Inauguração do Centro de Treinamento da CBF, uma das fotos do Acervo Família Almirante Heleno Nunes

Identidade

“Contar a história de Teresópolis é como abrir uma caixinha de surpresas, porque embora a gente em primeiro momento pense que o vamos contar, a medida que vai puxando o fio da história, mais histórias surgem. A relação da cidade com a cidade e com o Brasil é antiga. Então, a medida que vamos puxando o fio, outros fios vão aparecendo e temos uma rede de história para contar. Digo que temos mais filme para fazer do que tempo para viver. A cidade é rica em história, é rica em memória. Trabalhar com história é trabalhar com identidade, é alimentar o sentimento de amor pelo local que a gente vive e quando a gente ama alguma coisa, a gente cuida. Tudo que Teresópolis precisa é que a gente ame ela e a gente cuide bem dela”, atenta Regina. “Levamos quatro anos para fazer o primeiro documentário, que foi o Cidade dos Festivais, e a partir daí foi uma virada na vida da gente. O filme encantou a cidade e desenterramos uma coisa que estava escondida. A partir daí começamos a criar a referência para pessoas, que nos encontravam e já trazíamos material para filmes. A partir dali a cidade mudou. Hoje, qualquer politico usa a palavra cidade dos festivais, coisa que havia sido esquecida até 2005”, enfatiza Bittencourt.
Além dos documentários históricos, curtas produzidos pela SET fizeram sucesso. O último, “De Repente”, conta a história da poeta e repentista Wanda Pinheiro, que após a Tragédia de 2011 retornou a sua casa pela primeira vez, a encontrando-a interditada. “No calor desta emoção, Wanda expressa espontaneamente, em versos singelos suas memórias, reflexões e desejos. O filme busca a poética da esperança, a força humana que nasce no vazio do presente trágico mas que olha o porvir da vida que segue”, informa o texto divulgado pela TV Futura, um dos canais que está exibindo o trabalho da dupla.

Em mais uma foto do Acervo da Família Almirante Heleno Nunes, o terreno onde seria construída a CBF

A história da CBF

Em um momento que nosso município precisa de “boas histórias” para contribuir com sua recuperação, após tragédias naturais e políticas, a dupla da SET Produções está trabalhando no documentário “Teresópolis, a casa da Seleção Brasileira de Futebol”. O objetivo é relatar a ligação da cidade com o time canarinho, que vem muito antes da construção do Centro de Treinamento da CBF. Só para se ter uma ideia, Garrincha e Pelé já passaram por aqui…
“Uma das ideias do filme é fomentar, é alimentar a relação da cidade com a seleção, afinal Teresópolis é a casa da seleção brasileira de futebol. Esse slogan é um slogan mundial, que ultrapassa fronteiras. Quando nosso jovem sabe contar essa história, a receber os turistas, os jornalistas, a falar dessa história, está se apropriando dela e valorizando essa relação. Estamos valorizando nossa cidade. Estamos nutrindo e alimentando o sentimento de identidade”, diz Regina.

Regina e Leo com a família do Almirante Heleno Nunes, início da produção do filme sobre a CBF

Teresópolis para fora

“Entre tantos projetos, estamos colocando esse no spot light do nosso norte porque não perdemos mais a CBF, que está sendo reformada, ou seja, é outra realidade. Teresópolis precisa dessas boas referências para se recuperar. E essa não é uma história tão longe, é recente, vem desde 1966 e envolve hotéis, bares, vida de famílias, políticos… Uma simples história de seleção como Teresópolis envolve uma cidade. Esperamos lançar antes da copa, com toda pompa. Este vai ser o primeiro filme que vamos colocar legenda em outras línguas e jogar Teresópolis para fora. O Reminiscência para nos joga para nós mesmos. Esse, além de nos jogar para dentro, vai jogar para fora da cidade”, explica Bittencourt.
O filme ainda está na fase de pesquisa, mas, somente com as imagens que tivemos acesso, já dá para ter uma ideia do resultado: com certeza mais um golaço da SET Produções! A reprodução de um jornal relatando a vinda de Garrincha e Pelé para a cidade, a foto do grande jogador do Botafogo e Seleção com o jornalista Délcio Monteiro ou a imagem do descampado onde seria construída a CBF são sensacionais! Por enquanto, o único apoiador da produção é o Sesc. Quem tiver interesse patrocinar a dupla ou obter os documentários, pode entrar em contato no endereço www.facebook.com/setprod.tere ou telefone 21 9111-0624.

