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Um Rio Salgado: a trajetória de Salgado Maranhão

O poeta Salgado Maranhão

Um grande poeta brasileiro presenteando Teresópolis com a sua trajetória de sucesso pelo mundo das palavras

Em uma oportunidade única, eu tive o prazer de entrevistar para o programa Super Mais, um dos maiores poetas brasileiros, premiado e traduzido para várias línguas, autor de oito livros e tema de exposição no SESC Teresópolis, Salgado Maranhão. A entrevista foi feita na própria exposição do artista, que veio do Rio de Janeiro especialmente para participar do programa Super Mais, motivo pelo qual me senti extremamente lisonjeada e confesso nervosa, pois nunca tinha passado por essa experiência, entrevistar alguém tão importante da literatura brasileira. Não sabia o que me aguardava e confesso, a ansiedade tomava conta de mim. O artista, Salgado Maranhão e o curador da exposição, Carlos Dimuro, chegaram no local da entrevista juntos, sem estrelismo e da forma mais natural possível. Fiquei impressionada com a simpatia e a simplicidade de ambos, para minha surpresa, eram pessoas aparentemente comuns, como eu e você que lê essa matéria, contudo, extremamente cultas e interessantes.

Salgado Maranhão concede entrevista para o Super Mais no SESC

Super Mais no SESC

Acabei fazendo todo o programa Super Mais ali mesmo no SESC, na sala destinada á exposição Um Rio Salgado: a trajetória de Salgado Maranhão, que traz uma coletânea de 25 painéis contando a emocionante vida do poeta.
José Salgado Santos, nasceu em um lugarejo chamado Cana Brava das Moças, interior do Maranhão. De família humilde, foi alfabetizado aos 15 anos de idade, vivia como um camponês junto de sua mãe. “Minha mãe era uma mulher do povo, ligada á cultura popular de cantadores repentistas, das danças populares, dança de crioula, bumba meu boi. Meu pai vinha de uma das famílias mais importantes do Maranhão. Nasci em uma fazenda de escravos, sou filho da casa grande e da senzala”, diz o poeta, que afirma que só ganhou a poesia porque foi criado ao lado da senzala. A cultura da sua mãe imprimiu o gosto pela poesia.

“Onde eu nasci, a servidão reinava insônia
Ao reis do lento vai e vem dos dias
Estar vivo já bastava.
Onde eu cresci meu reino era ninguém.
Eu sou aquele a quem não se esperava com a chave do nome e do vintém
E se algum rito interno me rondava era uma reza que só tinha amém
Viver era avançar em retrocesso por entre rotas ínvias sem acesso
A desbravar o mar sem caravelas
Qual párea que é o nutrir-se em seu reverso
O nada ter-lhe e tendo e por tabela
Só restem as palavras e as estrelas”.

 

“Minha mãe não teve acesso ao estudo, mas era louca pela cultura popular, ela sempre desejou que eu estudasse, mas no Maranhão não tinha escola. Foi então que nós fomos para Teresina, para trabalhar e estudar. A minha vontade era tão grande de estudar, que quando eu aprendi a ler, descobri uma biblioteca pública e a minha diversão era a literatura e em pouco tempo eu tinha lido 50 clássicos da literatura universal, entre eles, um em especial que me encantou e mudou minha vida, Fernando Pessoa”, conta Salgado.
Daquele dia em diante, então com 17 anos, ele decidiu ser poeta, e ressalta a importância da leitura para a formação do ser humano.

Exposição no Sesc foi prorrogada até o dia 30 de maio. vale a pena conferir!

