Upa volta a gerar reclamação de pacientes e familiares

A imagem enviada por um dos pacientes da Upa mostra que faltam investimentos básicos no conforto de quem aguarda atendimento

A imagem enviada por um dos pacientes da Upa mostra que faltam investimentos básicos no conforto de quem aguarda atendimento

– Unidade padece com problemas estruturais e pacientes sofrem aguardando atendimento

Única porta de entrada SUS para serviços de pronto atendimento em Teresópolis, a UPA do Bom Retiro ganhou destaques negativos no último final de semana. A morte de um paciente de 35 anos na fila de espera, a falta de socorro para um doente renal crônico e até a falta de atendimento para uma mulher com dores na coluna são apenas alguns dos problemas que ganharam repercussão especialmente nas redes sociais. Quem precisa se submeter aos serviços da unidade denuncia com frequência os problemas que vão desde a estrutura, como assentos quebrados e fios expostos, chegando ao atendimento prestado aos doentes. Recentemente a Prefeitura contratou, por força de Liminar, uma Organização Social (OS) para administrar a unidade, desembolsando não menos do que R$ 16 milhões.

Os dias conturbados começaram na última sexta-feira, 26, quando um paciente de 35 anos teria morrido à espera de atendimento na unidade. Segundo relatos, ele só foi socorrido depois de um longo período de espera e com a insistência dos seus familiares, que apelavam pela velocidade no atendimento. Informações obtidas através de fontes na unidade dão conta que o homem teria sofrido pelo menos cinco paradas cardíacas na unidade antes de morrer. Após a morte ter

sido constatada, familiares ficaram exaltados e houve um princípio de tumulto.

Para o presidente do Conselho de Saúde, Valdir Paulino, boa parte dos problemas com a Upa se resolveriam com a ampliação do número de leitos SUS nos hospitais da cidade

Para o presidente do Conselho de Saúde, Valdir Paulino, boa parte dos problemas com a Upa se resolveriam com a ampliação do número de leitos SUS nos hospitais da cidade

“Experiência desagradável”

O caso foi acompanhado pelo biólogo Raul Marques, que estava acompanhando sua mãe. Ela padecia de dores na coluna e acabou indo para casa sem receber o atendimento. “Na verdade foi uma experiência muito desagradável. Vim trazer minha mãe com problemas na coluna e acabei presenciando pessoas morrendo na fila de espera e gente sendo mal tratada por causa disso. A esposa do rapaz que morreu ficou nervosa, fora de si e foi chamada de maluca pelos funcionários. Minha mãe não foi atendida porque na dentro da classificação de risco eles julgaram que o problema não era sério e tivemos que desistir”, relata. Segundo Marques, alguns funcionários da unidade não estariam preparados para atender os pacientes. “A indiferença que os funcionários tratam os doentes é uma coisa absurda. Afinal de contas, quem vem para cá está em situação ruim. São tratados com indiferença. Acredito que isso seja pelo fato desses profissionais estarem acompanhando o sofrimento de forma tão frequente que não se importam mais com os outros”, opina. Raul relata também que ouviu de pacientes que a unidade sofre também da falta de insumos, como álcool e também de medicamentos em sua farmácia. “O atendimento não funcionava. As pessoas tinham que ficar esperando. Vi uma pessoa morrer assim. É uma situação deprimente, humilhante para quem vem aqui em busca de socorro, já que esse é o único lugar que você pode recorrer”, relata.

 

O problema da hemodiálise

Outro caso que repercutiu foi de um paciente que sofre de insuficiência renal crônica que deu entrada na Upa na semana passada. Desde sexta-feira, 26, parentes e amigos começaram uma campanha pelas redes sociais para tentar sensibilizar as autoridades no sentido de conseguir uma vaga para transferir o doente para um dos hospitais conveniados ao município. No domingo, 28, chegou a acontecer uma manifestação na porta da Upa. Nesta segunda-feira ele foi transferido para a enfermaria do Hospital São José, onde teria recebido o tratamento devido.

Dada a política do Governo Municipal de nunca responder os questionamentos do cidadão, a reportagem ouviu o presidente do Conselho Municipal de Saúde, Valdir Paulino. O representante lamentou os casos e garante que acompanhou tudo de perto, relatando inclusive a presença do secretário de Saúde de Teresópolis, Júlio César Ambrósio. “Teve o caso desse rapaz que veio a óbito. Ele teve cinco paradas cardíacas e os médicos fizeram tudo para conseguir reanimar. Infelizmente não teve jeito. A família acabou se revoltando. O caso do rapaz da hemodiálise, ele dializou em Itaboraí na sexta-feira e foi para a Upa. Ele agora vai para o Hospital São José onde vai receber o tratamento. Nos momentos que estive lá vi que o secretário também estava presente, tentando solucionar os problemas que surgiram”, garante o presidente.

 

Leitos não são suficientes

Na avaliação de Valdir Paulino, boa parte dos problemas da Upa seriam resolvidos com a solução da questão dos leitos disponíveis ao SUS em Teresópolis. Segundo números do próprio Conselho, são 284 vagas nos três hospitais da cidade, sendo 138 no Hospital das Clínicas, 76 na Beneficência Portuguesa e 70 no Hospital São José. “No Governo Jorge Mário foram fechados 46 leitos no Hospital das Clínicas e a Upa veio para ser de graça para o município. Hoje ela custa muito aos cofres públicos. O Conselho está cobrando e o secretário de Saúde está tentando conseguir a abertura de novos leitos junto ao Ministério da Saúde, para ampliar essa rede. Temos poucos leitos para a demanda de hoje. Em 2009 era uma situação, mas hoje, em 2016, aumentou a população e os leitos diminuíram”, relata. Ainda de acordo com o presidente do Conselho de Saúde, a direção da empresa que vai administrar a Clínica de Hemodiálise já solicitou a vistoria da Vigilância Sanitária Estadual para começar o tratamento aos pacientes. “Precisamos que a clínica seja inaugurada o mais rápido possível. Todas as medidas que precisavam ser tomadas já foram concluídas. Agora só falta o Estado”, finaliza.

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André Oliveira é comunicador e fotógrafo. Tem 20 anos de experiência no setor de comunicações, com passagens por diversos segmentos como rádio, jornal, revista e TV. É repórter e apresentador do jornal O DIÁRIO e da DIÁRIO TV.

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