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A história de Teresópolis contada através dos ônibus

Além da paixão por ônibus, os busólogos ajudam a registrar a história das cidades, como Teresópolis

– “Busólogos” realizam mais um encontro, reunindo miniaturas, fotografias e paixão pelo transporte público

Para a maioria das pessoas, esperar o ônibus no ponto nem sempre é uma “missão” divertida. Mas, para um grupo de apaixonados por esse tipo de transporte coletivo, aguardar os veículos para chegar ao seu destino não é tão ruim assim. Pelo contrário, enquanto esperam eles aproveitam para registrar os modelos de ônibus utilizados pelas empresas. São os busólogos, comunidade que cresce a cada dia em Teresópolis e que no próximo sábado, 06 de julho, realiza a quinta edição de encontro que receberá no terminal rodoviário José de Carvalho Janotti outros adeptos de várias partes do país.

Nas imagens do acervo do pessoal do Terebus, é possível acompanhar a evolução do serviço de transporte coletivo e também as mudanças drásticas que o nosso município vem passando ao longo dos anos

Hobby

Busologia é a atividade praticada como hobby, do estudo do ônibus e dos assuntos relacionados a esse tipo de veículo, tais como história, sistemas de transportes, empresas operadoras, políticas públicas, fabricantes de veículos, motores e carrocerias. Por aqui, o grupo Terebus realiza diversos roteiros fotográficos e/ou, culturais, municipais e intermunicipais, visando o intercâmbio com outros grupos e o conhecimento do sistema de transporte em outros municípios, divulgando, assim, também, Teresópolis. Em encontros mensais, justamente no terminal rodoviário, acontecem as conversas sobre as novidades do setor, ideias e exibição de materiais de coleção como miniaturas, fotos e bilhetes de passagem.
Nesta terça-feira, conversamos com alguns dos integrantes do Terebus, que falaram sobre o diferente hobby e sua contribuição para manter viva a histórias dos municípios através dos ônibus. “É muito bacana porque reunimos muitos amigos, material sobre o assunto, história do ônibus no Brasil, colecionismo de miniaturas, fotografias, revistas antigas, passagens de ônibus e outros objetos, coisas que servem para agregar o valor de amizade das pessoas. É uma brincadeira de criança que continua enquanto adulto e que vamos levando até a hora que Deus quiser. Reunimos amigos e muitas informações sobre ônibus, além de ajudar a contar a história de Teresópolis, por exemplo. Em uma foto, não está somente o ônibus. É possível ver como era a cidade naquela época”, frisou Fernando Luiz Barreto, um dos entusiastas do movimento.

Miniaturas feitas com caixas de pasta de dente retratam a frota local, das empresas Dedo de Deus e 1º de Março

Verdadeiras obras de arte

Entre os objetos colecionáveis que conhecemos e que estarão em exibição no sábado, muitas fotografias e miniaturas de ônibus feitas em madeira e até com caixas de pastas de dente. Os últimos, verdadeiras obras de arte de autoria do motorista – de ônibus! – Wallace Aguiar. “Comecei esse hobby quando tinha seis anos. Desde pequeno, desenhava ônibus porque nunca encontrava miniaturas perfeitas, não eram aquela coisa igual a que via na rua, com a pintura da empresa, numeração e tal. Então, pegava caixinhas de pasta de dente que ganhava de parentes e vizinhos para fazer os ônibus. Acabei fazendo toda a frota da viação Dedo de Deus. Depois, com 14 anos, fui trabalhar na empresa da cidade e acabei conhecendo mais pessoas também apaixonadas por ônibus, como a galera do Terebus. Hoje, tenho amigos de todo o brasil que também são busólogos”, conta.
Outros dois que compartilham o gosto pela história do transporte coletivo são os irmãos Roger e Yannick Pires. ”Eu sempre gostei, desde bem novo, sempre achei interessante ônibus, sempre desenhava… Meus primeiros desenhos foram ônibus e foi uma cosia que foi me acompanhando minha vida toda. Com a internet, descobri que outras pessoas tinham em comum essa afinidade com ônibus, com transporte. Aí comecei a conversar e ter mais conhecimento sobre chassis, carrocerias e cheguei ao pessoal de Teresópolis, que hoje são grandes amigos”, relata Roger. “Acho que não tem forma melhor de conhecer a história da cidade do que pelo transporte, desde a estrada de ferro aos ônibus que circulam na cidade”, completa Yannick.