Em Teresina

Três anos depois de se mudar para Teresina, começou a escrever para um grande jornal local, participava de grupos de teatro, e um dia teve a honra de entrevistar Torquato Neto, um dos mentores da Tropicália que ficou impressionado e o incentivou a vir para o Rio de Janeiro, era o ano de 1973. Chegando na capital cultural da época, começou a entrevistar várias celebridades, entre elas Gilberto Gil. Prestou vestibular para Comunicação Social e começou a estudar na PUC. Apesar da pouca idade, já se destacava no metiê: “Eu tinha fé, bravura”, disse o poeta. A Ebulição da Escrivatura, foi um dos livros mais divulgados e virou um ícone na década de 70. Ele estudava Comunicação social na PUC e o livro era dado para os alunos que estavam fazendo monografia na faculdade.

Autor de oito livros, Salgado Maranhão escreveu poemas traduzidos para diversas línguas e ganhou em 1998, o Prêmio da União Brasileira dos Escritores, em 1999 o Jabuti de Literatura. Em 2011, ele foi agraciado com outro prêmio, desta vez, pela Academia Brasileira de Letras, na categoria poesia, com o livro “A Cor da Palavra”.
Recebeu o convite de 52 universidades americanas para realizar palestras pelos Estados Unidos, onde passou três meses compartilhando de suas histórias e experiências com a poesia.
Escritor premiado, traduzido, Salgado Maranhão teve suas poesias musicadas por Ivan Lins, Zeca Baleiro, Vital Farias, entre outros grandes nomes da Música popular Brasileira. Ele afirma que a Tropicália também o influenciou, é fruto desse caldo de cultura, a poesia cantada e poesia popular clássica.

O poeta brasileiro Salgado Maranhão só foi alfabetizado aos 16 anos e hoje figura entre os premiados pela Academia Brasileira de Letras

Uma forma de fazer amigos

Tema de exposição no SESC em São Paulo, entrevistado por Jô Soares recentemente e agora ali comigo, participando do programa Super Mais como ilustre entrevistado.
“Foi uma trajetória tão surpreendente e tão improvável, que eu apenas vivi, não consegui me observar nessa caminhada”, afirma o poeta, que diz ser um espírito profundamente inquieto, nunca está satisfeito, está sempre buscando permanentemente.
“A minha poesia, fazer poesia é uma forma de fazer amigos…o que eu mais gosto na vida é de gostar, eu gosto de gente, eu gosto de trocar com as pessoas, eu não me controlo”.
O poeta diz que sua história é edificante para muita gente, que pensa que os obstáculos não são intransponíveis, segundo ele, os obstáculos podem ser transponíveis desde que se tenha foco e que as energias sejam gastas com algo edificante. A literatura é o caminho, é o que forma o imaginário de uma sociedade. Gonçalves Dias, inaugurou o Brasil com a canção do exílio: Minha Terra tem palmeiras, onde canta o sabiá. As aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá.

Livro publicado A Cor da Palavra

Simplicidade

O que mais me impressionou no artista, foi a sua simplicidade, apesar de ser quem é, e quando disse isso a ele, veio a resposta:
“Tendo uma relação simples com a vida, sem máscaras, sem biombos, faz com que eu possa conhecer as pessoas como elas são, se eu me coloco num pedestal, as pessoas se armam contra mim e eu não posso entrar na alma delas. Eu quero habitar o coração das pessoas”.
Salgado Maranhão afirmou que o SESC faz o papel de Ministério da Cultura, porque tem capilaridade com a sociedade, porque é próxima e acessível a qualquer pessoa que se interesse por cultura. “Cultura deve ser uma coisa constante, cultura é todo dia”.

 

Salgado Maranhão é Patrimônio Cultural nosso!!! Aqui em Teresópolis… aqui no Super Mais!!!

OBRAS DO POETA:
Ebulição da Escrivatura (antologia poética)
Encontros com a Civilização Brasileira
Aboio ou a Saga do Nordestino em Busca da Terra Prometida
Os Punhos da Serpente
Palávora
O Beijo da Fera
Mural de Ventos (Prêmio Jabuti 1999)
Sol Sanguíneo
Solo de Gaveta
A Pelagem da Tigra
A Cor da Palavra
Blood of the Sun (2012) Milkweed editions versão de Alexis Levitin

 

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