Maria Eduarda Maia
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu nesta terça-feira (29) pelo encerramento da greve nacional dos empregados da Caixa Econômica Federal. A paralisação, iniciada em 10 de setembro, teve como uma das principais pautas de negociação as mudanças propostas para o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos funcionários. Com a decisão, os trabalhadores deverão retornar às atividades a partir desta quarta-feira (30). O julgamento ocorreu no âmbito do dissídio coletivo instaurado em razão da paralisação.
Durante o julgamento, o ministro Maurício Godinho Delgado rejeitou o pedido da Caixa para que a greve fosse considerada abusiva e também afastou a aplicação de multa aos sindicatos por suposto descumprimento de decisões judiciais anteriores. Apesar disso, determinou o retorno imediato dos empregados às atividades.
Em entrevista, o presidente do Sindicato dos Bancários de Teresópolis, Cláudio Mello, destacou que o relator reconheceu a legitimidade do movimento. “Não há que se falar em punição desses trabalhadores que estavam lutando por condições de trabalho melhores, principalmente em relação ao que tange ao plano de saúde desses trabalhadores do país inteiro”, disse, em entrevista ao Diário.
Atendimento durante a greve
Nos últimos dois dias da paralisação, uma decisão do TST determinou que 60% dos trabalhadores das unidades da Caixa retornassem temporariamente às atividades para garantir exclusivamente o atendimento de programas sociais. Entre os serviços mantidos estavam atendimentos relacionados ao Bolsa Família, Seguro-Desemprego, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e Aluguel Social. “Os outros atendimentos, negócios, ficaram suspensos porque os trabalhadores ainda continuaram em greve até a data de hoje”, explicou Cláudio Mello.
O autoatendimento das agências permaneceu disponível durante a paralisação. As casas lotéricas, que também realizam serviços bancários da Caixa, continuaram funcionando normalmente.
Dias parados serão compensados
Os trabalhadores que participaram da greve não terão os salários dos dias parados descontados. Conforme definido no acordo, o período de paralisação será compensado pelos empregados em até 180 dias, após o retorno às atividades. A medida estabelece a forma de reposição dos dias não trabalhados durante os 19 dias de greve.
Negociações continuam
Com o fim da greve, os trabalhadores devem retomar as atividades, mas as negociações entre representantes dos empregados e da Caixa continuam em outros pontos da campanha salarial. De acordo com Cláudio Mello, as mesas permanentes de negociação seguem abertas não apenas na Caixa, mas também no Banco do Brasil e nos bancos privados. “Os próximos passos é a gente continuar negociando as pendências que ficaram nessa campanha salarial. A nossa convenção é nacional. As mesas permanentes continuam nos bancos privados, no Banco do Brasil e também na Caixa Econômica”, pontuou.
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