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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Queda de muro no Paquequer: Inea aponta para ‘envelhecimento estrutural’

Instituto Estadual do Ambiente divulga relatório técnico e informa ter elaborado projeto para contenção

Marcello Medeiros

Procurada pela reportagem do jornal O Diário, a Assessoria de Comunicação do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) emitiu nota sobre a reconstrução de um muro vizinho a um edifício na Várzea, tombado desde maio do ano passado – quando maquinário do órgão trabalhava no leito do Rio Paquequer, às vésperas de uma grande tempestade. Com a cheia do curso d´água, a estrutura, próximo à Praça Olímpica Luís de Camões, cedeu e deixou preocupados moradores do Edifício Granado. No documento, é informado que mais uma etapa para a reconstrução da estrutura foi cumprida. Porém, o Inea alega que já havia problemas antes da intervenção para a limpeza do Paquequer.
Sobre a recuperação do muro, foi informado que o Inea finalizou os estudos técnicos e elaborou o projeto de engenharia para a contratação da obra de contenção. Nenhum prazo para tal obra foi informado. Na continuidade da nota, o Instituto Estadual do Ambiente se defende em relação à causa principal da queda do muro: “É bom ressaltar que, conforme relatório técnico de acompanhamento, elaborado pelo Inea, a estrutura afetada é anterior à edificação vizinha (datada de 1963) e já apresentava, antes do colapso, fissuras, ausência de manutenção preventiva e deficiências no sistema de drenagem, com infiltrações recorrentes, inclusive do sistema de tratamento de esgoto da edificação vizinha, que contribuíram para a instabilidade do sistema”.

Segundo o Inea, “entre as causas do colapso, estão o envelhecimento estrutural do muro, o aumento do grau de saturação do solo por infiltrações e a dinâmica hidráulica do rio canalizado”. Foto: Luiz Bandeira / O Diário

Portanto, ainda segundo o Inea, “entre as causas do colapso, estão o envelhecimento estrutural do muro, o aumento do grau de saturação do solo por infiltrações e a dinâmica hidráulica do rio canalizado”. O Instituto Estadual do Ambiente diz ainda que segue acompanhando a situação das margens do Rio Paquequer e, conforme o último relatório técnico, não foi identificada situação de gravidade. “As fissuras identificadas no interior da edificação não apresentam, no momento, indícios de comprometimento estrutural, O monitoramento segue sendo realizado, especialmente em períodos de chuvas intensas e elevação do nível do rio”, finaliza a nota.

Moradores preocupados
Na ocasião do tombamento do muro, entrevistamos a síndica do Edifício Granado, Adriana Bezerra de Oliveira, que relatou os momentos de angústia vividos pelos moradores: “Alguns moradores haviam conversado comigo durante o dia, dizendo que a pá da máquina retroescavadeira havia batido muitas vezes contra o prédio, contra a estrutura, e que as pedras tinham sido levadas embora junto com a areia que sustentava. E aí, 3h da manhã, o muro colapsou e nós ficamos – e estamos – à mercê dessa situação toda.”
Ainda segundo Adriana, algumas famílias optaram por deixar o prédio após o desmoronamento. Uma senhora idosa, acamada, foi retirada pelos familiares. Até o zelador, que sairia de férias, teve dificuldades para encontrar alguém que o substituísse devido ao receio de trabalhar em um prédio sob risco. “As pessoas tinham medo de trabalhar no lugar que poderia cair”, contou a síndica.

Teresópolis 31/01/2026
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