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Prefeitura economiza até na hora de sepultar os mortos

Com uma área de 29 mil metros quadrados, o Carlinda Berlim é um dos maiores cemitérios da região, com 3.465 sepulturas e 2.247 covas rasas

Com uma área de 29 mil metros quadrados, o Carlinda Berlim é um dos maiores cemitérios da região, com 3.465 sepulturas e 2.247 covas rasas

– Suspensão de horas extras de servidores muda rotina dos cemitérios locais

A falta de critérios ou mesmo de bom senso salta aos olhos em mais um episódio que seria cômico se não fosse trágico, e que povoaria seguramente qualquer folhetim do teatro ou da TV. As ordens pouco eficientes disparadas pelos homens fortes da gestão Arlei Rosa, de se economizar dinheiro diminuindo a carga horária e cortando horas extras de servidores, chegou até o limite, até fronteira da vida. Coveiros e auxiliares que trabalham nos cemitérios da cidade tiveram seus horários reduzidos e, com isso, a população não pode mais sepultar seus entes depois das 15h. Se a sabedoria popular prega que a morte não tem hora pra chegar, em Teresópolis, tem que ter hora para enterrar.

Segundo a servidora Tânia Matos, administradora dos cemitérios, atualmente existem cinco funcionários empenhados nos trabalhos do Carlinda Berlim

Segundo a servidora Tânia Matos, administradora dos cemitérios, atualmente existem cinco funcionários empenhados nos trabalhos do Carlinda Berlim

De acordo com a servidora pública Tânia Matos, que é a responsável pela administração dos nove cemitérios da cidade, o problema do corte de horas extras agravou um quadro que já era crítico. O cemitério Carlinda Berlim, um dos maiores da região, conta apenas com cinco funcionários, sendo apenas dois deles coveiros de ofício. Sem equipe e sem poder esticar as jornadas de trabalho, a solução encontrada foi a redução dos horários. Se antes os funcionários trabalhavam até as 17h30, hoje não podem sair depois das 15h30. “Antes dessas mudanças, nossos horários de sepultamentos eram até as 17h e a gente esticava um pouco, até 17h30. Não dava para ir além por causa da falta de iluminação. Agora, devido a redução de funcionários, vamos no máximo até as 15h30”, detalha Tânia. Apesar do horário reduzido, alguns casos extremos precisavam ser resolvidos pela administração, que não podia ‘mandar voltar’ os cortejos. “Tive que buscar uma adequação. Se chega um corpo em decomposição, não posso deixar para o dia seguinte. A gente sempre dá um jeito, até porque aqui lidamos com o emocional das pessoas. Esse é um local que ninguém gosta de vir”, comenta.

A falta de pessoal é tão grave que, segundo a administradora, os operários que estão lotados no Carlinda Berlim são constantemente deslocados para os campos santos do interior do município para auxiliar outros funcionários em sepultamentos.

 

Marco da Luz, que passou a responder também pela Secretaria de Serviços Públicos, garante que vai buscar uma soluça para os horários de sepultamentos

Marco da Luz, que passou a responder também pela Secretaria de Serviços Públicos, garante que vai buscar uma soluça para os horários de sepultamentos

Mudanças

As mudanças na administração municipal provocado pelo entra e sai entre o prefeito Arlei Rosa e o vice Márcio Catão, colocaram o secretário de Segurança Pública para acumular também a pasta de Serviços Públicos. Consequentemente, o multifacetado Marco Da Luz passa a responder também pelos cemitérios. “Mudou o secretário e então vamos ter uma reunião de trabalho. Quero expor toda essa problemática dos cemitérios. Será mais um desafio para ele buscar conosco a solução para essa situação”, finaliza Tânia

Procurado pela reportagem, o novo responsável pelo problema dos cemitérios lamentou o quadro e garantiu que vai buscar uma solução para retomar o horário normal.  “A questão não envolve só os cemitérios, mas toda a Prefeitura, inclusive setores de expediente, que atualmente atende das 12h às 18h. Vamos ter uma reunião com a chefe dos cemitérios para tentar adequar nosso contingente de funcionários com esse horário, quem sabe através de uma escala. O certo é que algo tem de ser feito. Tenho certeza que a boa vontade e o espírito guerreiro da Tânia e sua equipe não vão faltar para que a gente encontre uma solução para isso. Com certeza vamos mudar e retomar os mesmos horários de antes. O caso dos cemitérios é diferenciado, não podemos dizer um ‘não’ para pessoas que estão aqui em um momento de dor, de extrema sensibilidade”, garante.