Wallace, que é motorista de ônibus, mostra as obras de arte que começou a fazer quando criança

Programação

Este ano, o Encontro de Busólogos recebeu o apoio do Pró-Memória, instituição que tem à frente o Secretário Municipal de Cultura, Wanderley Peres, que preparou uma grande exposição sobre a história do transporte coletivo no município. A programação do evento é a seguinte: 8h30 – Recepção aos amigos e exposição de fotos na Rodoviária, visita e sessão de fotos do carro da Viação Salutaris que faz a linha Teresópolis x São Paulo, na Rodoviária; 10h30 – Tour em direção ao bairro do Alto e Soberbo; Em seguida, os busólogos farão visitas à garagem da Transcotur e garagem da Dedo de Deus e 1º de Março. Na garagem, será entregue o prêmio “Amigo Terebus 2013”.

Yannick, Fernando, Roger e Wallace: parte do grupo Terebus, que no sábado receberá amigos busólogos de várias partes do país

Tem muito o que melhorar

Conversando com pessoas que entendem tanto de transporte público coletivo, uma pergunta não poderia deixar de ser feita: o que eles acham do serviço em Teresópolis? ”No meu ponto de vista o serviço oferecido pelas empresas é satisfatório, mas tem coisas a melhorar. O conhecimento que temos com a empresa é está melhorando e vai chegar ao ideal do que nós esperamos no serviço de transporte na nossa cidade”, destacou Wallace Aguiar. “Dizer que o que precisa é complicado, mas conhecemos sobre o assunto, lemos bastante e conhecemos o sistema de muitas cidades. Sabemos que não há fórmula mágica, que muita coisa tem que melhorar, mas muita coisa já é pensada na cidade. Mas é preciso que haja integração melhor entre empresa, poder público e população. A população está participando, está nas ruas querendo melhorias, mas é preciso estudar a mobilidade urbana da cidade. Temos um carro para cada dois moradores, temos um sistema de transito e interligação de linhas e bairros que é da década de 60/70… Tem buscar técnicos, fazer estudos aprofundados, fazer audiências para ajustar o serviço para que seja melhor para a empresa, poder publico e principalmente para a população que usa o serviço”, completa Fernando. Mais informações sobre o evento e sobre o grupo podem ser obtidas no site www.tere-bus.com

 

 

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Um pedacinho de Portugal em Teresópolis é tombado

Para o Diretor da Beneficência Portuguesa, Paulo Ribeiro, o tombamento veio ao encontro da filosofia da unidade de preservação e pode ajudar no planejamento da abertura do local a visitação pública

– Prefeitura e Ministério Público se unem pela preservação dos painéis de azulejos da Beneficência Portuguesa

Felizmente para a preservação do patrimônio histórico e cultural de nossa cidade, algumas ações de tombamento e manutenção de bens históricos continuam sendo pensadas e realizadas por parcerias entre os poderes instituídos e a nossa sociedade. Uma ação conjunta entre o Ministério Público e a Prefeitura, através da Secretaria de Cultura, por exemplo, acaba de ajudar a preservar um pedacinho de Portugal em nossa cidade. Um conjunto de azulejos, pintados a mão em território lusitano e trazidos para comporem e embelezarem a construção da Beneficência Portuguesa na década de 60, foi tombado como Patrimônio Cultural Teresopolitano e agora precisam ser preservados e expostos para a população.

Criados por artistas portugueses e produzidos pela ainda atuante Fábrica Santana, de Lisboa, os azulejos compõem belos Brasões que ilustram diversas regiões importantes da “terrinha”

Belos brasões

Criados por artistas portugueses e produzidos pela ainda atuante Fábrica Santana, de Lisboa, os azulejos compõem belos Brasões que ilustram diversas regiões importantes da “terrinha” e mostram o processo evolutivo destas áreas até chegarem as chamadas “Colônias de Além Mar”. O que chama atenção no espaço é o fato de cada um dos azulejos que compõem os painéis terem sido pintados e numerados para a posterior montagem, já em Teresópolis.
O decreto municipal nº 4.233, de 2012, traz o tombamento dos painéis e também de outras áreas da construção, como o belo quadro com a relação nominal dos sócios beneméritos e efetivos do hospital, esse já feito totalmente em Teresópolis. E o Oratório e a Imagem de Nossa Senhora da Saúde, ambos pertencentes a uma área do prédio hoje ocupada por leitos hospitalares. A minuta do tombamento foi elaborada pela Secretaria de Cultura a partir de um estudo e fundamentação histórica conduzidos pela chefe do Serviço de Patrimônio Histórico, Regina Rebello.

