Crime ambiental acontece na Quinta da Barra

Monte de terra despejado entre domingo e esta quarta-feira, segundo apurou O DIÁRIO

- Floresta vira “bota fora” de entulhos e restos de material de construção

 

Ao longo de sua história, Teresópolis passou por diversos desastres naturais, muitos deles com vítimas fatais. O maior deles, em janeiro de 2011, vitimou centenas de famílias e ganhou repercussão nacional tamanha a sua proporção. No ano seguinte, no dia 6 de abril, mais seis pessoas perderam a vida em decorrência de deslizamentos de terra. Porém, mesmo após assistir ou ser vítima direta das enchentes e escorregamentos de terra, muita gente ainda não aprendeu que as catástrofes têm sido ampliadas devido a ocupação ou utilização irregular de encostas ou margens de rios. Nesta quarta-feira, O DIÁRIO registrou a ampliação de um crime ambiental que se arrasta há anos no município: A transformação de florestas em lixões clandestinos, no caso, na Quinta da Barra. O final da Rua Lupicínio Rodrigues, acesso de um local que poderia inclusive ser utilizado como ponto turístico, o Vale da Lua, foi transformado em um “bota fora” de terra e restos de material de construção. A montanha de entulhos cresce a cada dia e vem sendo empurrada em direção a um barranco. Ou seja, em um futuro talvez não muito distante, todo esse material que não serve mais para um grupo de pessoas e foi descartado de forma irregular pode causar um escorregamento de terra e retirar a vida de pessoas que não têm nada a ver com essa triste história.

“Bota fora”: Área onde eram depositadas sacolas de lixo agora recebe caminhões de entulho e terra

Depósito irregular de lixo

A utilização desse ponto como depósito irregular de lixo já foi denunciada pelo DIÁRIO algumas vezes. Porém, como se trata de um lugar deserto e de difícil acesso, o combate ao crime ambiental não pode ser tão eficiente. E não é somente no final da Lupicínio Rodrigues que estão sendo depositados entulhos com terra ou sobras de material de construção ou ainda móveis que não têm mais utilidade. Ao longo de boa parte da via há diversos “montinhos”, que se somam ainda dezenas de sacolas plásticas.
Os depósitos irregulares de lixo estão sendo criados a partir de um trecho onde não há mais residências. A falta de iluminação e presença de moradores facilita a ação criminosa, que poderia gerar multa de até R$ 1 mil (dobrando em caso de reincidência). E, segundo mais um flagrante que fizemos nesta quarta-feira, poderia gerar até cadeia: Além dos constantes crimes ambientais, o local ermo pode estar sendo frequentado por ladrões de residências. No canto da via pública, encontramos diversas bijuterias um relógio, que aparentemente foram abandonados pelos autores de um furto, visto que esse tipo de crime tem sido frequente naquela região. Outro recorrente nessa área é o desmanche de veículos, estando o que sobrou de um deles no meio dos entulhos.

Apesar da placa instalada pela Associação de Moradores, a quantidade de lixo é cada vez maior

Problemas antigos, difíceis de resolver

No ano passado, O DIÁRIO publicou duas reportagens sobre o tema, mostrando a situação da Quinta da Barra, da Vila Muqui e Tijuca. “O crime ambiental que vem acontecendo em alguns bairros e que pode contribuir com novas tragédias ou, no mínimo, com a queda da qualidade de vida e a proliferação de doenças: A utilização de vias públicas e terrenos baldios para o despejo de lixo domiciliar e restos de obras, algumas vezes, inclusive, em áreas de proteção ambiental”, já alertava o jornal. Na Vila Muqui, por exemplo, além de utilizarem um barranco para jogar entulhos e sacolas de lixo, despejaram um caminhão de restos de telha e paredes na estrada das torres de TV. “Isso é um absurdo. A pessoa que faz isso é uma criminosa, pois está ajudando a causar novos deslizamentos, que podem atingir quem mora na parte de baixo do bairro”, reclamou ao jornal à época Leandro Costa, residente em Paineiras, através do e-mail leitor@odiariodeteresopolis.com.br.

Ao longo da rua Lupcínio Rodrigues, há diversos outros locais transformados em lixeiras

Restos de obras

Na última reportagem, também atendendo a reclamação de um leitor, estivemos na Granja Guarani. Entre as alamedas Arnaldo Guinle e Poranga, em área vizinha ao Parque Nacional da Serra dos Órgãos, o problema também são os restos de obras, que se juntam a lixo de todo o tipo. Apesar de a área de preservação ambiental garantir qualidade de vida para os moradores da região, alguns continuam desrespeitando o meio ambiente. “O nosso bairro tem coleta de lixo, mas sempre tem um mal educado que faz isso. No lugar de jogar na lixeira, joga na mata porque é mais perto”, relatou André Benitez.
Segundo a Prefeitura, para quem joga lixo nesses terrenos ou em via pública a multa equivale a R$ 1.000,00 e pode dobrar em caso de reincidência e a fiscalização é feita pela a equipe do Controle Urbano. Além disso, os donos dos terrenos também são responsáveis pela preservação do seu patrimônio e são obrigados a cercar e murar, ficando sujeito as penalidades da lei, que no caso são 500 UFIR. Denúncias de despejo de lixo podem ser feitas na Ouvidoria, pelo telefone 0800 282 5074, ou nas Secretarias de Posturas (2742-8445) e Meio Ambiente (2742-7763)

Até o que sobrou de um veículo foi jogado no meio do monte de terra e restos de material de obra

Lei de Crimes Ambientais

Com a aprovação da Lei de Crimes Ambientais, ou Lei da Natureza (Lei Nº 9.605 de 13 de fevereiro de 1998), a sociedade brasileira, os órgãos ambientais e o Ministério Público passaram a contar com um mecanismo para punição aos infratores do meio ambiente. A Lei de Crimes Ambientais reordenou a legislação ambiental brasileira no que se refere às infrações e punições.
De acordo com a Lei de Crimes Ambientais, eles são classificados em seis tipos diferentes: – Crimes contra a fauna: agressões cometidas contra animais silvestres, nativos ou em rota migratória. – Crimes contra a flora: destruir ou danificar floresta de preservação permanente mesmo que em formação, ou utilizá-la em desacordo com as normas de proteção. -Poluição e outros crimes ambientais: a poluição que provoque ou possa provocar danos a saúde humana, mortandade de animais e destruição significativa da flora. – Crimes contra o ordenamento urbano e o patrimônio cultural: construção em áreas de preservação ou no seu entorno, sem autorização ou em desacordo com a autorização concedida.

 

Repórter, Editor do jornal O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS, Marcello Medeiros atua na imprensa teresopolitana desde 1995. Atualmente, também assina a coluna “Mochileiro”, no próprio jornal, e apresenta programa homônimo na DIÁRIO TV.

2 Respostas para “Crime ambiental acontece na Quinta da Barra”

  1. Orgone disse:

    A Prefeitura podia criar um serviço gratuito de coleta de entulho de pequenas quantidades, como na capital. Paralelamente poderia também espalhar câmeras de monitoramento pela cidade para coibir vários crimes, inclusive o ambiental.

  2. mauricio machado disse:

    a culpa e da prefeitura municipal, vc chega no lixao pra colocar lixo vem a resposta !!!!!!! tem que ser cadastrado, tem que ir na prefeitura so resta o povo jogar nas ruas

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