Marcello Medeiros
Segue em investigação na 110ª Delegacia de Polícia uma situação envolvendo uma fraude na venda de um apartamento em Teresópolis, fato que terminou com a compradora e a dona do imóvel, que disse desconhecer sua venda e apresentou todos os documentos de posse, na sede local da PCERJ. Apesar de poucas ocorrências do tipo no município, há muitos registros a nível nacional e a Diário TV ouviu o Corretor de Imóveis Rafael Zinco, que deu algumas dicas para evitar ser vítima de crime semelhante. “Sempre falo aos nossos clientes que é preciso estar muito bem assessorado na hora de comprar um imóvel. Antes de efetuar qualquer pagamento, de buscar um financiamento, é preciso tirar a certidão de Ônus Reais do imóvel, que é a certidão de matrícula do imóvel. No site ‘Registradores’, custa R$ 52 e sai na hora, com o nome do proprietário no documento. Aí você pode comparar com quem está vendendo, se é a pessoa ou alguém efetivamente com poderes para vender, um corretor. É preciso também tirar todas as certidões, de execução fiscal, trabalhista, de tutela e curatela, saber ser o corretor presente tem Creci. E, com esse número do Creci, entrar no site do Conselho para saber se está devidamente registrado”, pontuou Zinco, que atua na Velith e Barbosa Imobiliária.
Ele falou ainda sobre cuidados necessários em relação ao aluguel de imóveis, que também tem causado prejuízos a interessados em locar. “Golpistas pedem para visitar, pegam a chave e fazem uma cópia. Aí pegam o anúncio do imóvel, onde o aluguel custa R$ 2 mil, por exemplo, e fazem um anúncio cobrando R$ 1 mil. Aí como ele tem a chave, a pessoa vai lá visita, acredita que está tudo certo, mas ele vai e pede um caução de três alugueis, por exemplo, dizendo que tem muita gente interessada. Quando a pessoa vai efetivamente ocupar, descobre que foi vítima de um golpe, ou às vezes consegue entrar e depois é colocado para fora. Então é preciso ficar muito atento aos valores, se é um tipo de imóvel que em média custa R$ 2 mil de aluguel, não pode estar sendo negociado pela metade do preço”, destacou Rafael.
Modalidades Comuns de Golpes
- Fraude na Evolução de Obra: Construtoras usam assinaturas falsas e laudos adulterados para simular o avanço de prédios financiados na planta. O banco libera o dinheiro, mas a obra fica abandonada.
- Falso Sinal de Reserva: Golpistas fingem ser corretores credenciados e anunciam apartamentos falsos na internet com valores muito abaixo do mercado. Eles exigem um Pix de “sinal” para segurar o imóvel e somem.
- Golpe do Falso Leilão: Sites fraudulentos clonam a identidade visual da Caixa e oferecem apartamentos retomados de devedores. A vítima paga o boleto ou o Pix e descobre que o leilão nunca existiu.
- Contratos Gaveta Falsos: Criminosos vendem o mesmo apartamento financiado para múltiplas pessoas ao mesmo tempo, sumindo após receber os valores de entrada.
Como se proteger e evitar prejuízo
- Monitore o Avanço Físico: Se comprar na planta, visite o canteiro de obras e confronte o avanço real com os relatórios de medição da Caixa.
- Valide as Credenciais: Exija o número de registro do corretor no Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI) e consulte a regularidade diretamente no órgão regional.
- Exija a Certidão de Ônus: Nunca pague valores antes de emitir a Certidão de Ônus Reais atualizada no Cartório de Registro de Imóveis para checar quem é o verdadeiro dono.
- Cuidado com o Urgente: Desconfie imediatamente se o vendedor exigir dinheiro rápido sob o pretexto de que “há outros compradores interessados”.
- Use Canais Oficiais: Negocie financiamentos e consulte imóveis de leilão exclusivamente dentro das agências da Caixa, no aplicativo oficial ou no site legítimo do banco.

O que foi denunciado na 110ª DP
A história tem de um lado um casal que relata ter adquirido o imóvel, inclusive envolvendo a Caixa Econômica Federal, e a proprietária do apartamento relacionado ao fato. A segunda envolvida relatou à polícia que chegou em casa e encontrou o casal dizendo ter pago R$ 190 mil pelo imóvel, tendo levado inclusive um chaveiro para acessar o apartamento e trocar a fechadura, para que assumissem efetivamente a posse. Eles foram impedidos pela síndica do condomínio, que acionou a PMERJ e a dona do apartamento – que também segundo está sendo apurado apresentou toda a documentação do imóvel, comprovando ser a proprietária. No decorrer da ocorrência, teria sido descoberto que um dos envolvidos na suposta venda teria diversas anotações criminais. Os principais golpes na venda de apartamentos associados à Caixa Econômica Federal envolvem falsos corretores exigindo sinal adiantado, construtoras que fraudam laudos de evolução de obras e a falsificação de documentos de leilões ou financiamentos. Os criminosos utilizam o nome do banco para passar credibilidade e pressionar a vítima a realizar transferências rápidas. O que houve efetivamente no caso de Teresópolis ainda está sendo averiguado.







