Giselle Oliveira
Nesta quarta-feira, 26, o programa Hélio Carracena, na Diário TV, recebeu para uma entrevista secretário de Serviços Públicos de Teresópolis, Davi Serafim, que falou sobre a alta demanda da pasta no município e outras pautas importantes direcionadas a esse setor – como a administração dos cemitérios públicos, que novamente sofrem com o problema de falta de espaço para exumação e incineração dos ossos exumados. Atualmente o município conta com nove cemitérios, porém todo o armazenamento é feito no principal deles, o Carlinda Berlim, mais conhecido como Caingá. Segundo Davi, no local há uma média de 100 toneladas de ossos exumados e armazenados, os quais aguardam para ser incinerados, estando alguns guardados há mais de 50 anos. “Devido a esse problema de falta de espaço a prefeitura construiu mais 1200 gavetas para sepultamentos e abriu licitação para prestação de serviço de incineração para cumprir a demanda. Sepulta-se mais do que se faz exumação por isto está dando essa superlotação”, destacou Serafim.
O secretário de Serviços Públicos também comentou sobre os problemas que a prefeitura tem enfrentado com o descarte de lixo no antigo aterro localizado no bairro do Fischer, que devido às condições atuais pode ser chamado de “lixão” novamente. O serviço de coleta atualmente é terceirizado pela empresa Inova Ambiental, conta com 16 caminhões que tem o seu descarte no local, que não comporta mais a alta demanda. “O aterro se encontra em uma situação horrível”, destacou Davi Serafim, comentando sobre o projeto que a prefeitura tem para estabelecer no local um aterro controlado onde será feito a construção de uma usina, que segundo o secretário tudo no lixo será aproveitado inclusive o gás, ele afirma que já estão sendo tomadas as providências para se parar o lixo no aterro e ressalta “que está preste a acontecer o transbordo do lixo que deverá ser feito para outro município, pois a cidade não tem espaço para receber essa quantidade de lixo no momento”. Ele disse ainda que a prefeitura de Teresópolis está em negociação com o estado do Rio de Janeiro por se tratar de um trabalho de alto custo. A entrevista, na íntegra, pode ser assistida no canal da Diário TV no Youtube.

Ação da Polícia Ambiental
Em julho do ano passado, policiais da 5ª Unidade de Policiamento Ambiental, que atuam através do programa Linha Verde, registraram algumas irregularidades no principal cemitério do município, o Carlinda Berlim, mais conhecido como Caingá. A que mais chamou a atenção, com imagens fortes, algumas nem divulgadas pelo Diário, foi a improvisação para guardar ossadas retiradas de gavetas e nichos após o prazo legal previsto. “A equipe da 5ª UPAm procedeu ao local e conseguiu constatar no total cinco salas, um porão e um quarto com diversos restos mortais alocados de forma inadequada. Foi feito contato com o administrador do cemitério que disse não ter nenhuma licença ambiental para operar, e em seguida foi apresentado aos agentes um TAC do Ministério Público de 2006 onde foram encontradas diversas cláusulas não cumpridas pelo órgão administrador do cemitério municipal”, divulgou a equipe especializada da PM, através do site do Disque Denúncia. Sobre o preocupante tema, o governo municipal informou naquela ocasião que “encontra-se em avaliação a realização de processo licitatório para implementação do serviço de incineração. A iniciativa pretende solucionar a ausência de um ossário – local específico para depósito de restos mortais após a exumação dos corpos sepultados nas gavetas mortuárias e covas rasas” e que “as ações são acompanhadas pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que tem um termo de ajustamento de conduta firmado com o município”.
A Polícia Ambiental informou ainda que no momento da fiscalização os policiais militares observaram em tempo real, o lançamento de resíduos oleosos oriundos de uma das salas de armazenamento de restos mortais diretamente ao solo, contaminando assim a vegetação local e possivelmente o lençol freático. “Na necrópole, não havia tratamento de chorume, sendo que algumas partes não eram impermeáveis e não havia drenagem de água pluvial, o que poderia acarretar novamente na poluição do solo e doenças aos próprios funcionários da empresa e a população da comunidade da Fonte Santa que fica ao lado. Com base nos artigos 54 e 60 da lei de crimes ambientais, a equipe da 5ª UPAm procedeu à 110ª DP, onde a ocorrência foi registrada”, destacou o site do Linha Verde.