“Chega de bota fora. Queremos nossa paz de volta!”. “Basta de bota-fora! Nossa rua não é lixão, nossa casa não é entulho”. “Parem os caminhões! Minha família quer dormir sem medo”. Com essas e outras frases de alerta, moradores dos bairros Salaco, Salaquinho, Córrego dos Príncipes e Granja Florestal realizaram protesto, na manhã desta segunda-feira (23) na Estrada José Gomes da Costa Júnior contra o grande fluxo de caminhões nessa região – situação que passou a ocorrer após a liberação de um ‘bota-fora’ na localidade de Córrego dos Príncipes, no entorno da Pedra da Tartaruga, área do Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis. Apesar de ter o funcionamento legalizado, e segundo a SMMA nenhuma irregularidade desde sua implantação, os moradores questionam outros problemas gerados pelo grande número de veículos pesados cruzando a região diariamente.


Residências rachadas, ruas afundando, poeira, riscos de colisão e outros acidentes são alguns dos problemas apontados. Os moradores mantiveram o protesto até por volta das 15h quando, orientados pela PMERJ, voltaram a permitir a passagem dos caminhões. Porém, segundo eles, outros movimentos irão ocorrer e a situação será encaminhada ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

Problema vizinho a um parque
Integrantes do grupo de moradores da Granja Florestal também manifestaram preocupação com possíveis impactos ambientais, afirmando que o descarte de entulhos estaria ocorrendo próximo a áreas naturais sensíveis, entre elas um córrego – o que dá nome à localidade. A região é conhecida pela proximidade com a Pedra da Tartaruga, um dos pontos naturais mais visitados do município, o que reforça o debate sobre preservação ambiental.

Bota-fora
A iniciativa, operada pela empresa J A Soluções Ambientais e autorizada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, tem como objetivo combater o descarte irregular de entulhos em áreas verdes, cursos d’água e locais de difícil fiscalização. Em nota, encaminhada ao Diário nesta segunda-feira, a secretaria de Meio Ambiente informou que “a correta destinação de resíduos tem sido uma das principais metas da SMMA” e que “ao longo do período, foram lavrados centenas de autos de infração e expedidas diversas notificações em razão do descarte irregular de resíduos, prática que configura grave crime ambiental”.


Segundo os moradores, outros movimentos irão ocorrer e a situação será encaminhada ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Foto: Louis Capelle / AMA Posse
Em relação ao ponto de descarte de restos, diz que “o bota-fora do Salaco cumpriu integralmente todas as exigências legais e ambientais previstas na legislação vigente” e ainda que “o empreendimento, inclusive, já foi vistoriado diversas vezes pela equipe de pós-licença, não tendo sido constatada qualquer irregularidade”, finalizando com a informação que “do ponto de vista ambiental, o empreendimento encontra-se em pleno funcionamento, atendendo corretamente às normas e condicionantes estabelecidas”.