O Brasão de Lisboa inicia o processo de passagem da história das grandes regiões de Portugal para as chamadas colônias de “Além Mar”. A importância das grandes navegações também é tema no painel

Protegidos

A partir de agora a varanda que abriga os painéis está agora protegida, não podendo os painéis, assim como os demais itens tombados, serem retirados ou sofrer qualquer alteração sem o consentimento do Serviço de Patrimônio Histórico Artístico e Cultural da Secretaria de Cultura de Teresópolis. Mas o que antes era um espaço de convivência e visitação livre, na década de 80 acabou se transformando em escritórios da administração do Hospital, como explica o Diretor da unidade, Paulo Ribeiro.
“Essa era, inicialmente, uma área aberta e de visitação livre, onde as pessoas passavam e podiam contemplar a beleza dos azulejos. Mas, infelizmente, com o passar do tempo, com o crescimento da demanda e pela limitação de espaço que vivíamos, a administração do hospital precisou transferir para esse local as rotinas administrativas, mas sempre ressaltando que a preocupação com a preservação sempre esteve entre as prioridades. Tivemos um cuidado muito grande evitando que as paredes sofressem danos e com a manutenção das características do local, que apesar não mais estar aberto a visitação, permaneceu sendo cuidado como um verdadeiro patrimônio, como são efetivamente esses conjuntos”, explicou Paulo.

 

Mantendo o patrimônio cultural

Paulo também falou da iniciativa e os planos da administração do Hospital para que o espaço seja público e notado pela cidade de Teresópolis. “Esse tombamento é uma iniciativa que vem exatamente ao encontro das pretensões e interesses da própria Beneficência, ou seja, temos o planejamento de manter o patrimônio cultural e também a vontade de expor esse local para que essa bela homenagem do povo português e que precisa mesmo ser mostrada e propagada. A partir do trabalho da Dra. Anaiza se iniciou esse trabalho que nos deixou muito felizes, e não pelo fato de nos forçar a preservar esse espaço, até por ser esse uma conduta nossa ao longo dos anos, mas pelo fato desse local começar a ser visto de uma maneira diferenciada a partir dessa promulgação de tombamento. Está sendo feito um trabalho para transferir todo o estrutural administrativo que hoje se encontra aqui para outro local e posteriormente organizarmos um trabalho de visitação, inclusive com estrutura de receptivo e tudo o que merece o patrimônio. Esse será um local de visitação da cultura portuguesa em nossa cidade”, enaltece.

Um dos espaços atendidos pela minuta de tombamento é o belo Oratório e também a Imagem de Nossa Senhora da Saúde, ambos pertencentes a uma área do prédio hoje ocupada por leitos hospitalares

Lembrar da colonização

Como vimos o processo de tombamento tem como princípio básico preservar esse bem para que as futuras gerações possam usufruir dele posteriormente. Mas Regina Rebello explica que o aprofundamento das informações acerca do bem são fundamentais para garantir que a acessibilidade e benefício para a população sejam totais. “No processo de tombamento, entre outros aspectos a serem aferidos, precisamos atestar a importância do bem a ser tombado. Isso para a cidade e população e também como instrumento de preservação da história, que é o objeto mais importante nesse processo. O tombamento também não se restringe ao local, mas todo o contexto e reflexo dessa obra a ser tombada. Vamos citar como exemplo esses azulejos aqui expostos. Nosso país foi colonizado pelos portugueses, ou seja, nós sofremos influência direta dessa história, todos temos ou conhecemos alguém que possui vínculos históricos com a pátria portuguesa. Nesse sentido o processo de tombamento leva em consideração vários aspectos como o por quê desse bem precisar ser tombado, para que esse tombamento vai ser realizado e também como esse processo será benéfico para a comunidade e população depois da ratificação do tombamento. Por outro lado a comunidade precisa ser coerente e saber a origem e a importância destes bens, até para poder contribuir com a preservação desse bem. Durante esse processo de estudo buscamos a fundamentação histórica exigida e a utilidade dessa medida no futuro em relação aos benefícios sociais e educacionais”, explica Regina.

