Estamos vivendo um novo momento da mobilidade urbana: mais ágil, mais econômica, mais sustentável e, sobretudo, mais democrática. As bicicletas elétricas e as motos elétricas, os chamados veículos autopropelidos, já não são promessa de futuro. São uma realidade crescente que veio para ficar. Equipamentos leves, práticos, com motores de até 1000W e velocidade limitada a 32 km/h, que se integram ao cotidiano de pessoas de todas as idades, assim como um dia carros e motocicletas também se integraram.
Assim como houve a necessidade de criar ruas, avenidas, estacionamentos, faixas de pedestres e semáforos para organizar o trânsito dos veículos tradicionais, agora vivemos mais uma etapa de transformação. Um novo meio de transporte está se inserindo de forma definitiva na sociedade, e isso exige políticas públicas consistentes, planejamento urbano, atualização de legislações e, principalmente, Educação (no sentido mais amplo da palavra).
Com a popularização dos veículos autopropelidos, cresce também a responsabilidade coletiva. Falar de mobilidade é falar da segurança de todos, de menos acidentes e da construção de uma cultura de respeito entre pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas. Não há espaço para circular na contramão, avançar sinais, ocupar calçadas, ignorar faixas de pedestres ou deixar de usar capacete. Esse comportamento já não cabe na sociedade que queremos. Assim como respeitamos as faixas exclusivas de ônibus, as faixas destinadas a motos em algumas avenidas e as ciclovias cuidadosamente planejadas, será preciso criar, ampliar e aprimorar novas vias e alternativas seguras para os veículos autopropelidos, evitando disputas perigosas por espaço e promovendo convivência harmoniosa.
O que estamos vivendo hoje é semelhante ao que vivemos com os celulares: um dia foram poucos, depois se tornaram acessíveis e hoje cada pessoa tem o seu. A mobilidade caminha para o mesmo destino. Muito em breve, será comum que cada cidadão tenha sua própria bicicleta elétrica para pequenos deslocamentos, reduzindo congestionamentos, economizando tempo e ampliando a qualidade de vida. Pequenas cidades, cidades médias, grandes centros e capitais têm o dever de ordenar o trânsito e garantir infraestrutura; mas a população também precisa fazer sua parte para que essa evolução seja, de fato, um avanço humano, e não apenas tecnológico.
Países como Holanda, Dinamarca, Alemanha e Noruega já mostraram o impacto positivo dessa transformação. Vias segregadas, regras claras, fiscalização ativa e campanhas educativas ampliaram a segurança, reduziram drasticamente acidentes e criaram uma cultura de convivência urbana admirável. Nessas nações, crianças, jovens, adultos e idosos utilizam bicicletas e veículos leves com naturalidade, confiança e bem-estar. Esse é o futuro que também podemos e devemos construir.
Estamos diante de um marco civilizatório. Não podemos permitir que esse momento seja lembrado com preocupação ou tristeza, mas sim como uma fase de transição inteligente, positiva e inspiradora. Cabe a cada um de nós, poder público e sociedade cultivar o respeito, a consciência, a gentileza no trânsito e a responsabilidade compartilhada. É assim que evoluímos. É assim que transformamos não apenas as cidades, mas a vida das pessoas.
As discussões sobre novas políticas públicas são urgentes. Não por saudosismo ou resistência ao novo, mas porque uma cidade só funciona bem quando todos entendem seu papel dentro dela. Que este novo capítulo da mobilidade seja lembrado como o momento em que escolhemos avançar juntos. O futuro da mobilidade não é sobre veículos. É sobre pessoas.
*Gilberto Luiz Braga é Consultor em Hospitalidade, Turismo e Serviços e Especialista em Estratégias Operacionais
Linkedin Gilberto Luiz Braga
e-mail gilbertolabraga@gmail.com





