Marcello Medeiros
Com a colocação de uma nova camada asfáltica em trecho das avenidas Lúcio Meira e Feliciano Sodré, onde as vias foram abertas pela concessionária Águas da Imperatriz para a instalação do sistema de esgoto, parte da ciclofaixa ‘desapareceu’. Porém, ela será refeita – e de uma maneira bem diferente. A informação é do secretário municipal de Ordem, Mobilidade Urbana e Segurança Pública, Sérgio Mauro Louzada, que nesta quinta-feira (25) falou ao Diário sobre a mudança, que segue indicação de um estudo de mobilidade urbana, e em relação ao que tem se falado em redes sociais nos últimos dias, quanto a uma suposta desativação da via de ciclistas, compartilhada com caminhantes e corredores. “É preciso deixar claro para a população que isso é uma mentira, é uma inverdade; é questão de gente que cria fato, já sabendo o que vai acontecer, e amanhã, quando estiver tudo ampliado, bonito, sinalizado, com câmera, vai dizer que ‘conseguiu’, que ‘venceu’… As pessoas precisam ver a fonte da informação, ver o estudo de mobilidade que está no site da prefeitura e prevê isso que estamos fazendo”, pontuou.


De acordo com ele, o estudo técnico, com 116 páginas de conteúdo técnico e quase 200 páginas no relatório completo, analisou diversos cenários para melhorar a circulação de ônibus, automóveis, ciclistas e pedestres no eixo central da cidade. Entre as mudanças previstas para melhorar o fluxo dos coletivos, e consequentemente desafogar o trânsito de modo geral, a criação da faixa seletiva em parte da Lúcio Meira e Feliciano Sodré, a colocação de grades no canteiro, e a transferência de parte da ciclofaixa. Entre o cruzamento da Tenente Luiz Meirelles com Feliciano Sodré e o Parque Regadas, ela vai ocorrer somente na pista Vale do Paraíso. Porém, mais larga, entre 1,80 e 2 metros, com sinalização reforçada e diferente e a colocação de grandes tachões, além de outras melhorias. “Nesse ponto ela vai ficar no sistema bidirecional, com a remarcação também das faixas de veículos. Quando chegar no Regadas, já no outro lado, o ciclista ou caminhante já vai voltar ao que ocorre tradicionalmente. No dia 1º de julho já começa a pintura das novas sinalizações e vamos colocar também câmeras para monitorar possíveis invasões, principalmente de motoqueiros”, explicou Sérgio Mauro, citando ainda que todo o resto da ciclofaixa também terá a pintura atualizada em breve.

Estudo técnico sendo aplicado
Para a realização do estudo foram realizadas pesquisas de campo, contagem classificada de veículos, estudos de origem e destino, levantamentos fotográficos e modelagens por meio de softwares especializados de simulação de tráfego, permitindo reproduzir virtualmente diferentes cenários antes de qualquer intervenção. Após a análise dos cenários, o estudo apontou o chamado “cenário 02” como a solução mais eficiente para a mobilidade urbana da região central. A proposta combina a priorização do transporte público com medidas complementares de reorganização viária, buscando melhorar a fluidez para todos os modais.

Um dos pontos citado desde então é que a ciclofaixa não será retirada. Pelo contrário: o estudo prevê sua realocação para uma configuração mais adequada ao novo desenho viário, acompanhada de nova sinalização horizontal e vertical, garantindo maior organização, segurança e continuidade para os ciclistas. A proposta também permite futuras melhorias e ampliação da infraestrutura cicloviária ao longo do corredor.
Entre os benefícios projetados pelo estudo estão: – Implantação de uma faixa exclusiva para ônibus ao longo de aproximadamente 1,5 km (que já está em teste e será sinalizada adequadamente); – Reorganização dos espaços atualmente utilizados para estacionamento, carga e descarga; – Nova sinalização viária para todos os usuários da via; – Redução das filas e dos congestionamentos; – Aumento da velocidade média dos deslocamentos; – Maior regularidade e confiabilidade do transporte coletivo; – Melhoria da segurança viária e da organização do trânsito.
Mais fluidez no trânsito
As simulações indicam que, com a implantação completa da proposta, os ônibus poderão registrar redução média de 42,2% no tempo de viagem e aumento de 25,7% na velocidade operacional. Os automóveis também apresentariam ganhos, com redução de 54,5% no tempo de deslocamento e aumento de 28,4% na velocidade média, demonstrando que as medidas beneficiam não apenas o transporte público, mas toda a circulação na região central.







