Fogo em vegetação preocupa Corpo de Bombeiros

“Orientamos sempre para que as pessoas denunciem essas queimadas criminosas. Não é somente algo que provoca prejuízo para a população, mas trata-se de um crime ambiental gravíssimo, sujeito à multas”, lembra o Tenente Fábio Pimentel, do 16º

“Orientamos sempre para que as pessoas denunciem essas queimadas criminosas. Não é somente algo que provoca prejuízo para a população, mas trata-se de um crime ambiental gravíssimo, sujeito à multas”, lembra o Tenente Fábio Pimentel, do 16º

– 16º GBM registrou mais de uma saída por dia no mês de agosto

O problema é antigo e milhares de pessoas são afetadas anualmente por ele, mas, infelizmente, muitas delas ainda insistem em pratica-lo. O fogo em vegetação, crime previsto em lei, continua sendo praticado em diversos pontos do município, gerando grande preocupação à instituição responsável por combatê-lo direta e indiretamente, o Corpo de Bombeiros. Só para ter uma ideia da gravidade da situação, somente no mês de agosto o 16º GBM registrou 34 saídas para controle de queimadas, sendo 21 na área urbana e parte do Segundo Distrito e mais 13 no Terceiro Distrito, já de responsabilidade do destacamento localizado em Bonsucesso.

Entre os chamados essa semana, os militares lotados no quartel do bairro de Pimenteiras foram acionados para controle em fogo no topo de morro localizado entre Paineiras, Vila Muqui e Várzea, local que eles conhecem bem: Todos os anos acontecem incêndios criminosos nesse trecho. Dessa forma, a natureza parece não ter mais força para retomar seu espaço, tamanha a frequência das chamas. Assim, sem a possibilidade de árvores crescerem, o solo fica mais pobre e suscetível a deslizamentos de terra. Situação parecida acontece na área entre Bairro dos Artistas e o cemitério municipal Carlinda Berlim, o Caingá. Basta começar o período de estiagem para os Bombeiros serem acionados para controle de fogo em vegetação nessa região, sendo que frequentemente as labaredas costumam chegar bem perto das residências.

Em 2015, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o número de queimadas aumentou 27,5% em todo o país, sendo registrados mais de 235 mil ocorrências. Os incêndios florestais detectados pelos satélites predominaram exatamente no período menos chuvoso, entre agosto e dezembro. No ano passado Teresópolis registrou centenas de focos, lembrando que na nossa região o trabalho de combate é sempre dificultado pelas condições do terreno, florestas fechadas em muitos pontos, trechos íngremes e penhascos. Nesse tipo de atendimento o trabalho dos bombeiros é mais braçal, utilizando bombas costais, abafadores e pás.

Provocar incêndio em mata ou floresta acarreta pena de reclusão, de dois a quatro anos, e multa que varia de R$ 500 a R$ 500 mil

Provocar incêndio em mata ou floresta acarreta pena de reclusão, de dois a quatro anos, e multa que varia de R$ 500 a R$ 500 mil

Bombeiros em alerta

No final do mês passado, o Tenente Fábio Pimentel, oficial do 16º Grupamento de Bombeiros Militares de Teresópolis, anunciou um panorama local para o período, indicando que a situação pode ficar ainda mais crítica. “Temos números estatísticos muito altos nessa época do ano. Chegamos a atuar na estiagem em até três eventos por dia”, revela. Segundo ele, as causas desses eventos são, na maioria, acidentais. “Normalmente é alguém que não tinha intenção de propagar o fogo, mas que faz o aceiro mal feito e depois que ateia fogo no lixo, não tem a preocupação com as condições do vento”, revela o bombeiro. O aceiro a que se refere o oficial é uma lavra de terreno em volta da propriedade que impede a propagação do incêndio. “O vento leva a fuligem para outras áreas secas e os incêndios acontecem”, revela.

Segundo o Tenente Fábio, existem também as queimadas criminosas que são denunciadas. “Orientamos sempre para que as pessoas denunciem essas queimadas criminosas. Não é somente algo que provoca prejuízo para a população, mas trata-se de um crime ambiental gravíssimo, sujeito à multas”, detalha. “Com relação aos incêndios acidentais, nossa orientação é que as pessoas não queimem folhas e lixo  de quintal. Jamais façam isso. Não é possível prever o que o vento vai provocar quando leva uma centelha para um lugar seco”, recomenda.

Ainda de acordo com o oficial, outra prática abominável, de soltar balões, também é criminosa. “Balões são criminosos. Essa prática vem de muitos anos e já consideramos extirpada. É um crime porque não há como dimensionar as consequências da queda de um balão em uma área de reserva”, alerta. Por fim, o Tenente Fábio Pimentel alerta para outras consequências das queimadas e que muitas pessoas não tem conhecimento. “Existem muitos estudos com relação as consequências do fogo em vegetação, ligações fortes de áreas que se queimam em determinada época do ano e que acabam desmoronando no verão. Há o empobrecimento do solo, a falta de percolação da água no solo e isso provoca o escorregamento da massa. Quem não se preocupa hoje com as queimadas, não está projetando o perigo para o futuro, quando podem ocorrer desabamentos”, alerta.

 

Punição para os criminosos

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) determinou a proibição da queima a céu aberto de resíduos sólidos ou de forma não licenciada. Essa situação se agrava, caso o fogo se propague pela vegetação: de acordo com a Lei 9605, provocar incêndio em mata ou floresta acarreta pena de reclusão, de dois a quatro anos, e multa que varia de R$ 500 a R$ 500 mil. Se o crime for considerado culposo, a pena é de detenção de seis meses a um ano, e multa. Em Teresópolis, nos últimos anos esse tipo de crime só não causou mais danos nas nossas áreas verdes por conta do trabalho de prevenção realizado pelo Corpo de Bombeiros e fiscalização por parte também da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.  Denúncias de queimadas ou limpeza de quintal com fogo podem ser passadas para o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 ou para as secretarias de Meio Ambiente (2742-7763) e Defesa Civil (199).

 

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Jornalista, Editor do jornal O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS, Marcello Medeiros atua na imprensa teresopolitana desde 1995. Atualmente, também assina a coluna “Mochileiro”, no próprio jornal, e apresenta programa homônimo na DIÁRIO TV.

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