 

Os cemitérios

Com uma área de 29 mil metros quadrados, o Cemitério Carlinda Berlim é de longe o maior de Teresópolis. O nosso principal cemitério tem 3.465 sepulturas, 2.247 covas rasas, cerca de duas mil gavetas e 1.600 nichos, locais para o depósito dos restos mortais depois do período nas gavetas mortuárias ou covas rasas.

A cidade possui ainda outros oito campos semelhantes, todos localizados na zona rural do município. Na estrada Isaías Vidal, próximo ao número 4200, fica localizado o cemitério de Canoas. Ali existem apenas 14 sepulturas, a maioria bem antiga, e 67 covas rasas. Construído em um terreno doado pela família Queiroz, do Terceiro Distrito, o cemitério de Venda Nova está localizado no quilômetro 15 da Teresópolis-Friburgo, atrás da igreja de Nossa Senhora da Conceição. As primeiras sepulturas datam de 1877. São 256 túmulos e 109 covas rasas. Um dos menores do município é o de Vale Alpino (antigo Córrego Sujo), com 25 sepulturas e 61 covas rasas. Fica ao lado do novo templo da igreja de Nossa Senhora da Conceição. Também no Terceiro Distrito, há campos-santos em Vieira, no quilômetro 36 da Teresópolis junto a igreja de Santa Luzia, e Bonsucesso, no 28, atrás da igreja de Estrelinha. No primeiro são 350 sepulturas e 63 covas rasas. No segundo, 450 túmulos e 32 covas rasas. No Segundo Distrito, o cemitério de Santa Rita fica em frente a igreja de Santa Rita de Cássia. Com o tamanho menor do que a metade de um campo de futebol, também é cercado e tem 50 sepulturas e 250 covas rasas. Naquela região do município, funcionam ainda os cemitérios de Serra do Capim, com 21 sepulturas e 135 covas rasas, e Rio Preto, em Volta do Pião, com 34 Sepulturas, 88 covas rasas.

 

Ministério Público

Em 2006, a Prefeitura assinou Termo de Ajuste de Conduta com o Ministério Público visando organizar o funcionamento e atendimento prestado nos cemitérios da cidade. No principal deles, vários problemas foram apontados: O tratamento do necrochorume, o líquido liberado na decomposição dos corpos, a construção de um cinturão verde, a retirada de residências na parte alta da Fonte Santa e praticamente dentro de algumas quadras, a construção de um muro fechando todo o local, entre outras. O documento tem 28 itens, que vem sendo cumprido aos poucos e, consequentemente, gerando multa diária ao município.

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As instituições políticas precisam ser fortalecidas

A mobilização social nas manifestações, abre mão do vínculo partidário

Artigo de Anderson Duarte

Tenho ouvido de tudo pelas ruas e também nas redes sociais quando o assunto é a onda de manifestações de nossa sociedade por melhorias para o país. Entretanto, considero que um aspecto tem sido discutido excessivamente de forma marginal e superficial. O amplo discurso de apartidarismo desses movimentos deixa bem claro que o que precisa mudar urgentemente são os elementos que compõem essa fundamental dimensão do estado democrático de direito. Já disse isso aqui em algumas oportunidades e vou repetir por ser providencialmente oportuno: “não adianta lutar por mudanças e beneficieis sociais se os poderes constituídos pelo sufrágio não estão preparados para tal, ou não possuem legitimidade para isso”.

Um movimento histórico marca a quebra de um paradigma nacional

Novos nomes

Em suma: se os candidatos apresentados para esses cargos não são bons o suficiente, que novos nomes sejam apresentados, de preferência vindos da própria sociedade. Se os partidos políticos não estão cumprindo o seu papel mobilizador e agregador de valores, que a sociedade tome conta e mude essa conduta. Se os agentes públicos não obedecem aos preceitos constitucionais de cada uma de suas funções, ou adotam postura insipiente quanto ao que lhes é esperado, que o nosso papel fiscalizador seja exercido em sua plenitude.
Senhores! De nada adianta reclamar e pedir agora, se daqui a pouco os mesmos homens que levaram nossa organização social ao caos organizacional instaurado hoje permanecerão na cômoda sombra gerada pela nossa incapacidade de fiscalização e acompanhamento dos seus trabalhos e ações. Quantas vezes você teresopolitano foi a uma sessão ordinária do Legislativo municipal? Você sabe o que os vereadores discutem e aprovam nestes expedientes? Com o advento da Lei da Informação, você teresopolitano requisitou algum dado sobre projetos e realizações do Executivo? Quantas reuniões do Conselho da cidade, do Conselho de saúde e de educação você cidadão foi? O quê o Deputado de sua cidade está fazendo pelo município na dimensão estadual, você já procurou saber? Tudo isso é parte da nossa função nesse sistema chamado sociedade. Não estamos avulsos nesse processo! Somos parte integrante da administração! Sem a sua cobrança esses homens e mulheres aproveitam a falibilidade e intrínseca corruptibilidade do sistema para pouco produzirem ou nada realizar.

