Marcello Medeiros
Continuam em andamento na 110ª Delegacia de Polícia as investigações sobre o assassinato do Soldado PM Wellington Andrade, de 52 anos, nas proximidades da residência onde ele vivia no bairro do Corta-Vento, em Teresópolis. O servidor público foi morto a tiros por um homem residente na favela Cerro Corá, na região de Cosme Velho, Rio de Janeiro. Segundo apurado, ele subiu a serra com a intenção de ‘reforçar’ o bando local ligado a uma facção criminosa do Rio de Janeiro, para instalar um ponto de venda de drogas na comunidade onde terminou assassinando o PM. A vítima não estava de serviço no momento, mas, exercendo a prerrogativa da sua profissão, havia abordado o suspeito – visto já há alguns dias circulando pela comunidade.
“Segundo o que foi levantado, o policial militar estava desconfiando da atitude dessa pessoa, uma movimentação estranha no local, desconfiando que estava tentando plantar um tráfico de drogas ali, com várias pessoas faz uma parte desse grupo, e ele já tinha abordado o autor algumas vezes, então na quarta-feira, quando o PM foi abordar novamente o suspeito, ele estava de posse de uma pistola e realizou alguns disparos na direção da vítima, provocando sua morte imediata”, relata Márcio Dubugras, Delegado Titular da 110ª DP, citando ainda a extensa ficha criminal do homem, que foi preso naquele mesmo bairro horas depois e, na DP, confessou ter atirado no PM. “Foi feito um levantamento em relação à vida pregressa do autor e verificado que tinha três passagens por tráfico, duas por associação ao tráfico e que ele reside no Rio de Janeiro. Então a gente suspeita realmente ele veio pra cá pra fortalecer um grupo que é envolvido com tráfico de drogas; e dessa forma fortalecer a atuação dessas pessoas aqui. A gente sabe que existem duas facções que atuam na cidade e não é a primeira vez que a gente percebe a movimentação de criminosos vindo do Rio de Janeiro para cá exatamente pra auxiliar a atuação desses criminosos”.
Um segundo suspeito também foi conduzido para a 110ª DP, no mesmo dia do crime. Porém, como não havia indícios da participação no homicídio do policial, liberado. “Essa segunda pessoa seria proprietária da residência onde o autor estava e está sendo investigado para ver se tem uma relação aí com a atuação desse grupo; ele não foi atuado porque ele não estava no local, não participou da atuação que provocou a morte do policial militar e por isso ele foi ouvido e depois foi liberado”, explica o Delegado.

Investigações continuam
Dubugras destacou também que, além de monitorar o bando e buscar outros suspeitos de participação em tal grupo, a investigação sobre o ocorrido na quarta-feira, que terminou com a morte de Wellington, continua: “Nós temos uma série de atos a serem realizados, principalmente na questão da morte do policial. Nós temos um confronto balístico pra ser feito com a arma apreendida na residência e com os projetos que foram arrecadados principalmente no corpo da vítima. Também temos um exame aí que nós requisitamos à perícia, que é um exame residuográfico nas mãos do autor então a gente vai ver se realmente nas mãos do autor consta qualquer resíduo que possa comprovar que realmente ele é feito ou dispara a realidade; a gente tem a confissão já, nós temos elementos, mas a investigação ela se encerra quando todos os atos necessários são feitos, então todas as perícias que são exigidas têm que ser realizados então essas perícias já foram feitas também a gente vai ter um resultado em breve justamente pra fortalecer a prova que vai construir o processo instaurado contra essa pessoa”. O corpo de Wellington foi sepultado no Cemitério Municipal Carlinda Berlim, o Caingá, na manhã desta quinta-feira, sob aplausos e homenagens dos colegas de farda.
Fato totalmente atípico
O Delegado, que frequentemente realiza operações em parceria com a PMERJ e outros órgãos de segurança, lamentou a morte de um colega de profissão e frisou que tal situação – o enfrentamento a um agente da lei – não é comum em Teresópolis: “Nós temos uma cidade que, apesar de ter um grupo rivalizando com outro grupo disputando áreas de vendas de drogas, nós temos uma região com muitas comunidades e isso aí realmente dificulta um pouco o nosso trabalho porque você tem duas facções aí objetivando a de liderança na venda de drogas, mas não temos problemas de enfrentamento com esses criminosos com as forças de segurança. Esse foi um caso pontual em que um criminoso que já havia sido abordado várias vezes e da última sacou de uma arma de fogo e atirou em face do policial, mas não é um fato comum nós não temos aqui notícia de criminosos atuando através do uso de uma arma de fogo na direção de policiais”.
Teresópolis ainda é muito segura
Há cerca de quatro anos à frente da 110ª DP, Márcio Dubugras destacou a importância da cooperação das forças de segurança e reforçou que Teresópolis continua sendo uma das cidades mais seguras do estado. “A violência vai existir em tudo que é lugar. Por aqui, por causa das drogas, pois nós temos muitos usuários de drogas e isso gera um interesse pelos criminosos de serem responsáveis por essa venda porque isso aí oferece muita vantagem econômica, então vai acontecer em qualquer lugar do país. Em Teresópolis dizemos que a violência é controlada. Mesmo quando ocorrem atos criminosos, a gente tem um resultado muito eficaz. Nos últimos três meses nós tivemos seis homicídios de seis pessoas envolvidas com o tráfico, os chamados ‘traficídios’, e, desses, conseguimos identificar autorias em cinco. Então a taxa de elucidação de homicídios é altíssima, tem níveis comparáveis a outros países. Então nós temos níveis baixos de letalidade violenta, de roubo de rua de roubo de veículos, não tem um roubo de carga há três anos, roubo de veículos nós tivemos um nos últimos três meses então nós temos uma cidade tranquila você anda normalmente na cidade você não tem problema de pessoas sendo abordadas com arma de fogo para ser roubado o seu celular roubado, os seus pertences, mas a violência ela vai existir como em qualquer outro local. Mas Teresópolis eu passo a garantir para vocês uma cidade extremamente tranquila e uma prova disso é que no último semestre nós conseguimos atingir todas as metas então e ficamos entre as cidades mais seguras do estado no último semestre”.




