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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Protocolos e Prontuário: A Proteção Profissional que Começa na Assistência

A segurança do paciente não é um acessório operacional, é o alicerce sobre o qual todo cuidado clínico se sustenta. Entretanto, quem vive o ambiente assistencial sabe: plantões exaustivos, equipes reduzidas, alta rotatividade e decisões que precisam ser tomadas em segundos criam um cenário de vulnerabilidade constante, capaz de impactar tanto o desfecho clínico quanto a responsabilidade legal do profissional.

Esta análise busca alertar a classe sobre a intersecção perigosa entre a rotina assistencial e a responsabilidade legal. A melhor defesa contra o litígio não reside em estratégias jurídicas complexas, mas sim na excelência técnica do dia a dia.

Grande parte dos eventos adversos e das falhas assistenciais que culminam em processos éticos ou judiciais não decorre de má-fé ou de imperícia deliberada, mas de falhas de processo e ruptura do fluxo assistencial.
Essas falhas acontecem quando um checklist é ignorado para agilizar o atendimento; a passagem de plantão é feita sem método estruturado, a comunicação entre médico e enfermagem perde informações-chave e um protocolo de prevenção é flexibilizado diante de um setor sobrecarregado.

O que parece um ajuste de tempo pode resultar em um erro de medicação, uma broncoaspiração evitável, uma lesão por pressão avançada ou uma deterioração clínica não reconhecida. E cada uma dessas falhas abre a “fenda” onde a negligência e a imperícia, conceitos centrais no Direito Médico, são analisadas.

Uma instituição só tem cultura de segurança quando seus profissionais executam, de forma coerente, os microprocessos que sustentam o cuidado.

Em processos no COREN, CRM, CREFITO ou no Judiciário, o prontuário é o que fala mais alto. Há inúmeros casos em que a equipe atuou corretamente, seguindo raciocínio clínico adequado, monitorização contínua e condutas alinhadas ao protocolo, mas nada disso estava registrado.

E aquilo que não está registrado, legalmente, não existiu.

A ausência de informações como sinais vitais alterados e medidas tomadas, orientações fornecidas ao paciente ou família, avaliação de risco, resposta a intercorrências, solicitação de apoio médico, notificação de eventos adversos, pode ser interpretada como omissão, falha de cuidado ou até conduta criminosa.

No campo jurídico, isso se traduz em três esferas: Na esfera cível o registro incompleto facilita o estabelecimento de nexo causal e pode resultar em indenizações expressivas. Já na esfera ética a omissão ou registro inverídico viola os Códigos de Ética Profissional e pode gerar advertência, suspensão ou cassação, enquanto na esfera criminal pode resultar em desfechos graves, já que a ausência de documentação compromete a defesa em acusações de lesão corporal ou homicídio.

Profissionais da saúde não devem enxergar protocolos e registros como burocracia. Eles são escudos técnicos de proteção profissional.

A defesa eficaz começa nos pilares da boa prática: Na adesão plena a protocolos e checklists, que reduz variabilidade assistencial e garante rastreabilidade das condutas. Na comunicação estruturada que evita perda de informação em momentos críticos e principalmente no prontuário completo, objetivo e imediato que precisa refletir com precisão tudo o que foi feito, inclusive intercorrências e notificações internas.

Quem domina o processo clínico, respeita protocolos e documenta com rigor não apenas melhora desfechos, protege sua carreira, seu registro profissional e sua reputação.

A boa prática é, e sempre será, a proteção mais forte contra a judicialização da saúde.

Eliene Felix
Técnica em Enfermagem com 14 anos de experiência na assistência e Advogada especialista em Direito Médico. Formada em Direito pela UNIFESO. Pós-Graduação em Direito Médico pela FACUNINAS e Especialização em Direito Médico pelo IEST.

Eliene Felix

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