 

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HISTÓRIA: “Claudina não era nenhuma santa”

 

claudine thevenet

É comum ouvirmos, e até já se escreveu em livros, que a antiga capela de Santa Teresa chamava-se “capela de Santa Claudina”. Derrubada em 1927 para a conclusão das obras de construção do atual templo, a igrejinha da Várzea teria o orago, até então, à santa católica Claudia Thévenet (1774-1837).

Da mesma forma que não resistiu à pesquisa histórica a lenda das “constantes visitas da Imperatriz Teresa Cristina à Teresópolis”, a nomeação de Santa Claudina à antiga capela da Várzea também não passa de um mito. A igreja sempre teve invocação à Santa Teresa e os documentos, embora raros, bem provam isso.

Capela de Santa Tereza

Dez anos depois da morte de George March e, retalhadas suas terras, ao mesmo tempo em que, em 1855, tornava-se a capela de Santo Antonio, no bairro do Alto, a matriz da freguesia, era construída na Várzea, a capela de Santa Teresa. Mas, enquanto a já existente capela de Santo Antônio passava a ser responsável pelos ofícios católicos da emergente freguesia de Therezopolis, a da Várzea, apesar de atender um bairro também com possibilidade de emergir-se, subordinava-se à do Alto onde, à época, ficavam as terras mais valorizadas do lugar.

E é, vamos ser sinceros, na questão das terras que residem os interesses e a história das nossas duas capelas primitivas.

Ainda sem o relógio, a igreja de Santa Teresa no início dos anos 1940

Divisão da Fazenda March

Extinta a Fazenda March e dividida sua propriedade, as glebas maiores ficavam com sedes no Alto e na Várzea. Área mais desenvolvida, já sede da grande Fazenda dos Órgãos, as melhores terras do Alto, atendidas pela capela de Santo Antônio, foram adquiridas por Antonio Fernandes Coelho, enquanto as terras da Várzea – e também de Araras, Vidigueiras, Meudon e Ermitage – passaram ao Comendador Polycarpo Magalhães Alvarez de Azevedo.

Empreendedor, Coelho tratou logo de buscar valorizar mais ainda sua propriedade. Juntou-se a Antônio Feliciano da Trindade na empresa Fernandes Coelho & Cia. e tratou de loteá-la. Arruou o bairro e até doou ao Imperador Pedro II uma quadra, onde queria ver construído um castelo dedicado à Imperatriz Teresa Cristina. Num quarteirão da avenida Bragantina ficariam as ruas “da Imperatriz”, “Dom Pedro II” e “rua Imperial”.

No início do século, um cortejo fúnebre, sainda da primitiva igreja de… Santa Teresa

Doação de capela

E a Várzea? Diante de tanta expectativa de desenvolvimento para o bairro do Alto, as terras do Comendador Polycarpo tinham pouco valor. Tratou então o proprietário de “dotá-las” de uma capela, também promovendo seu arruamento e outras benfeitorias. Policarpo fez mais: doou à igreja a capela que construiu e mais 116 mil metros quadrados de terra em torno dela, esperando que a capela aos cuidados da paróquia promovesse o progresso da localidade. Nessa escritura de doação aliás, é que se define bem o nome da igreja. O documento, lavrado em Magé no dia 17 de dezembro de 1859, além de trazer o nome de Santa Teresa como padroeira da capela, cita ainda os objetos pertencentes ao patrimônio existente, entre eles, quadro à óleo e imagens da padroeira. E a padroeira, em 1859, já era Teresa de Ávila.

Mas, e Santa Claudina?

Doar cinco alqueires de terra no centro da Várzea já daria ares de santo a qualquer um, até mesmo que uma segunda intenção parecesse haver por trás do gesto. Mas, é por conta da capela que construiu que Policarpo viu-se marido de uma santa: sua esposa, devota ao catolicismo, chamava-se Claudina. E, embora a história não tenha deixado registros de outras generosidades da importante dona, a mulher locupletou-se no gesto altruístico do marido. – “Capela de dona Claudina, logo Capela de Santa Claudina”, admite o Monsenhor Antônio Carlos Motta do Carmo, pároco da Matriz de Santa Teresa.

 

 

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