Um exemplo triste da promiscuidade entre os poderes constituidos

Mudanças nas esferas de poder

Como efetivamente podemos cobrar mudanças nas esferas de poder se nossas próprias condutas carregam a premissa da incapacidade de exercer nossa função? O brilhante pensamento de Jean-Jacques Rousseau contribui para um entendimento simbólico desse sentimento de impotência por parte da massa: “O homem nasce livre, mas em toda a parte encontra-se acorrentado”. Muito provavelmente essas tais “correntes” seriam as próprias instituições sociais e o encorajamento da rejeição da ordem social. Mas, essas mesmas instituições sociais, em verdade, são os instrumentos reais de libertação ao invés da escravização. Rousseau ainda nos brinda com um pensamento instigador e real, que deveria mexer com a nossa capacidade de controle de nossos destinos: “Se houvesse um povo de Deuses, estes governar-se-iam democraticamente. Mas uma governação de tal perfeição não é apropriada para os seres humanos”.
Não quero dizer que está na sociedade a culpa por todas as mazelas, mas nossa escolha pelo cômodo papel de expectadores tem reflexos claros e concretos. Se não temos aptidão para a vida político partidária temos o dever de contribuir na organização das instituições partidárias. Não adianta renegar os partidos políticos, escrachar os mandatários e os seus assessores e dirigentes partidários! Precisamos fortalecer essas instituições e torna-las mais eficientes a partir de nossa participação. Isso sim é mudança!

Teresópolis tem a triste marca de nenhum centímetro de tratamento de esgoto

Escolha pela parcimônia

Vamos aos exemplos claros dessa nossa escolha pela parcimônia: recentemente aprovamos e colocamos em prática uma das legislações mais eficientes no trato com a retidão dos entes públicos escolhidos pelo sufrágio, a chamada Lei da Ficha Limpa. Entretanto, e ainda assim, continuamos escolhendo pessoas que não podem exercer cargos públicos por simplesmente estarem à margem das nossas Leis e regras sociais, a qual todos estão submetidos. Para simples entendimento: se esse sujeito não foi capaz de seguir aquilo que nossa Lei determina como comportamento ideal e correto, como você pode conferir a ele o direito e dever de administrar nossos destinos, seja no Executivo, ou no Legislativo? Inadmissível não? Mas assim foi em Teresópolis, e as sequelas foram ainda maiores.
Por isso, vivemos sob a égide de um “escolhido sem a plena maioria”, com representação discutível e que para piorar ainda mais, não tem nenhum tipo de fiscalização e pressão por parte do Legislativo Municipal, pelo menos na sua maioria. Um município onde os vereadores participam de inaugurações ao lado do prefeito e que grupos maioritários unanimificam as decisões e votações, seja qual for o assunto, não pode mesmo pensar em produzir democraticamente. A separação dos poderes conceituada pela nossa Constituição não é uma condição ou escolha, ela é necessária para garantir a isonomia e transparência das ações. O comprometimento dessas duas instâncias de poder em Teresópolis é lamentável e deveria ser, por exemplo, acompanhado de perto pela população e denunciado pelos instrumentos legais para tal, como o Ministério Público. Isso é atuar como cidadão.

Vamos às ruas

Vamos às ruas, pedir, insistir por mudanças, por melhorias, pela redução das tarifas do transporte público, mas não custa também acompanhar os mesmos políticos que prometeram essas alterações para conter os ânimos em suas atitudes e ações daqui para frente. Não custa lembrar também que nossa cidade tem o vergonhoso índice de 0% de tratamento de esgoto enquanto municípios vizinhos já se aproximam dos 80% nos últimos anos, e que essa mesma empresa explora o município há décadas sem nenhuma contrapartida, esse pode ser um bom tema para discussão não? Assim senhores, sejamos mais proativos em nosso trato com o município, somos parte da administração e, a parte mais interessada nesse caso. Escolher a inércia nunca é positivo, até a próxima.

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