Visitantes se perdem em trilha do Parque dos Três Picos

Davi reconhece que o problema começou quando ele e Jonathan resolveram explorar uma trilha diferente que avistaram na Pedra do Elefante

Davi reconhece que o problema começou quando ele e Jonathan resolveram explorar uma trilha diferente que avistaram na Pedra do Elefante

– Passeio que começou o Soberbo terminou no dia seguinte em Guapimirim

Na última segunda-feira, 12, uma caminhada pela trilha da Pedra do Elefante, no Parque Estadual dos Três Picos, acabou se transformando em uma verdadeira aventura para uma dupla de amigos. Sergio Adriano Nascimento e Jonathan dos Santos foram fazer um passeio e acabaram se perdendo do caminho. Os dois não conseguiram voltar e acabaram ficando o dia inteiro e depois à noite no meio da mata. Sem roupa adequada e nem alimento, os dois conseguiram contatar através do telefone celular parentes em Teresópolis e alertaram o Corpo de Bombeiros. Militares da corporação e agentes do Parque iniciaram operações de busca. A aventura só terminou na manhã desta terça-feira, 13, quando os dois chegaram a um condomínio no bairro de Caneca Fina, em Guapimirim, onde conseguiram ligar para parentes e solicitar o resgate.

Recuperados do susto, Sérgio e Jonathan falaram sobre a aventura. “Já é uma trilha conhecida, fizemos ela outras vezes. Só que dessa vez estendemos um pouco mais e exploramos uma trilha que havia depois do Elefante. Acabamos nos perdendo”, detalha Sergio. “Não conseguimos voltar e passamos a noite no meio da mata. Fomos parar bem longe”, reconhece. De acordo com Sérgio, ele e o amigo não tinham nenhum mantimento em mãos e nem recursos para estender a passagem na região. “Em determinado ponto da caminhada nós encontramos um córrego e seguimos o fluxo da água. Quando acabou tentamos voltar e nos perdemos”, detalha. Guias do Centro Excursionista de Teresópolis – CET – consultados pela reportagem calculam que, pelo relato, Sérgio e Jonathan passaram direto pelo mirante em direção a um descampado onde se costuma fazer acampamentos. Deli teriam seguido por picadas na mata e acabaram se perdendo.

Sérgio e Jonathan passaram mais de 24 horas perdidos na Mata que fica entre os parques dos Três Picos e Serra dos Órgãos

Sérgio e Jonathan passaram mais de 24 horas perdidos na Mata que fica entre os parques dos Três Picos e Serra dos Órgãos

Aviso por celular

O celular de Jonathan acabou sendo vital para a comunicação com familiares e autoridades. O aparelho estava com metade da carga e serviu também para que fossem feitas fotos do local onde os dois estavam. “Conseguimos falar com os bombeiros e com nossos parentes. Depois a bateria acabou. Quando anoiteceu ficamos na parte alta da encosta. Havia um isqueiro conosco e improvisamos uma fogueira para passar a noite. Quando amanheceu, continuamos descendo a trilha em busca de saída”, conta Sérgio.

Os dois visitantes da reserva estavam visivelmente extenuados pela noite difícil e pela longa caminhada. Braços e pernas apresentavam arranhões provocados pela vegetação que tiveram de enfrentar ao longo do trajeto, que só terminou em Caneca Fina.

“Foi um grande susto, não foi nada fácil. Ainda bem que somos dois homens e adultos. Se tivesse mulher ou criança conosco, não sei se conseguiriam continuar até onde fomos. Uma aventura e tanto”, reconhece Jonathan. “A gente sabia que ia conseguir sair bem dessa. Mantivemos a calma e não entramos em desespero. Dormimos e aguardamos o amanhecer para continuar”, completa.

