Campanha faz conscientização sobre prevenção ao suicídio

A psicóloga Silvia Rocha adverte para os sinais de depressão que normalmente antecedem as tentativas de suicídio

A psicóloga Silvia Rocha adverte para os sinais de depressão que normalmente antecedem as tentativas de suicídio

– Setembro Amarelo alerta para cuidados e sinais que servem de alerta para parentes e amigos

Com o objetivo de alertar a população sobre a realidade do suicídio no Brasil e no mundo, foi criada campanha do Setembro Amarelo. Desde 2014 locais públicos e privados são identificados com a cor amarela para divulgar e conscientizar sobre essa realidade. O movimento acontece no mês de setembro em todo o mundo. O suicídio é considerado um problema de saúde pública. Números oficiais apontam para uma taxa de 32 ocorrências por dia no Brasil, número que supera as vítimas de Aids e câncer no país.

Na opinião da psicóloga Silvia Rocha, esse tipo de campanha tem importância inquestionável. “Campanhas assim são importantes porque muitas pessoas têm tabu de falar sobre morte, suicídio ou outras coisas negativas. As pessoas não querem comentar esses assuntos até por medo. Também pelo crescimento do número de suicídios no Brasil, principalmente entre jovens de 14 a 18 anos. Daí a importância da campanha”, avalia.

A profissional recomenda atenção especial para pessoas que desenvolvam os diversos tipos de depressão, que normalmente precedem o ato do suicídio. “É muito comum que o suicídio passe antes pelo estágio da depressão. A pessoa desenvolve pensamentos negativos e tudo de bom que ela tem fica numa sombra. Ela vive apenas a prostração, melancolia, tristeza, tudo isso envolvido a várias outras emoções como raiva e culpa, pensamentos muito comuns”, detalha. “Também pode acontecer da pessoa ter um ego frágil e passar por um trauma, um acidente, separação, perda de emprego e até uma crise. Isso pode acarretar o impulso do suicídio. Ou seja, sem passar pela depressão”.

Atenção aos sinais

De acordo com a profissional, familiares e amigos precisam estar atentos às pessoas que emitem sinais de que algo está errado. “Principalmente as mudanças de comportamento. Às vezes a pessoa tem um hobby, ela pratica esportes, sai com amigos. Depois pára com tudo isso. Deixa de praticar esportes, não procura os amigos, vai se isolando aos poucos. Isso é sinal de que pode estar se desenvolvendo uma depressão. Também as declarações do tipo ‘Não agüento mais essa situação’, ‘Queria que essa vida terminasse’, ‘Isso tudo tem que acabar’… São frases de alerta. Professores, amigos, parentes, todo precisam ficar atentos”, adverte Silvia, que também aponta o silêncio e a falta de ‘brilho’ no olhar como outros sinais importantes. Esses sinais são uma ‘deixa’ para que um profissional seja procurado. “Algumas pessoas buscam essa ajuda por si próprias. Elas estão deprimidas e não agüentam esse estado, que normalmente acompanha os pensamentos suicidas. Outras não. Por isso, familiares e pessoas próximas devem se mostrar disponíveis para saber o que está acontecendo. Muita gente sofre calada e não tem com quem conversar. Isso pode ser constrangedor por se tratar de um filho ou irmão. Pensam apenas que ela ‘tá mal’ e não sabem o que fazer”, aponta. A psicóloga recomenda que haja a aproximação e que a pessoa procure mais escutar do que falar, mostrando-se sempre disponível para ajudar e sempre propor a ajuda. “Se for preciso, acompanhar na ida até o profissional, pegar pela mão e levar, dar o apoio”, recomenda.

Tratamento longo

Segundo Silvia, o tratamento orientado pelo profissional psicólogo ou psiquiatra é longo e visa ajudar a pessoa a atravessar o momento. “Primeiro é feito um acolhimento para entender o momento que a pessoa tá vivendo. A depressão é algo muito sério e profundo e a saída desse estado não acontece de um dia para o outro. O terapeuta não vai consertar o que está errado, mas vai oferecer todo o apoio para essa passagem acontecer. O pensamento de morte é na verdade o desejo de acabar com a dor, sofrimento, aquele ‘não agüento mais’. O profissional vai junto com essa pessoa para passar essa morte simbólica. O que precisa morrer? Essa morte significa o fechamento de um ciclo. Dentro da terapia ela vai fazer isso, até porque não é fácil fazer socinha. Com ajuda isso se dará de forma amena”, recomenda.

Apesar dos números alarmantes relacionados ao suicídio no Brasil, a Organização Mundial da Saúde garante que 9 em cada 10 dados poderiam ser prevenidos se a pessoa consegue atenção de quem está a sua volta e consequentemente é encaminhada a algum a ajuda.

 

Deixe seu comentário

André Oliveira é comunicador e fotógrafo. Tem 20 anos de experiência no setor de comunicações, com passagens por diversos segmentos como rádio, jornal, revista e TV. É repórter e apresentador do jornal O DIÁRIO e da DIÁRIO TV.

Deixe uma resposta

Diario TV

Carregando...

Facebook

Twitter Diário TV

Assine nossa newsletter

Loading...Loading...