Vítimas da tragédia acampam na Fazenda Ermitage

Faixa colocada no acesso à Fazenda Ermitage mostra o drama das famílias atingidas pela tragédia das chuvas: Cinco anos sem moradia

Faixa colocada no acesso à Fazenda Ermitage mostra o drama das famílias atingidas pela tragédia das chuvas: Cinco anos sem moradia

– Projeto tem como alvo o atraso do aluguel social do Estado e falta de previsão de ocupar as unidades

Desde a última terça-feira, 1º de novembro, um grupo de vítimas da tragédia das chuvas que devastaram bairros inteiros da cidade em 2011 resolveu montar acampamento no terreno que dá acesso à Fazenda Ermitage, local onde o Estado do Rio e a Caixa Econômica construíram os blocos de prédios que vão abrigar cerca de 1600 famílias que perderam suas casas. O grupo protesta contra os constantes atrasos no pagamento do benefício do Aluguel Social e pela falta de informações sobre possíveis prazos para que as unidades habitacionais sejam entregues. Os manifestantes estão abrigados em barracas de camping, lonas de plástico e contam com a solidariedade de terceiros para ter o que comer.

O acampamento é mais um dos protestos realizados por vítimas por conta dos problemas que surgiram no desenrolar do processo de construção da unidade. Hoje, perto de completar seis anos da tragédia, nenhuma das casas foi entregue. Para piorar a situação, a crise financeira que atinge o Estado do Rio provoca constantes atrasos no pagamento do benefício do Aluguel Social.

Família cansaram de esperar a regularização do pagamento do aluguel social e resolveram montar acampamento junto aos prédios da Fazenda Ermitage

Família cansaram de esperar a regularização do pagamento do aluguel social e resolveram montar acampamento junto aos prédios da Fazenda Ermitage

Processo lento

Em abril deste ano a Caixa sorteou os primeiros 700 apartamentos entre cerca de 900 famílias que já tinham passado por todo o processo do sistema de habitação. Depois desse procedimento, nada mais se falou oficialmente sobre a entrega definitiva das chaves. O que se sabe é que a Concessionária Rio-Teresópolis, administradora da BR-116, não deverá autorizar o procedimento até que seja erguido um viaduto sobre aquele trecho de rodovia. O Governo do Estado tentou uma solução paliativa, construindo uma passagem subterrânea. Apesar de a obra ter sido concluída, os apartamentos seguem fechados.

Em julho o Governo do Estado realizou a tão esperada licitação para a construção do viaduto. A vencedora do processo foi a empresa Dimensional, a mesma que realizou obras emergenciais em bairros como Posse e Caleme no pós-tragédia. A construtora receberia, pelos serviços, a quantia de R$ 39 milhões. Desde então, nem construtora e nem Governo deram qualquer informação sobre o processo e as etapas a seguir.

 

Famílias acampadas

Desde a última terça-feira o grupo organizado de vítimas está acampado. Segundo os próprios manifestadas, alguns se revezam na vigília, enquanto outros seguem abrigados nas barracas. “Nós estamos aqui porque a maioria das pessoas está há dois meses sem receber o aluguel social”, justifica Matheus Oliveira, que morava no bairro do Campo Grande até perder sua casa. “Não queremos mais isso. Eles fazem arresto, a gente recebe um mês e depois fica até dois meses atrasado e sem previsão. Estamos aqui para ver se o Governo do Rio faz alguma coisa por nós. Têm que entregar as nossas casas. Os apartamentos estão prontos e só falta entregar as chaves. Vamos ficar aqui até sermos atendidos”, garante.

Participante do acampamento, Fabiane dos Santos também perdeu sua antiga casa na localidade do Rincão Gaúcho, no 2º Distrito. Embora ela esteja em dia com seu benefício, pago pela Prefeitura, fez questão de se juntar às famílias no protesto. “Nós convocamos todos para que se juntem a essa luta, que venham colaborar. Eu recebo o aluguel social da Prefeitura e estou aqui ao lado deles desde que chegaram aqui. Todas as pessoas interessadas têm que vir e participar, mesmo que fique uma ou duas horas, mas faça parte. Traga uma doação, uma água, dê uma força. Não temos que ficar em casa, também quero meu apartamento, meus direitos”, convoca.

 

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André Oliveira é comunicador e fotógrafo. Tem 20 anos de experiência no setor de comunicações, com passagens por diversos segmentos como rádio, jornal, revista e TV. É repórter e apresentador do jornal O DIÁRIO e da DIÁRIO TV.

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