Quando Jonathan e Sérgio avistaram as casas de um condomínio em Caneca Fina, veio a sensação de alívio. “Vimos as casas e entendemos que chegamos a algum lugar. Lá pedimos ajuda. As pessoas pensaram que éramos caçadores. Dali conseguimos pedir socorro”, conta Sérgio. “Mesmo tendo saído sem ajuda, temos que agradecer muito aos bombeiros e os agentes do Parque dos Três Picos que se esforçaram muito pra procurar a gente. Nós já agradecemos a eles pessoalmente”, garante Sérgio. “Ficou a lição e a dica pra quem for fazer esse passeio, que procure levar equipamento, andar com quem conhece o local e não sair da trilha demarcada pelo Parque”, reconhece.

 

A Pedra do Elefante

A Pedra do Elefante fica na área do Parque Estadual dos Três Picos. O atrativo turístico tem altitude: 1.180 metros e sua trilha de acesso  é considerada por especialistas como leve, superior, de curta distância, com trechos de forte inclinação e pontos onde é necessário segurar em cordas fixas para fazer ascensão. Do mirante, aonde se chega com cerca de 30 minutos de caminhada, se te uma excelente vista para Serra dos Órgãos, Rio-Teresópolis e Soberbo. De alguns pontos, se avista boa parte de Teresópolis, como o Lago do Comary e campos da CBF.

Recentemente, foi feita manutenção da trilha, com colocação de degraus, placas indicativas sobre o local e algumas orientando o caminho certo da trilha. Ato de vândalos, todas foram arrancadas menos de um mês depois.

Não é a primeira vez que alguém se perde na trilha da Pedra do Elefante. Em setembro do ano passado, um homem de 47 anos e a filha de 19 erraram o caminho de volta e terminaram passando por mais de 24h de tensão em meio a Mata Atlântica. O problema foi semelhante. Os dois passaram do mirante e após a área de camping, pegaram outra trilha ao voltar e acabaram tomando sentido contrário ao batido e bastante frequentado caminho. Assim, seguiram sentido Vale da Revolta e, somente várias horas depois, conseguiram contato com o quartel dos Bombeiros. Com as informações passadas via celular, os militares chegaram ao ponto indicado pelas vítimas que, mais uma vez, comentaram um grande erro. Deixando o ponto onde haviam indicado aos Bombeiros. Equipes dos parques Serra dos Órgãos e Três Picos participaram das buscas. O resgate aconteceu 24 horas depois.

A Pedra do Elefante (ao fundo) pode ser acessada através de uma trilha considerada leve, superior, de curta distância e com trechos de forte inclinação

A Pedra do Elefante (ao fundo) pode ser acessada através de uma trilha considerada leve, superior, de curta distância e com trechos de forte inclinação

Atenção na montanha

Praticar montanhismo não é como ir ao shopping. Por isso, os iniciantes nesse esporte devem prestar bastante atenção, pois estarão se aventurando em ambiente natural e, consequentemente, estarão sujeitos a riscos diversos. Para evitar a possibilidade de problemas que podem gerar acidentes até fatais, alguns procedimentos devem ser tomados:

– Siga sempre pelo caminho principal, geralmente mais batido e aberto, com pelo menos marca de passagem no solo. No caso do Elefante, ele é bastante evidente devido ao grande número de visitantes;

– Consequentemente, evite atalhos. Causam danos ao solo e vegetação e podem levar a locais perigosos, aumentando também o risco de se perder.

– Se perceber que o caminho está errado, pare e tente encontrar a trilha novamente. Evite continuar seguindo em frente se não tiver certeza onde está. Uma dica é ir observando ponto a ponto da trilha, que podem servir de referência na hora de encontrar o caminho de volta.

– Busque o máximo de informações sobre o local e/ou utilize mapas ou GPS. Para os passeios mais longos e de difícil orientação, a recomendação é buscar um guia.

– Lanterna, agasalho tipo abrigo e água devem fazer parte do kit do caminhante, mesmo para passeios mais curtos. Um pé torcido pode render horas no meio da floresta. Além disso, o tempo pode mudar bruscamente.

– Leve sempre um telefone celular carregado e avise a amigos e parentes onde está, com previsão de horário de retorno. Em caso de contratempos, eles podem fazer contato com o resgate. Atualmente, através do celular é possível enviar sua localização precisa.

 

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