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Super Mais: Zezé Fonseca e a História do Carnaval

O programa Super Mais teve o prazer de receber a carnavalesca Zezé Fonseca

– Carnavalesca Zezé Fonseca explica que antes de uma festa popular, este é um evento cultural

O programa Super Mais teve o prazer de receber a carnavalesca Zezé Fonseca. Formada em História pela UERJ, Belas Artes no Liceu e curso de jurados na UERJ, com grandes personalidades do samba, Zezé       apresenta um pouco da história do carnaval em nossa entrevista.  “O carnaval precisa ser visto como um ato cultural sob todos os pontos de vista”, diz. Colaboradora da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio) ajudou muitas escolas de samba do Rio de Janeiro e continua contribuindo com a grande festa da cidade maravilhosa. Em Teresópolis, participou de várias atividades relacionadas ao carnaval, coordenando o corpo de jurados e realizando vários cursos de artesanato específicos.

Carnaval 1919 ( II ) C.C. Saltões

Século XVII

Zezé Fonseca nos conta como o Carnaval chegou ao Brasil no século XVII com D. João através do entrudo, festa realizada na Europa para as pessoas da nobreza, contudo na Europa se jogava perfume, água de cheiro e flores, no Brasil porém, o entrudo chega de forma primitiva e consistia em atirar tomates, limão, farinha de trigo, maisena, uns nos outros, enquanto cantavam e dançavam saudando a “Coroa”. Após algum tempo, como os negros podiam sair junto da nobreza no entrudo, eles começaram a reservar os dejetos que retiravam das grandes casas e jogavam nas ruas e nas pessoas durante a festa, com a agressividade da festa, os nobres começaram a se recolher nos salões, e com a chegada das primeiras máscaras, confetes e fantasias trazidas da Europa, a elite passou a promover o baile de máscaras. Com o tempo, alguns escravos que já eram alforriados, formaram os Ranchos e os Corsos Carnavalescos, que eram aquelas pessoas todas enfeitadas nos carros, em sua maioria criados por negros livres que ocupavam uma melhor posição dentro da sociedade, porém a plebe rude não podia sair do Campo de São Domingos, não podiam se misturar a esse carnaval que era da elite.

Carnaval do Rio em 1926

Blocos de sujos

A plebe rude era formada pelos cordões, os blocos de sujos e os blocos de samba. Eles só podiam fazer a festa deles pelo Campo de Santana, Praça XI ou em seus pequenos guetos, mas não podiam passar do Campo de São Domingos, hoje conhecido como Av. Passos. As ruas Sete de Setembro, do Ouvidor, por exemplo, eram locais destinados a grande sociedade. O preconceito social dentro do carnaval era muito forte, pessoas de origem humilde das favelas, morros e bairros distantes tinham seus movimentos culturais (cordões, blocos de samba e blocos de sujo), considerados como movimentos culturais inferiores, e eram proibidas de se apresentarem em locais onde desfilavam os Corsos, Ranchos e Grandes Sociedades.

Essa hegemonia só foi quebrada em 1828 na festa em homenagem ao Prefeito Pedro Ernesto, no Campo de Santana, onde se apresentaram todos os segmentos do carnaval carioca.

Foi um bate papo sobre história muito agradável

Marchinhas

Dos blocos de sujos é que saiu a primeira marchinha de carnaval, porque foi encomendada a Chiquinha Gonzaga para o cordão Rosa de Ouro, conhecida como “O Abre Alas”. A plebe rude dançava mais com atabaques, tambores, bumbos. Nessa época nascem as marchinhas de carnaval, baseadas em fofocas, amores, desavenças, falta de água, falta de luz, tudo era motivo para se transformar em marchinhas. Várias rádios começaram a tocar as marchinhas. Com o tempo, na década de 60, surgiram vários blocos de embalo, entre eles, o Bafo da Onça, Cacique de Ramos, que sobrevivem a duras penas até hoje. O próprio Cordão do Bola Preta nasce nessa época, fortalecendo o carnaval no Rio. Seus sambas de  embalo e seus desfiles empolgaram a Av. Presidente Vargas, a Av. Rio Branco e diversos bairros. Foi nessa década que as Escolas de Samba, outrora marginalizadas, começam a fazer sucesso chamando a atenção do público e do Poder Público.  Com a ascendência desse movimento, os Ranchos Carnavalescos, as Grandes Sociedades e os blocos de frevo começaram a perder importância dentro do carnaval, uma vez que houve a inversão na distribuição de verbas por parte do Poder Público e patrocinadores.  Na década de 70, começaram a escassear as marchinhas que durante longo tempo embalaram o carnaval carioca. Muito foi feito para não deixar morrer várias tradições, explica Zezé, porém, a estética do carnaval mudou completamente, era a soberania das Escolas de Samba.

As crianças são apaixonadas pelo carnaval

Sambista de coração

Mas, como costuma dizer, o povo carioca é sambista de coração e folião por excelência, e devido a isso, começaram a surgir bandas carnavalescas em diversos pontos da cidade, entre elas a famosa banda de Ipanema. Hoje temos duas a três bandas e diversos blocos por todos os bairros, que saem cantando e dançando pelas ruas ao som das antigas marchinhas e dos sambas de enredo. “È justamente, esse movimento que não deixa morrer a tradição do carnaval de rua, e que para alegria da cidade, a cada ano se torna mais forte, o que considero como historiadora do carnaval muito bom, porque fortifica o espetáculo das escolas de samba, uma vez que, agindo uníssona, ela tenderia a um desgaste, que praticamente as levariam ao mesmo final dos primeiros movimentos carnavalescos da cidade” – conta Zezé Fonseca.

carnaval é uma tradição imortal

Associação das Bandas

“O Rio de Janeiro só falava de Escola de Samba, reinava absoluta, mas elas conseguem se reciclar o tempo todo e o carnaval se tornou uma indústria desde então. Contudo, nosso medo era de que os blocos ficassem esquecidos, foi ai que começamos a incentivar todas as bandas e blocos, fortalecendo esse carnaval, através da Associação das Bandas, da qual sou secretária”.E acrescenta: “Em Teresópolis, vejo que perde-se uma grande parte da cultura nacional, já que estamos sem a festa há alguns anos. As pessoas precisam conhecer a história do carnaval, e perceberem que isso é cultura pura. Nossa cidade passou pela tragédia, que eu não gosto de ficar lembrando, e não pode fazer o carnaval, depois, por problemas burocráticos com as escolas, não foi liberada a verba e agora mais um ano. Enquanto isso, fizemos um trabalho em Guapimirim, e sem querer levamos o pessoal do carnaval de Teresópolis, para cidade, fortalecendo o turismo, trazendo divisas para o município, e hoje a primeira receita deles é o carnaval”.

Adriano Ramirez também é carnavalesco

Revitalizar

Há uns anos atrás, recebemos em Teresópolis um grupo profissional do Rio, a convite de um antigo secretário de turismo, para revitalizar o carnaval na cidade, um projeto que envolveria todo o comércio e o turismo na cidade.

Em São Luiz do Maranhão é investido muito dinheiro no carnaval da cidade, atraindo turistas e fomentando não só o turismo, mas o comércio local de uma maneira geral. Já estão na 4ª. Edição da festa, e a cada ano estão investindo mais, pois está sendo freqüentado por vários países da América Latina. “Eles investem X, e ganham o abecedário inteiro”, disse ela.

 

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