Luiz Bandeira
Apesar das críticas que circulam principalmente nas redes sociais, apontando um suposto caráter arrecadatório, a instalação de equipamentos de fiscalização eletrônica de velocidade em Teresópolis ganhou respaldo institucional. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) recomendou à Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade que implemente o sistema no prazo máximo de 120 dias, mesmo antes da conclusão do Plano de Mobilidade Urbana do município.
A recomendação do MPRJ é baseada em dados técnicos e estatísticos publicados recentemente no Diário de Teresópolis, que indicam alta incidência de acidentes e infrações de trânsito em pontos considerados críticos da malha viária urbana. Segundo o órgão, a medida tem como objetivo principal a preservação da vida e a redução de riscos para motoristas, pedestres e ciclistas.

Após a realização de duas edições do Fórum de Mobilidade, uma na Câmara Municipal durante a Semana Nacional do Trânsito, em setembro do ano passado, e outra em outubro, no campus da Unifeso, no bairro Alto, a Secretaria de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade elaborou um cronograma de ações voltadas à melhoria do trânsito. Entre as propostas estão alterações viárias, ampliação do videomonitoramento e a instalação de equipamentos eletrônicos de controle de velocidade.

Para esclarecer dúvidas da população sobre a antecipação da fiscalização, a reportagem conversou com o agente da Guarda Civil Municipal (GCM), Fabiano Basílio, integrante do setor de tráfego da corporação. Ele confirmou a recomendação do Ministério Público e explicou que os equipamentos não se resumem a radares tradicionais. “Temos uma recomendação para que o município, mesmo antes de finalizar o plano de mobilidade urbana, instale essas câmeras e também equipamentos que não são exatamente radares, mas lombadas eletrônicas, para melhorar a circulação e a velocidade nas vias”, afirmou. Segundo ele, apenas alguns trechos considerados mais críticos terão limites reduzidos, chegando a 30 km/h. “Na maioria dos pontos fiscalizados vamos ficar na casa dos 40, 50 e até 60 km/h. A ideia não é parar ninguém, é manter a velocidade que o motorista já pratica com segurança”, destacou.

Locais com muitos acidentes
Basílio citou locais específicos que concentram histórico de acidentes e, por isso, exigem maior atenção. “Um bom exemplo é o início da Avenida Delfim Moreira, onde no ano passado tivemos dois acidentes graves, um deles derrubando um poste. Esse trecho terá limite de 30 km/h. Também teremos fiscalização próxima às faixas elevadas da Avenida Feliciano Sodré, perto do Green Fruit, e no Alto, próximo ao colégio CESO”, explicou. Outras áreas, como a Avenida Oliveira Botelho, esquina com a Rua Flávio Bortoluzi de Souza na região da Fonte Judite, terá limite de 40 km/h nos dois sentidos da via.

‘Não há indústria da multa’
Diante das acusações de que a medida criaria uma “indústria da multa”, o agente foi categórico. “Não é indústria da multa. A fiscalização não vai fazer ninguém andar menos do que já anda hoje. Ela serve para coibir excessos, principalmente de quem acelera demais, inclusive caminhões que passam em alta velocidade durante a noite, colocando pedestres e outros veículos em risco”, ressaltou.

Acidentes com motos
Outro ponto de preocupação são as motocicletas. Dados citados pelo MPRJ indicam que, de cada cinco acidentes registrados em Teresópolis, pelo menos quatro envolvem motos. Para Basílio, a fiscalização é fundamental nesse contexto. “Temos mais de cinquenta mil motocicletas emplacadas na cidade. A maioria usa corretamente, mas alguns excedem a velocidade, fazem manobras proibidas e colocam a própria vida e a dos outros em risco. Essas pessoas é que vão ser alcançadas pela fiscalização”, afirmou.

Recomendação do MPRJ
Sobre a relação entre a recomendação do Ministério Público e o Plano de Mobilidade Urbana, o agente explicou que algumas medidas já começaram a ser implementadas, como a proibição de estacionamento em trechos da Avenida Lúcio Meira, na Reta, entre as ruas Dr. Aleixo e Djalma Monteiro, em função das obras de saneamento. “A recomendação do MP é clara: antes mesmo da conclusão do plano, as câmeras e a fiscalização de velocidade devem ser instaladas, principalmente pela quantidade de acidentes em áreas de risco”, disse.
Para a Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade, o objetivo final da iniciativa é garantir mais segurança viária e melhorar a fluidez do trânsito. “Reduzir a velocidade em trechos críticos salva vidas. Além disso, as câmeras ajudam a entender melhor o comportamento do trânsito e a planejar soluções mais eficientes para a cidade”, concluiu Fabiano Basílio.





