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Os Apóstolos da “Nova Era” estão entre nós?

O Apóstolo Valdemiro esteve em Teresópolis e “agitou” a cidade no feriado de Corpus Christi

Artigo de Anderson Duarte

Antes de mais nada, queria deixar bem claro que o artigo de hoje não é um questionamento a fé de ninguém, muito menos uma crítica as religiões e crenças que atuam em nosso país, apenas uma discussão acerca da prática e conduta de determinadas nomenclaturas cristãs. Vamos discutir e tentar entender, como sempre embasados em conhecimentos teóricos e algumas experiências, como se dão esses fenômenos da religiosidade moderna. Como formador de opinião e agente da comunicação em nossa cidade, não posso deixar de colocar algumas questões que foram levantadas durante a visita do excêntrico Apóstolo Valdemiro Santiago à nossa cidade e como elas impactam nossa realidade.

A venda do banquinho fez sucesso entre os fiéis

Caos no trânsito

Ouvi de tudo durante o movimentado feriado desta quinta-feira, pessoas revoltadas com o caos promovido no trânsito e nos arredores da Praça Olímpica, moradores descontentes com o dia inteiro de atividades, assim como moradores empolgados nas janelas com essa mesma movimentação. Pessoas felizes por estarem participando de um evento comandado pelo símbolo de sua fé, outras tantas questionando essa prerrogativa e importância autoinstituída do homem envolto a tantas polêmicas. Essas eram apenas opiniões, de quem gosta e de quem não gosta deste tipo de ação.

Mas nossa discussão, como disse, não estará baseada no campo da fé, nem mesmo da prática religiosa, mas sim nas questões concernentes a organização social. As primeiras questões que queria levantar estão justamente no nome do poderoso religioso. Quem são os apóstolos, pastores, bispos, presbíteros e muitos outros cargos hoje presentes no mundo cristão? Qual a origem e a função destes cargos? Como um religioso pode chegar a ser um Apóstolo? Eles tem o mesmo peso e importância que o grupo de doze homens que seguiam Jesus Cristo, originalmente chamados assim? A Bíblia traz essa ordem hierárquica em suas escrituras? Questões que muitos atentos se fizeram quando o nosso visitante ilustre chegou foi justamente de onde ele tirou esse título, nome, cargo, seja lá o que for.

Vendedores de chapéus credenciados circulavam pela Praça Olímpica

Autoridade eclesiástica

Bom, depois de muita pesquisa, consulta a amigos teólogos e entendidos na área, cheguei a conclusão que muitos utilizam algumas nomenclaturas bíblicas numa espécie de busca por autoridade eclesiástica, ou suposto poder espiritual, não possuindo compromisso com o real significado do título e dos nomes na Bíblia. O uso prático nas escrituras bíblicas, em comparação aos dias atuais, nem sempre condiz com essa atuação no campo da realidade. Os equívocos em relação a desarmonia bíblica criada por esses homens da religião são notórios. No caso de Valdemiro Santiago, tudo é possível, visto que ele mesmo criou a Igreja Mundial depois que saiu dos quadros da Igreja Universal do Reino de Deus. Seu critério ao escolher o “apóstolo” para anteceder toda e qualquer citação ao seu nome, portanto, tem como origem a sua própria vontade. Mas o título ou termo Apóstolo parece mesmo ser o mais almejado nos dias de hoje, visto que tem sido usado recorrentemente por nomenclaturas protestantes, mas, nem sempre com a “vocação apostólica” que se espera.

Tanto na idade média, quanto na era moderna, não é possível encontrar registro do uso do termo apóstolo

O enviado

O apóstolo, em seu significado léxico, representa “o enviado” e o termo foi usado originariamente por Jesus Cristo aos escolhidos para a pregação e propagação do Evangelho e denota, por si só, a missão de percorrer os lugares mais distantes aonde ainda não chegara a mensagem de Salvação. Em breve pesquisa pela história da Igreja, tanto na idade média, quanto na era moderna, não é possível encontrar registro do uso do termo apóstolo, uma vez que os próprios apóstolos de Cristo, os doze originais, não levantaram novos apóstolos, mas pastores e líderes na igreja. Entretanto, também é propagado que os apóstolos dos nossos dias podem ser considerados missionários, pelo sua significação primária e pela missão de propagar o evangelho. Mas não podemos vedar os olhos para a notada inversão dos significados do termo, principalmente pelo seu mais importante signo: a liderança de vidas cristãs. Por que usar o título “Apóstolo” e não apenas missionário? Simples: poder!

O blog Badarts publicou as fotos do local como ficou depois da passagem do “Apóstolo” por Teresópolis

Comércio

Senhores, independente do comércio em volta do evento, que também é identificado, por exemplo, em Aparecida, capital da fé católica em nosso país, e não obstante aos desvaneios de milagres e curas atribuídas ao religioso, nossa sociedade não pode estar alheia aos fenômenos de propagação de mensagens e de multidões. Um homem como esse, por exemplo, com um projeto de poder pode representar a alteração de nossa rotina de vida diretamente. Não precisamos fazer um exercício de memória tão grande assim para lembrar do quanto pode ser negativa a mão da fé e das práticas religiosas na política de um país e, consequentemente, na vida das pessoas. Uma religião com projeto de poder é sempre passível de cautela em sua avaliação enquanto condutora espiritual. Talvez seja por isso que o palco do evento dessa quinta-feira estava tão cheio de políticos de nosso estado e cidade. Até a próxima!

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