Marcello Medeiros
“É incrível! Acredita que a onça parou em frente à câmera? Não é todo dia que isso acontece”. A expressão de alegria é de Juran Santos, responsável pelo projeto Aventura Animal, que mantém dezenas de armadilhas fotográficas em florestas da região para monitorar a fauna de unidades de conservação como o Parque Estadual dos Três Picos. E, em uma dessas câmeras, ficou registrada a imagem de um belo exemplar de Onça Parda (Puma concolor). O animal jovem para exatamente em frente ao sistema e fica vários minutos no mesmo local, parecendo ‘fazer pose’ para a câmera e permitindo admirar os detalhes de um ‘bichano’ tão bonito e raro. O local exato do flagrante, visando preservar a vida da espetacular espécie de felino, não foi divulgado.
No fim do ano passado, Juran Santos divulgou outra cena impressionante, que demonstra o equilíbrio ecológico de região, também feita na área do PETP: uma Onça Parda seguindo um grupo de catetos (Pecari tajacu) na unidade de conservação administrada pelo Inea. O flagra ocorreu no Vale dos Deuses, o núcleo de montanha do PETP, e mostra a perseguição que quase terminou em um banquete para o felino. A sequência capturada pelas câmeras começa com a aparição de um grupo de catetos, que passam pelo local. Minutos depois, chega a onça-parda. No vídeo, é possível ver e ouvir o momento em que o felino fareja e localiza exatamente o rastro do grupo de catetos que havia passado ali pouco antes. O registro captura um comportamento típico da espécie, usando seu olfato para alcançar as presas. Esse ato, de cheirar o chão, é conhecido como acostamento. Trata-se de uma técnica de caça na qual o animal segue uma pista de cheiro deixada pela presa. A cena se encerra com uma nova aparição dos catetos, que já estão distantes, mostrando a dinâmica constante de predador e presa na floresta.
O Aventura Animal
O Projeto Aventura Animal realiza o monitoramento da fauna, por meio de armadilhas fotográficas, com o objetivo de estudar o comportamento de espécies que habitam essa unidade de conservação. “Aqui temos onça-parda, que é o topo da cadeia alimentar, os catetos, animais que acabam sendo alimento da onça, gato-maracajá, gato-mourisco, gato-do-mato pequeno, que está no topo da lista de ameaçados de extinção. Há dois meses, nesse exato local onde estamos, registramos a mãe e seu filhote passando aqui. Então, está tendo continuidade das espécies, que é a parte mais importante desses registros. Quando a gente consegue entender que o local da mata está sendo avistado por várias espécies, é sinal de que essa mata também está sob controle”, explicou Juran Santos, fotógrafo de aventura do PETP.






