No dia 14 de março de 1989 — há 37 anos — faleceu Ernani do Amaral Peixoto, personagem central da política brasileira que a geração mais jovem talvez conheça apenas como nome de ruas.
Sua última missão pública foi representar o Estado do Rio de Janeiro no Senado Federal.
O jornal O Globo deu a notícia com a manchete: “Amaral Peixoto temia a volta do messianismo e um golpe.” No corpo da matéria, sem assinatura, registrava-se: “Com a experiência de quem atravessou 60 anos fazendo política, o senador Amaral Peixoto morreu com uma preocupação: os riscos da ascensão de um ‘messias’ ao poder.
Seu grande temor — e isso ele vinha dizendo ultimamente a pessoas de sua intimidade — era que Lula ou Brizola, uma vez eleitos presidente da República, apresentassem propostas não assimiláveis pelo sistema político e o País passasse a viver um novo 64.”
De fato, naquele ano Leonel Brizola e Lula foram candidatos à Presidência. Por um triz, Brizola não chegou ao segundo turno. Lula chegou — mas Fernando Collor de Mello venceu a eleição, tornando-se o primeiro presidente escolhido diretamente pelo voto popular após o regime militar.
Vieram então o impeachment de Collor, o governo de Itamar Franco, dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso e, finalmente, a eleição de Lula, que havia disputado todas aquelas eleições.
Golpe não houve — pelo menos não fora da imaginação de quem vive permanentemente à espera dele. O Messianismo, porém, há de sobra. A história reservou até uma ironia curiosa: um dos presidentes eleitos depois de Lula chama-se Jair Messias Bolsonaro.
As preocupações do almirante Amaral Peixoto — genro de Getúlio Vargas e sogro de Moreira Franco — não se limitavam ao messianismo. O mesmo texto de O Globo registrava: “Conhecido por sua política de conciliação, sempre preocupado em apresentar soluções que evitassem choques, Amaral Peixoto não confiava na maneira como hoje em dia se faz política. Ele achava que o nível da classe política estava caindo e defendia a sua renovação. A seu ver, estava faltando ao Brasil uma liderança competente.”
Lendo isso hoje, é difícil não reconhecer o diagnóstico. Talvez esteja aí uma das explicações para a situação política ruim em que o país se encontra.
Se você quer compreender melhor a política brasileira — sem ilusões, sem mitos e sem messianismos — estou oferecendo um programa de mentoria para um grupo restrito de interessados.
A proposta é simples: analisar a política como ela realmente funciona, com base na história, nos fatos e na experiência acumulada de décadas acompanhando o poder.
Quem quiser saber mais pode entrar em contato comigo por mensagem direta. 21-995551237


