Marcello Medeiros
Durante toda a tarde desta segunda-feira (19), equipes do Corpo de Bombeiros e Instituto Estadual do Ambiente (INEA), lotada na APA Frades, monitoraram um bicho-preguiça que resolveu ‘escalar’ a rede elétrica paralela à rodovia RJ-130, a Teresópolis-Friburgo. O animal saiu de fragmento florestal vizinho, passou por algumas árvores e terminou na fiação, chamando a atenção também de muitos populares. Devido ao risco de choque elétrico, inclusive para os resgatistas, foi necessário aguardar uma equipe da ENEL para desligar a rede e utilizar um dos seus caminhões de trabalho para a ação. Durante um longo período, também foi tentada uma ‘ponte’ utilizando um grande galho para que ela voltasse sozinha para a rede. Até o fechamento desta edição, não havia informação sobre o local que a ‘preguiça escaladora’ foi destinado, apenas a confirmação do resgate pelos militares.

Ocorrendo com certa frequência em nossa região, o bicho-preguiça é um animal que pertence ao filo Chordata, classe Mammalia, ordem Pilosa, mesma do tamanduá, e distribuído em duas famílias, Bradypodidae e Megalonychidae. Graças às suas longas garras, vivem penduradas na vegetação, geralmente em copas de árvores, alimentando-se de folhas, frutos e brotos, novos, de espécies como embaúbas (Gênero Cecropia), ingazeiras (Gênero Inga) e figueiras (Gênero Ficus); encontradas em seu território. A reprodução também ocorre nas copas das árvores, dando origem a um único filhote, que poderá viver em torno de trinta e cinco anos. A água que o organismo das preguiças precisa é retirada de seus alimentos e do orvalho contido ali, uma vez que tais animais não ingerem essa substância.


O fato ocorreu na região de Vale Feliz e o registro foi feito pelas meninas Laura e Melissa, do @risos_e_rumos , que acompanham o salvamento do bicho-preguiça. Foto: Laura e Melissa / Risos e Rumos
Intervenção humana preocupa
Os bichos-preguiça não costumam utilizar suas garras para outros fins, uma vez que são animais pouco ágeis e muito lentos; características estas que, juntamente com o hábito de dormirem aproximadamente 14 horas por dia, lhes rendeu este nome. Assim, recorrem à camuflagem para não serem percebidos por seus principais predadores: onças, algumas serpentes e o gavião-real. Como os filhotes são carregados pelas mães, em suas costas, durante aproximadamente os seus nove primeiros meses de vida, tal comportamento confere proteção adicional a estes indivíduos, mais vulneráveis. No entanto, o que fornece risco real para o declínio de populações de bichos-preguiça são as intervenções humanas, principalmente a destruição de habitats, a caça, e a captura para o comércio clandestino.
Veterinária salvou exemplar
Em 08 de agosto do ano passado, uma médica veterinária entrou em ação para ajudar mais um animalzinho. Mas, dessa vez, um representante da fauna silvestre que estava em situação de risco na rodovia BR-116, nas proximidades do bairro Fonte Santa. Um bicho-preguiça que pretendia atravessar – lenta e perigosamente – a estrada, foi auxiliada para chegar ao outro lado da pista. Com os devidos cuidados, a médica Esther Maggessi ( @vet_domicilioesther ) colocou a preguiça no fragmento florestal que ela pretendia chegar. “Quando a vida te surpreende e manda um recado pra confirmar que sua missão na terra é amar e cuidar dos animais”, publicou Esther em suas redes sociais.







